Bolo de Santo Antônio


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As louças e utensílios usados na produção desta receita foram fornecidos pelo Espaço Casa
As louças e utensílios usados na produção desta receita foram fornecidos pelo Espaço Casa
Na natureza, a cada ano as plantas passam por processo de transformação. As folhas mudam de cor e se desidratam no outono; destacam-se dos galhos no inverno; renascem na primavera junto com as flores que se transformam em frutos; estes amadurecem no verão e guardam sementes para novo ciclo. Atento ao quádruplo movimento, o homem que saía da caverna logo descobriu as sementes que poderia guardar a cada colheita e replantar no ano seguinte, quando seriam fertilizadas pelos raios do sol e irrigadas pelas chuvas. Ele passou então a exercer domínio cada vez maior sobre a natureza, mãe e mestra. 
 
No hemisfério norte as quatro estações são bem definidas, o que não ocorre na região equatorial e nas tropicais do hemisfério sul. Por aqui, o ritmo cíclico alterna períodos de chuva e estiagem, mas ainda assim as mudanças podem ser observadas. Embora de maneira menos intensa, nossa primavera se estende pelo verão e nosso outono vai se esticando no inverno curtinho. Os homens, que sempre miraram a natureza procurando sobrevivência, criaram mitos para lhes explicar a alternância da paisagem. Foram muitos os heróis míticos que nasceram na imaginação como espelho do que ocorria na natureza. Entre os gregos antigos, Adônis emerge do mundo subterrâneo, onde vive com Perséfone, e volta todos os anos à superfície para viver com sua amada Afrodite e com ela fertilizar a vida. Foram diversas também as celebrações com que diferentes povos marcaram cada estação. É neste contexto que devemos avaliar em sua estrutura mais profunda as festas juninas, legado europeu dos colonizadores portugueses. Trazidas ao Brasil pelos portugueses já nos primeiros anos do descobrimento, tiveram total adesão de índios e, depois, de africanos escravizados. É que todas as culturas louvam a natureza como fonte de manutenção da existência. 
 
Marcando mudança de ciclos, surgiram as festas de São João, Santo Antônio, São Pedro, todas em junho, aqui inverno, lá em cima primavera. No calendário, o primeiro a ser festejado, no dia 13, é Santo Antônio, de grande devoção popular, quer em Portugal, quer no Brasil. Lisboeta, nasceu Fernando em 1195 e recebeu o novo nome, Antônio, ao passar, em 1220, da Ordem de Santo Agostinho para a Ordem de São Francisco.
 
Santo familiar, protetor dos comerciantes e também dos soldados, pois na juventude foi um destes, é a ele que também recorrem moças ansiosas que querem casar. Vai de norte a sul de nosso país a tradição de colocar a imagem do santo de cabeça para baixo no sereno, amarrada num esteio, ou debaixo de árvore, quem sabe jogá-la no fundo de um poço até que surja um noivo condizente. Deve-se acompanhar a prática com os seguintes versinhos: “Meu querido Santo Antônio/ feito de nó de pinho/ com vós arranjo o que quero/ porque peço com jeitinho”
 
Nos primeiros treze dias de junho são rezadas nas igrejas e em casas de devotos as trezenas, com o intuito de alcançar graças através da intervenção do santo ou de agradecer por um milagre que ele tenha realizado: “Se queres milagre/ implora confiante/ de Antônio o favor// Seu braço é tão forte/ que do erro e da morte/ destrói o furor...”
 
No artigo “Santos padroeiros do domínio popular”, o folclorista Basílio de Magalhães descreve uma festa de Santo Antônio numa cidade capixaba, que é bem semelhante a muitas outras que aconteciam no interior brasileiro até meados do século passado e que ainda resistem em alguns rincões. Escreve o autor: “ na noite de 13 de junho, no centro de um terreiro bem varrido, decorado com bambu e bandeirinhas de papel coloridas, encontra-se um mastro com uma bandeira e a figura de Santo Antônio em seu topo. Numa casa em frente, há um oratório preparado com a imagem do padroeiro da festa. Em determinado momento, começam as cantorias e danças caipiras ao som de violas, pandeiros, tambor. Os devotos entram dançando no meio do terreiro e cantam: “Fui ao mato cortar lenha/ Santo Antônio me chamou/ Quando o santo chama a gente/ que fará os pecador”. Todos que neste momento já formaram a roda cantam: “Na porta da sala/ tá me chamando/ Oh gente danada/ tá me xingando!/ Eu não sou daqui/ vou me arretirando./ Ai, ai, ai! Ai, ai, ai!/ Santo Antonio me chamou!”
 
Num outro lado deste terreiro, sobre toalha em mesa rústica, podemos ver as comidas típicas deste período, marcado pela colheita de milho. Entre pamonhas, curaus e broinhas, os muitos bolos de fubá. Um deles, o desta página, que tem no meio da massa pedacinhos de goiabada. 
 
Faça assim. Bata as claras em neve e reserve numa tigela. Na mesma batedeira bata as gemas com o leite de coco, o leite de vaca, a margarina, o queijo, as raspas de limão. Aos poucos vá juntando os ingredientes secos (à exceção do fermento) previamente peneirados, continuando a bater. Desligue a batedeira. Com delicadeza junte as claras em neve, em movimentos lentos, de baixo para cima, até agregar tudo. Acrescente o fermento e continue mexendo. Reúna por fim os pedacinhos de goiabada passados na farinha de trigo e mexa de forma que eles se espalhem por toda a massa. Despeje em forma redonda, grande, de buraco, untada e enfarinhada. Leve ao forno preaquecido a 180 º por aproximadamente 40 minutos. Desenforme quando morno. Polvilhe açúcar de confeiteiro.
 
 
Ingredientes
 
 1 xícara (chá) de goiabada cortada em cubinhos passados por farinha de trigo
 4 ovos
 2 xícaras (chá) de farinha de trigo
 2 xícaras (chá) de fubá
 1 xícara (chá) de  margarina
 1 vidro de leite de coco
 2 xícaras (chá) de açúcar
 1 colher (chá) de raspas de limão
 ½ xícara (chá) de queijo ralado
 ½ xícara (chá) de leite de vaca
 1 colher (sopa) de fermento em pó 
 
 
porção: 4 pessoas
dificuldade: fácil
preço: econômico

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