Uma pesquisa desenvolvida na Fundação Espírita Allan Kardec, em Franca, ganhou repercussão internacional após ser apresentada na última quinta-feira, 14, durante um evento acadêmico realizado na Harvard University, nos Estados Unidos.
O estudo investiga a relação entre espiritualidade, religiosidade e saúde mental no tratamento de pacientes com comportamento suicida internados em unidade psiquiátrica.
A apresentação internacional foi conduzida pela pesquisadora Marianna de Abreu Costa, integrante da equipe responsável pelo projeto, que detalhou os objetivos, a metodologia científica e os impactos esperados da pesquisa para a comunidade acadêmica internacional.
Pesquisa reúne especialistas em psiquiatria e espiritualidade
O estudo é realizado no Hospital Psiquiátrico Allan Kardec e possui coordenação científica da USP (Universidade de São Paulo), reunindo pesquisadores brasileiros especializados em psiquiatria, espiritualidade e saúde mental.
A coordenação é liderada pelo psiquiatra Alexander Moreira-Almeida, considerado referência internacional em estudos sobre espiritualidade e saúde, ao lado do pesquisador Homero Pinto Vallada Filho.
O protocolo tem como centro coordenador a Faculdade de Medicina da USP e conta com apoio do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde.
O financiamento é realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais e pelo Instituto Homero Pinto Vallada.
Estudo avalia espiritualidade como complemento terapêutico
A pesquisa busca analisar se práticas espirituais podem contribuir positivamente no tratamento psiquiátrico convencional de pacientes internados por sofrimento psíquico grave e comportamento suicida. Ao todo, 200 pacientes participam do estudo.
Os participantes foram divididos em dois grupos. Um deles recebe apenas o tratamento convencional, incluindo acompanhamento psiquiátrico, psicológico e uso de medicamentos.
O segundo grupo recebe, além do tratamento médico tradicional, uma intervenção espiritual complementar realizada à distância por meio de reuniões mediúnicas de desobsessão.
Os pesquisadores ressaltam que a proposta não substitui o tratamento psiquiátrico tradicional, mas pretende investigar cientificamente se a espiritualidade pode funcionar como recurso auxiliar no cuidado emocional, psicológico e social dos pacientes.
Metodologia científica rigorosa
Um dos principais diferenciais do estudo é o modelo metodológico adotado pelos pesquisadores. A pesquisa foi estruturada como ensaio clínico controlado, randomizado, duplo-cego e em paralelo - metodologia considerada uma das mais rigorosas dentro da ciência para avaliação de tratamentos clínicos.
Nesse modelo, nem os pacientes nem parte das equipes envolvidas sabem quais participantes estão recebendo a intervenção espiritual complementar.
Segundo os pesquisadores, isso reduz interferências emocionais e subjetivas nos resultados finais.
Para garantir imparcialidade, as equipes responsáveis pelas etapas clínica e espiritual atuam separadamente, sem compartilhamento de informações entre si.
A pesquisa recebeu aprovação do Comitê de Ética do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP em setembro de 2025.
Estudo analisa impactos no comportamento suicida
O trabalho pretende avaliar se fatores ligados à espiritualidade e religiosidade podem influenciar indicadores clínicos relacionados ao sofrimento psíquico.
Entre os pontos analisados estão intensidade dos sintomas psiquiátricos; comportamento suicida; qualidade de vida; tempo de internação; número de reinternações; e uso de medicamentos após alta hospitalar.
Além disso, os pesquisadores também pretendem investigar possíveis relações entre relatos obtidos durante reuniões mediúnicas e os quadros clínicos observados pelas equipes médicas.
Resultados devem sair em 2027
A coleta de dados começou em fevereiro deste ano no Hospital Allan Kardec, em Franca, e seguirá até dezembro de 2026.
Após essa etapa, os pesquisadores iniciarão a análise final das informações coletadas. A divulgação oficial dos resultados científicos está prevista para 2027.
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