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Caso Pico Paraná: MP indicia jovem por omissão de socorro

Por Gabriela Lima/JP1 |
| Tempo de leitura: 2 min
Foto: Reprodução/RPC
Thayane Smith é indiciada
Thayane Smith é indiciada

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) decidiu indiciar a jovem Thayane Smith por omissão de socorro no caso do desaparecimento de Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, ocorrido durante uma trilha no Pico Paraná, no início de janeiro. O órgão também solicitou que ela indenize o amigo, que passou cinco dias perdido na mata até conseguir sair do local por conta própria.

A manifestação foi apresentada pela Promotoria de Justiça de Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, e diverge da conclusão da Polícia Civil, que havia arquivado o inquérito por não identificar crime.

Entendimento do Ministério Público

Segundo o MP, há indícios de que Thayane Smith deixou Roberto para trás mesmo após perceber que ele apresentava sinais de fragilidade física e enfrentava condições adversas na trilha. Para a Promotoria, a conduta caracteriza omissão de socorro, uma vez que havia possibilidade de buscar ajuda sem risco pessoal.

O órgão aponta que o jovem estava debilitado, com dificuldade para caminhar, e que o ambiente reunia fatores de risco, como neblina, chuva, frio e alto grau de dificuldade do percurso. Ainda assim, conforme o entendimento do MP, a jovem optou por seguir sozinha.

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Proposta de indenização e medidas alternativas

Além do indiciamento, a Promotoria solicitou o encaminhamento do caso ao Juizado Especial Criminal e propôs uma transação penal. Entre as medidas sugeridas estão o pagamento de indenização a Roberto por danos morais e materiais, ressarcimento ao Corpo de Bombeiros pelos custos da operação de busca e salvamento e a prestação de serviços comunitários.

As buscas mobilizaram equipes especializadas, voluntários e recursos como drones e câmeras térmicas ao longo de cinco dias.

Caso havia sido arquivado pela Polícia Civil

A Polícia Civil instaurou investigação após o desaparecimento ser comunicado pela família do jovem, mas concluiu que não houve crime. De acordo com a apuração policial, Roberto teria passado mal durante a subida, mas estaria em condições estáveis na descida, quando acabou se afastando do grupo e entrando em uma trilha incorreta.

Esse entendimento, no entanto, não foi acolhido pelo Ministério Público, que considerou haver elementos suficientes para caracterizar a omissão de socorro.

Cinco dias perdido na mata

Roberto iniciou a trilha no dia 31 de dezembro com o objetivo de acompanhar o nascer do sol no ponto mais alto do Sul do país, a 1.877 metros de altitude. Após se separar do grupo durante a descida, ele caminhou cerca de 20 quilômetros seguindo o curso de um rio até chegar a uma fazenda, no litoral do Paraná.

No local, conseguiu pedir ajuda, entrou em contato com a família e foi encaminhado a um hospital, onde recebeu atendimento médico antes de receber alta.

A defesa de Thayane Smith informou que ainda não teve acesso integral aos autos e que irá se manifestar após analisar o processo.

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