Quase quatro em cada dez adolescentes brasileiros entre 13 e 17 anos já foram vítimas de bullying no ambiente escolar. O dado integra a mais recente edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base em entrevistas realizadas em 2024 em todo o país.
Além da alta incidência, um aspecto chama ainda mais atenção: a frequência das agressões. Mais de um quarto dos estudantes (27,2%) relatou ter sido humilhado ou provocado de forma recorrente, duas vezes ou mais, indicando intensificação desse tipo de violência.
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Violência se repete e se agrava
Embora o percentual geral de vítimas tenha crescido de forma discreta em relação a 2019, o aumento nos episódios repetidos foi mais expressivo, ultrapassando quatro pontos percentuais. Isso sugere que o bullying está menos pontual e mais persistente dentro das escolas.
Outro sinal de agravamento é o crescimento das agressões físicas. Atualmente, 16,6% dos estudantes afirmam já ter sofrido ataques desse tipo por colegas, número superior ao registrado na pesquisa anterior. Entre os meninos, essa proporção é ainda maior.
Aparência lidera motivos
Entre os fatores que motivam as agressões, características físicas aparecem no topo da lista. Aspectos relacionados ao rosto e ao cabelo são citados com maior frequência, seguidos pelo corpo. Questões raciais também figuram entre os principais motivos.
Ainda assim, uma parcela significativa dos estudantes não consegue identificar a razão dos ataques, o que evidencia o caráter muitas vezes arbitrário e coletivo do bullying.
As meninas são as mais afetadas: 43,3% já sofreram esse tipo de violência, contra 37,3% dos meninos. Elas também relatam maior frequência de episódios repetidos, o que reforça a vulnerabilidade desse grupo.
Quem agride e como as escolas reagem
Do lado dos agressores, 13,7% dos estudantes admitem já ter praticado bullying. Nesse recorte, os meninos aparecem com maior participação. Entre os motivos apontados por quem comete as agressões, surgem com mais força questões ligadas a gênero, orientação sexual e deficiência — fatores menos reconhecidos pelas vítimas.
O ambiente digital também segue como espaço de conflito, embora tenha apresentado leve queda nos casos. Ainda assim, as meninas continuam sendo as principais vítimas de ataques virtuais.
Apesar do cenário preocupante, pouco mais da metade dos estudantes está matriculada em escolas que participam do Programa Saúde na Escola (PSE). Entre essas unidades, menos da metade desenvolve ações específicas de prevenção ao bullying, e apenas uma parcela ainda menor promove iniciativas para evitar conflitos e brigas.
Os dados reforçam a necessidade de ampliar políticas públicas e estratégias dentro das escolas para enfrentar o problema, que impacta diretamente o bem-estar e o desenvolvimento dos jovens. Fonte: Agência Brasil.