O vereador de Patrocínio Paulista, Luiz Carlos Boarati (PRD), conhecido como "Luizinho da Lenha", foi absolvido pela Justiça no processo em que era acusado de tentar aliciar uma adolescente de 15 anos para fins sexuais em Franca.
A decisão foi assinada pelo juiz Alexandre Semedo de Oliveira, da 2ª Vara Criminal de Franca, na terça-feira, 19. O magistrado julgou improcedente a denúncia apresentada pelo Ministério Público e absolveu o parlamentar.
Segundo a denúncia, o caso teria ocorrido em 8 de maio de 2025, quando Boarati teria tentado induzir a adolescente à prostituição mediante oferta de dinheiro.
Na sentença, o juiz afirmou que não ficou comprovado que o vereador soubesse que a jovem era menor de idade. A decisão destaca que conversas anexadas ao processo indicavam situações que poderiam levar o acusado a acreditar que ela já tinha mais de 18 anos, como menções à retirada da CNH (Carteira Nacional de Habilitação).
O magistrado também deu destaque ao comportamento da adolescente e da mãe durante as conversas mantidas com o vereador. Em trecho da decisão, o juiz afirma: “Depreende-se dos áudios que ele havia enviado mensagens e que, antes que a menor as lesse, ele as apagara, num clássico exemplo de arrependimento eficaz. Ao virem as mensagens apagadas, a menor e a mãe, desconfiando das intenções do acusado, o instigam a que revele o conteúdo das mensagens, já pensando em levar o caso ao conhecimento das autoridades. E, a partir desse incitamento inicial, são elas que conduzem o transcorrer das conversas, abrindo espaço para que o acusado faça com clareza suas propostas.”
Ainda na decisão, o magistrado classificou a situação como um “clássico exemplo de crime impossível”, afirmando que o vereador havia desistido inicialmente da conduta e só retomou as conversas após insistência da adolescente e da mãe.
Vereador fala em 'alívio' após absolvição
Após a decisão da Justiça, o vereador Luiz Carlos Boarati afirmou ao Portal GCN/Sampi que já esperava ser absolvido e disse que tinha confiança no resultado do processo desde o início das investigações. Segundo ele, a entrega voluntária do aparelho celular foi um dos fatores que reforçavam sua convicção de inocência.
Boarati também relatou os impactos pessoais e familiares causados pela acusação. “Fiquei chateado por causa da família. Imagina, seu esposo é um pedófilo, seu pai é um pedófilo, seu patrão é um pedófilo, seu avô é um pedófilo. Então, isso tudo causa um desgosto”, afirmou.
O vereador criticou ainda a repercussão do caso nas redes sociais e na imprensa, alegando que houve julgamento antecipado por parte da opinião pública. Ele também declarou que sofreu prejuízos financeiros, emocionais e desgaste político ao longo do processo.
Apesar disso, Boarati afirmou que manteve a confiança na absolvição e classificou o resultado da sentença como um “alívio”. “O pior mesmo já tinha passado. E agora é um alívio, lógico que é um alívio, não ter que mais mexer com isso, procurar juiz, procurar advogado”, disse.
Ao comentar o período enfrentado durante a investigação e o processo judicial, o parlamentar afirmou ainda que a experiência o aproximou da fé religiosa. “O que eu tiro de válido nisso é que a gente aproxima mais de Deus. Isso tem um valor imensurável”, declarou.
Relembre o caso
O caso envolvendo o vereador Luiz Carlos Boarati começou após uma adolescente de 15 anos denunciar supostas tentativas de aliciamento para fins sexuais. Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público, o parlamentar teria oferecido dinheiro em troca de favores sexuais à jovem durante conversas realizadas em maio de 2025, em Franca. A denúncia ganhou grande repercussão na região e levou à abertura de investigação criminal e de uma Comissão Processante na Câmara Municipal de Patrocínio Paulista.
Durante as investigações, vieram à tona áudios e mensagens trocadas entre o vereador, a adolescente e a mãe dela. A defesa de Boarati sustentou desde o início que ele não sabia que a jovem era menor de idade. No decorrer do processo, a mãe da adolescente encaminhou uma carta escrita de próprio punho pedindo a retirada da denúncia apresentada ao Legislativo, fato que passou a ser usado pela defesa como um dos elementos para questionar a consistência da acusação.
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