A febre do álbum da Copa do Mundo voltou a movimentar bancas de jornal em Franca e, junto dela, um casal de comerciantes ganhou destaque nas redes sociais após um vídeo sobre a venda de figurinhas viralizar na internet.
Os responsáveis pela banca são Júlio César dos Santos, de 72 anos, e Maria de Fátima Santos, de 70. O casal trabalha em uma banca localizada na avenida Presidente Vargas, em frente ao Supermercado São Paulo.
Antes disso, eles passaram dez anos à frente de uma banca na avenida Brasil, na rotatória da Praça das Bandeiras, onde ficaram conhecidos entre clientes tradicionais da cidade.
Segundo Maria, a decisão de continuar no ramo surgiu da vontade de manter uma atividade compatível com a rotina do casal.
“A gente pensou que uma banca seria uma boa para a nossa idade. Porque interage com as pessoas, com leituras, revistas, né? Então fica bom para a nossa idade”, afirmou.
Vídeo viralizou nas redes sociais
O aumento no movimento começou após um vídeo gravado pelo neto do casal, Augusto, repercutir nas redes sociais.
Na publicação, Júlio aparece convidando as pessoas para comprarem álbuns e figurinhas da Copa do Mundo e informando que a banca também funciona como ponto de troca entre colecionadores.
O conteúdo foi publicado no dia 9 de maio e alcançou 39 mil visualizações e 1.474 curtidas no Instagram, além de comentários de pessoas de diferentes cidades.
Maria contou que a repercussão surpreendeu a família e ajudou a aumentar as vendas em meio à concorrência de supermercados, farmácias e outros estabelecimentos que passaram a vender figurinhas.
“Foi uma surpresa até para a gente. Foi bom. Nosso neto fez uma propaganda conosco que a gente nem esperava. Aí ele fez uma propaganda por conta da concorrência que nós entramos. Para ver se aumentava as vendas. E deu um aumento para as vendas. Graças a Deus”, disse.
Inteligência artificial e tradição das bancas
Além do vídeo, a banca passou a utilizar ferramentas de inteligência artificial nas publicações feitas no Instagram.
Os conteúdos divulgam disponibilidade de figurinhas, horários de funcionamento e até uma figurinha personalizada do “Sr. Júlio” vestindo a camisa da Seleção Brasileira.
Segundo Júlio, a participação do neto ajudou a aproximar o público jovem da banca.
“Ele estuda na escola, aí tem muita amizade. Ele é um jovem muito bem interagido e muito inteligente. Ele fez a divulgação e atraiu bastante gente”, afirmou.
'As pessoas precisam voltar às bancas'
Apesar do aumento no movimento durante o período da Copa, Júlio afirma que a realidade das bancas mudou nos últimos anos com o avanço da tecnologia e a mudança nos hábitos de consumo.
“A movimentação na Copa do Mundo atrai mais movimento, porque já tem aquela tradição de futebol. O brasileiro é muito apaixonado por futebol. Mas, tirando a época da Copa do Mundo, as bancas não são tão movimentadas como parece ser hoje. Porque hoje sobreviver de banca não é tão fácil”, disse.
Maria também defendeu a valorização das bancas como espaços tradicionais da cidade.
“As pessoas têm que voltar esse primeiro amor nas bancas de revistas. Voltar a comprar, participar. Nem só comprar, mas conhecer, vir passear, ter essa experiência de conhecer o que tem dentro das bancas. Porque tem muita coisa boa”, concluiu.
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