A disputa por uma vaga em Medicina costuma ser marcada por cursinhos caros, plataformas digitais robustas e simulados frequentes. Ainda assim, foi fora desse circuito que Wesley de Jesus Batista alcançou o primeiro lugar no curso de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), via Enem.
Morador da periferia de Salvador, o estudante é filho de um pedreiro e de uma trabalhadora doméstica. A limitação financeira influenciou diretamente sua preparação, que precisou ser construída com o que estava ao alcance, longe das estruturas consideradas ideais por muitos candidatos.
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Cinco anos de preparação até o topo
A aprovação foi resultado de um processo longo. Foram cinco anos consecutivos de estudo e participação no Enem, com mudanças graduais na estratégia ao longo do tempo. Nos primeiros períodos, o foco esteve na consolidação dos conteúdos básicos. Com o avanço das tentativas, a atenção passou a se concentrar nos temas mais recorrentes da prova e nos próprios erros.
Essa trajetória permitiu que o estudante desenvolvesse maior familiaridade com o exame, entendendo melhor o formato das questões, a administração do tempo e os pontos decisivos para um bom desempenho, especialmente nas áreas de ciências da natureza e redação.
Celular substituiu computador e cursinho
Sem computador em casa, o celular foi a principal ferramenta de estudo durante toda a preparação. Videoaulas gratuitas disponíveis na internet, materiais em PDF e apostilas usadas compuseram a base do aprendizado.
A rotina exigia disciplina. Os estudos começavam cedo, por volta das 5h da manhã, e se estendiam em horários alternados ao longo do dia, muitas vezes à noite. As anotações eram feitas manualmente, e os exercícios resolvidos mais de uma vez, como forma de compensar a ausência de simulados regulares e plataformas de acompanhamento.
Método próprio e constância
A falta de acesso a sistemas estruturados levou à criação de um método próprio. O conteúdo era organizado por temas, com revisões constantes e reforço nos assuntos mais cobrados pelo Enem. Ao longo dos anos, a estratégia foi sendo ajustada conforme os resultados obtidos em cada edição da prova.
Na edição de 2025, esse processo acumulado se traduziu em segurança durante o exame e em uma nota suficiente para garantir o primeiro lugar na lista de aprovados em Medicina na USP.
Novo desafio: permanecer na universidade
Com a vaga conquistada, a atenção agora se volta para a permanência no curso. A mudança para São Paulo traz o desafio do custo de vida elevado, especialmente para quem não dispõe de reserva financeira.
Para viabilizar os primeiros meses na capital paulista, o estudante recorreu a uma vaquinha online com o objetivo de custear moradia, alimentação e transporte, enquanto busca programas de assistência estudantil. Em poucos dias, a arrecadação já somava cerca de R$ 50 mil.
A trajetória de Wesley evidencia as desigualdades de acesso ao ensino, mas também reforça o papel do esforço contínuo e do acesso a conteúdos gratuitos na transformação de realidades. Em um dos vestibulares mais disputados do Brasil, a história mostra que caminhos alternativos também podem levar ao pódio.