O descobrimento da América, em 1492, liga-se diretamente à expansão comercial europeia iniciada no fim da Idade Média. Em 1453, os turcos haviam tomado Constantinopla, bloqueando o comércio europeu de especiarias (canela, cravo, pimentas, gengibre) com as Índias pelo mar Mediterrâneo. Isso forçou à procura de caminhos alternativos aos que vinham sendo trilhados desde a Antiguidade. A cultura neste momento da história estava marcada pela influência luminosa do Renascimento, movimento estético, cultural, técnico e científico.
A cartografia conhecia grande desenvolvimento, revelando o verdadeiro tamanho da Terra, com maior precisão nas medidas. E o aperfeiçoamento da náutica, do astrolábio, mais a ampliação dos conhecimentos de astrologia e o surgimento de novas embarcações como a caravela, contribuíam para o descortino da mentalidade europeia, dominada até então por mitos quando o desafio era a travessia dos oceanos.
Mas muitos ainda fantasiavam a possível existência de fontes de ouro na costa africana; de paraísos terrestres à espera de aventureiros; de histórias fantásticas sobre ilhas às quais chamavam de Malditas e Afortunadas; e faziam referências a perigosas regiões perdidas dominadas por monstros. Enquanto isso, navegadores corajosos e ousados desbravavam os oceanos em busca de alimentos. A ideia de uma Terra esférica já era de domínio de muitos viajantes.
Colombo, navegando sob bandeira espanhola, deixou o porto de Palos, na Andaluzia, em 3 de agosto de 1492. Comandava uma nau, a Santa Maria, e duas caravelas, Pinta e Nina. Graças aos ventos alísios, navegou de início com boa velocidade, mas enfrentou motim um mês depois; conseguiu dominar a tripulação e em 12 de outubro encontrou a ilha de Guanaani, no arquipélago das Bahamas. Estava descoberta a América, inicialmente nominada Novo Mundo, um dos acontecimentos mais importantes dentre os que definem o início da história moderna.
As navegações de Colombo, como as de Vasco da Gama ao mesmo tempo, provaram a esfericidade da Terra e permitiram que os europeus entrassem em contato com civilizações que desconheciam. Isso abriu um novo e extraordinário capítulo não só na história da expansão europeia, mas também na da humanidade.
Já no retorno à Espanha, Colombo, que morreria anos depois pobre e esquecido em Valadolid, levou consigo espigas de milho, grão que se tornaria logo uma das grandes forças alimentares do mundo. Outros navegantes, em sucessivas viagens, descobririam produtos nativos desconhecidos que surpreenderiam a Europa pelo sabor e nível de nutrição: eram tomates, feijões, batatas e... cacau. Com este, povos de uma mesma área que seria conhecida como América Central, elaboravam uma bebida denominada txocoalt, de alto poder energético. O termo evoluiu em nosso idioma para chocolate.
Do txocoalt, bebida amarga usada em cerimônias religiosas por maias e astecas, ao chocolate que se tornou iguaria apreciada por todo o mundo ocidental a partir de sua chegada à Europa, a trajetória foi longa. Se em 1700 já existiam em Londres as “Casas de Chocolate” que competiam com as “Casas de Café”, foi necessário esperar a revolução industrial e a invenção de diversas máquinas que tornariam possível a produção em grande escala, o que iria baratear o produto e popularizá-lo. Isso, no que diz respeito à bebida, pois no que concerne às barras, elas só surgiram em 1847, quando uma firma inglesa, a Fry and Sons, começou a produzi-las. Mas foram os suíços que aperfeiçoaram a fórmula, tornando-a a tentação que se oferece hoje aos consumidores do mundo inteiro.
Na gastronomia o chocolate ocupa lugar de destaque em mil preparações. O bolo de chocolate é um clássico apreciado por adultos e crianças. Com ele começamos o mês de maio, tão feminino, que homenageia as mães e traz em sua etimologia o nome da deusa Mayo, uma das divindades gregas ligadas à fertilidade.
Nosso bolo de chocolate leva o ingrediente que lhe confere o nome, mas também açúcar mascavo e café, para um toque especial. A cobertura tem aquele aroma único da canela associada a raspas de laranja. Serve oito pessoas.
Confira a lista de ingredientes. Preaqueça o forno a 180º. Unte uma forma redonda com furo, espalhando uma camada fina e uniforme de manteiga. Polvilhe com uma mistura (meio a meio) de chocolate em pó e farinha. Reserve. No liquidificador junte os ovos, o café, o óleo. Bata só até misturar. Na sequência coloque o açúcar mascavo, o açúcar branco, o chocolate em pó e a farinha. Bata em velocidade máxima e conte no relógio 4 minutos. Por último adicione o fermento e bata por mais um minuto para misturar bem. Transfira a massa para a forma preparada e leve ao forno já aquecido para assar por 40 minutos. Ao fim deste tempo faça o teste do palito. Espete-o na massa, se sair limpo ela estará assada. Retire do forno e deixe esfriar por 20 minutos. Coloque um prato de bolo sobre a forma e, com auxílio de um pano de prato, vire de uma vez. Espere esfriar e espalhe a cobertura, que é feita no microondas. Pique fino o chocolate. Transfira para uma tigela de vidro e junte o creme de leite, a rama de canela, as raspas de laranja. Leve a tigela ao forno e mexa de minuto a minuto até derreter bem. Deixe esfriar e retire a canela. Assim que amornar, leve à geladeira por 10 minutos. Retire e misture bem para unificar a temperatura. Espalhe sobre o bolo frio com espátula ou faca.
Ingredientes
Massa
4 ovos
1 xícara (chá) de café forte e frio (sem açúcar)
1 xícara (chá) de óleo
½ xícara (chá) de açúcar branco
½ xícara (chá) de açúcar mascavo
1 xícara (chá) de chocolate em pó
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento em pó
Manteiga, farinha, chocolate para polvilhar
Cobertura
200 gramas de chocolate meio amargo
½ de xícara (chá) de creme de leite
1 rama de canela
1 colher (chá) de raspas de laranja
porção: 10
dificuldade: fácil
preço: econômico