ABRIL AZUL

Dos alunos que precisam de suporte, TEA é quase metade em Jundiaí

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min
Freepik
Em cinco anos, dos alunos jundiaienses que precisam de suporte em sala de aula, os que têm TEA saltaram de 9,77% para 47,42% do total
Em cinco anos, dos alunos jundiaienses que precisam de suporte em sala de aula, os que têm TEA saltaram de 9,77% para 47,42% do total

O número de pessoas em idade escolar com Transtorno do Espectro Autista (TEA) aumentou mais de nove vezes em Jundiaí em um período de cinco anos. Se em 2019 eram 204 estudantes nas redes pública e privada da cidade, em 2024, o número saltou para 1.886. Apesar do Transtorno do Espectro Autista não ser uma deficiência, o Observatório dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo traz dados das pessoas que possuem TEA junto aos de pessoas com deficiências. Neste contexto, entre PCDs e pessoas com TEA, que são alunos que precisam de suporte em sala de aula, TEA já representa 47,42% do total. Em 2019, eram 9,77%.

Neste mês de abril, que no último dia 2 teve o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, a campanha Abril Azul  foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007 para combater o preconceito e promover a inclusão. O objetivo é envolver a comunidade, trazer visibilidade e buscar uma sociedade mais consciente, menos preconceituosa e mais inclusiva.

LEIA MAIS

Em Jundiaí, de acordo com o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 1,1% da população foi diagnosticada com autismo. Na época, esse percentual significava cerca de 4,8 mil pessoas. Boa parte desse total é de crianças e adolescentes. Mesmo assim, o número de diagnósticos no Brasil ainda não é abrangente. O estudo Mapa Autismo Brasil (MAB), primeiro perfil sociodemográfico nacional sobre pessoas autistas, que foi divulgado neste mês, mostra que, apesar de 25% da população brasileira ter acesso a planos de saúde, 20,4% das 23.632 pessoas entrevistadas informaram ter confirmado o diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA) pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Na escola

Quando se fala em autismo e sobre o crescimento do número de pessoas com essa condição de neurodesenvolvimento, o ambiente escolar se torna central, afinal, nos últimos anos, o número de crianças com autismo cresceu muito. Ainda segundo o Observatório dos Direitos da Pessoa com Deficiência, no ensino superior em Jundiaí, apenas cinco alunos tinham TEA quando houve o levantamento, em 2024, ante os mais de 1,8 mil do ensino básico, o que mostra, além do recorte etário, o acesso à educação.

Psicóloga clínica e escolar, Camila Conceição acredita que o ambiente escolar tem papel fundamental tanto na identificação precoce quanto na construção de uma educação inclusiva e acolhedora. “A escola pode observar comportamentos característicos que sugerem o TEA, entre eles dificuldades na interação social, desafios na comunicação, sensibilidades sensoriais e comportamentos estereotipados. Quando esses sinais são percebidos, é essencial atender a família de forma acolhedora, compartilhar as observações e sugerir uma avaliação detalhada com um profissional especializado”, explica Camila.

Além da identificação, a inclusão efetiva é uma das grandes responsabilidades da escola. Segundo a especialista, pequenas mudanças podem fazer grande diferença para o aluno autista. “Algumas estratégias são criar um ambiente previsível, utilizar uma comunicação clara e direta, recorrer a recursos visuais para reforçar o aprendizado, oferecer tempo adicional para a realização de tarefas e incentivar a socialização”, diz ela, ressaltando a importância da parceria entre escola e família.

Comentários

Comentários