INAUGURAÇÃO

Projeto Água Viva começa na rede de ensino municipal de Itupeva

Por Redação |
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Observar a 'saúde' da água é importante para garantir um ecossistema equilibrado
Observar a 'saúde' da água é importante para garantir um ecossistema equilibrado

Reunindo alunos, professores e funcionários da Cemeb Victória Cômodo Raymundo Fernandes, na quinta-feira (26), em Itupeva, a equipe do Centro de Orientação Ambiental Terra Integrada (Coati) de Jundiaí fez o lançamento do Projeto "Água Viva". Ao todo, cerca de 120 estudantes do 4º e 5º ano da escola prestigiaram a palestra de abertura e as primeiras análises práticas das águas do Córrego da Lagoa, um importante curso hídrico da cidade que passa por trás da instituição.

Agora o projeto será desenvolvido ao longo do ano com os alunos, que se tornarão os “guardiões” do Córrego da Lagoa, realizando diversas atividades contínuas de monitoramento e conscientização ambiental a partir da perspectiva dos recursos hídricos do município. Para a análise da qualidade da água, foi utilizado um kit feito especialmente para este tipo de atividade, um laboratório móvel completo, que mede diferentes formas de parâmetros como o pH (acidez), oxigênio dissolvido (OD), sedimentos (turbidez) e a temperatura.

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Assim como o ser humano precisa ar para respirar, os peixes e as plantas do rio precisam do oxigênio que fica "escondido" na água. Quanto mais oxigênio a água tem, mais o rio está cheio de vida e energia. Se a água estiver muito parada ou com muita sujeira, o oxigênio some e, sem ele, o ecossistema aquático não consegue sobreviver. Já os sedimentos são partículas sólidas de terra, areia ou sujeira que flutuam na água e alteram sua turbidez, muita terra na água funciona como uma cortina de poeira: ela esconde o sol e pode até entupir as brânquias dos peixes. A temperatura, por sua vez, é a medida de quanto a água está aquecida. A água mais fria consegue segurar mais oxigênio e, quando esquenta demais (porque tiraram as árvores da margem, por exemplo), o oxigênio escapa e dificulta a sobrevivência dos peixes. Essa análise permite entender a “saúde” do rio e agir para protegê-lo, é como um “check-up” médico para o ecossistema aquático.

“É uma novidade. Foi muito interessante ver a empolgação das crianças de poder conhecer o procedimento para analisar a água. Para nós, parece algo tão natural, e para elas, poder ver de perto e pegar a água, foi inovador e fez toda a diferença. Já trabalhamos com a educação ambiental no decorrer do ano, mas nada tão rico e prático quanto esse projeto”, comenta Ana Carolina Rodrigues Brajon, gestora da escola.

O município de Itupeva está situado na bacia do Rio Jundiaí, na Região Metropolitana de Jundiaí. Devido ao histórico da ocupação humana (agrícola, urbana e industrial), os rios sofrem um contínuo processo acelerado de degradação, afetando negativamente a qualidade e quantidade de água. E os desafios são muitos, assim, o Projeto Água Viva chega para realizar um processo formativo consistente, que gere reflexão, compreensão e, principalmente, desdobramentos práticos para toda a comunidade, fortalecendo o aprendizado e sua aplicação no território.

“Uma coisa interessante que eu percebi foi o interesse dos moradores da comunidade local, em que eles procuraram as escolas para pedir para participar do projeto, para analisar os lagos, os rios, que ficam próximos de suas casas. Isso é muito legal, envolve os professores, alunos, moradores, e quem ganha é o meio ambiente. As crianças vão poder entender a importância da água dentro do meio em que elas vivem e vão perceber que elas mesmas podem ajudar a cuidar desse rio, desse ambiente. Então, acredito que nós estamos plantando sementinhas nesses futuros profissionais”, pontua Joselina Barbosa de Moraes, Diretora de Departamento de Programas da Secretaria de Educação de Itupeva.

O Projeto Água Viva é uma iniciativa do Coati em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e visa criar um impacto duradouro em Itupeva, promovendo a conscientização ambiental e fornecendo ferramentas práticas para o monitoramento contínuo da qualidade da água. A iniciativa também tem como objetivo ampliar a capacidade de prevenção e adaptação às mudanças climáticas por meio dos processos de educação ambiental e ações de cidadania, com o efetivo envolvimento da comunidade e permanente avaliação da qualidade ambiental e dos recursos hídricos no município; promover a conscientização sobre a importância da qualidade da água para a saúde e o meio ambiente; capacitar participantes para realizar o monitoramento da qualidade ambiental e das águas; identificar possíveis fontes de contaminação e propor soluções sustentáveis para a comunidade; e criar um banco de dados comunitário sobre a qualidade das águas do município.

Coati
Fundado em 1º de agosto de 1992, em Jundiaí, o Centro de Orientação Ambiental Terra Integrada (Coati), atua em defesa do meio ambiente e da vida em todas as suas formas. A organização, declarada de Utilidade Pública Municipal em 2015 pela Lei nº 8384/2015, nasceu inspirada pelo espírito da ECO 92 e desde então promove ações de educação ambiental, preservação da biodiversidade e mobilização social, com atuações em diversas áreas como a Mata Atlântica (Serra do Japi e Juréia/Itatins); gestão de resíduos e poluição do ar; arborização urbana; recursos hídricos; denúncias contra agressões ambientais; e participação em conselhos municipais. Iniciativas que unem conhecimento, cultura e engajamento comunitário e, assim, o Coati segue transformando consciência em atitude — por um planeta mais equilibrado e sustentável.

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