Torta de Santiago


| Tempo de leitura: 4 min
As louças e utensílios usados na produção desta receita foram fornecidas pela Espaço Casa
As louças e utensílios usados na produção desta receita foram fornecidas pela Espaço Casa
Por volta do ano 800 um ermitão chamado Pelágio, que vivia num bosque da região conhecida como Libredón, foi surpreendido uma noite por estranha “chuva de estrelas” que caía sobre elevação próxima. O fenômeno voltou a se repetir nas noites seguintes, o que fez o homem procurar o bispo de Iria Flávia, a quem descreveu o fato inusitado. O bispo, que se tornaria célebre, era Teodomiro. Atestando a verdade, ordenou que se escavasse o lugar sobre o qual as estrelas pareciam cair. No terceiro dia foi encontrada urna de mármore com os ossos do santo identificado como Tiago, nascido na Galileia 12 anos antes de Cristo. Ele havia sido decapitado por ordem de Herodes Agripa, na Palestina no ano 6º de nossa Era. A notícia se espalhou rapidamente e o lugar passou a ser visitado por peregrinos de toda a Europa. Até o rei Afonso II deslocou-se com sua corte para conhecer o sepulcro. Tocado pelo sentimento cristão, ordenou que erguessem ali uma igreja e proclamou o santo padroeiro de seu reino. Rapidamente foram se multiplicando ao redor dessa igreja hospedarias para acolher visitantes. Com elas chegaram novos comerciantes. E o casario formou o embrião de uma cidade que passou a ser chamada de “Campus Stellae”, por conta da aparição das estrelas relatadas por Pelágio. Campus Stellae evoluiu para Compostella e no ano mil o lugar já se chamava Santiago de Compostela.
 
 
Na Idade Média, era o terceiro mais importante lugar de peregrinação dos cristãos, depois de Jerusalém e Roma. Desde essa época a cidade oferece a quem a visita a Torta de Santiago, feita com amêndoas, coberta com açúcar de confeiteiro e- eis o toque especialíssimo- decorada com a cruz da Ordem dos Cavaleiros de Santiago. Em 2006, a iguaria conquistou o status de produto de Indicação Geográfica Protegida (IGP), a certificação oficial regulamentada pela União Europeia. 
 
Estas informações e a receita que se segue foram extraídas do livro “Histórias, Lendas e Curiosidades da Confeitaria”, de Roberta Malta Santana, presente precioso da amiga Eny Miranda. Há muito tempo tinha vontade de experimentar a torta, que acabei fazendo nesta semana, ao pensar no Natal que se aproxima. Foi uma experiência importante para mim, pois à medida que agregava ingredientes, ia reunido na memória as informações colhidas no livro que tem tanto de culinária como de história. 
 
Como não é fácil encontrar farinha de amêndoas por aqui, comprei as castanhas e as triturei aos poucos no liquidificador. Passei por peneira e o que sobrou voltei a triturar. Obtive assim uma xícara e meia de farinha de amêndoas. Em seguida passei à massa. Numa vasilha , misturei com colher a manteiga derretida com farinha de trigo, ovo e açúcar. Quando se formou uma farofa grossa, coloquei a mão na massa. Sovei até formar uma bola lisinha. Depositei numa tigela, cobri com papel filme e levei à geladeira por meia hora. Enquanto isso, preparei o recheio. Quebrei os ovos na tigela, juntei açúcar e bati durante cinco minutos. Aos poucos fui reunindo às colheradas a farinha de amêndoas, sempre batendo. Agreguei o cálice de Amareto, licor feito com amêndoas, e a canela em pó. Bati mais um pouco para agregar tudo. Neste momento desliguei a batedeira e voltei à massa, que retirei da geladeira e espalhei no fundo e nas bordas de uma forma de aro descartável, devidamente forrada e polvilhada com farinha de trigo. Furei o fundo com a ponta de um garfo e despejei o creme de amêndoas. Levei ao forno (preaquecido a 160 graus) e deixei durante 40 minutos. Espetei um palito e, vendo que saía seco, concluí que estava pronto. Retirei do forno, coloquei sobre uma grade, esperei esfriar. E fui fazer o molde da cruz da Ordem dos Cavaleiros de Santiago. Ela é facilmente encontrada no Google. Na Espanha, onde a torta é muito conhecida, eles usam um molde de metal. Lucas, que faz as fotos desta página, desenhou-o em papelão e deu muito certo. Coloquei-o sobre a torta já fria e salpiquei toda da superfície com Glaçúcar. Retirei o molde e a cruz estava lá, bem desenhada. Gostamos tanto que vou repetir a receita.
 
 
Ingredientes
 
Massa
 100 gramas de  manteiga sem sal
 2 colheres (sopa) de açúcar refinado
 1 ovo
 1 ½ xícara (chá) de farinha de trigo
 1 colher (chá) de essência de baunilha
 Manteiga para untar a forma
 Farinha para polvilhar
 
Recheio
 4 ovos
 1 ½ xícara (chá)   de açúcar de confeiteiro
 2 xícaras (chá) de farinha de amêndoas
 1 colher (chá) de canela em pó
 1 cálice de licor Amareto (opcional)
 
 
porção: 10
dificuldade: fácil
preço: econômico

Comentários

Comentários