Escala 6x1, anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, representatividade regional em Brasília (DF), carga tributária e fortalecimento da indústria calçadista estiveram entre os principais temas debatidos pelos pré-candidatos a deputado federal durante o encontro promovido pelo Franca Tem Voz.
Na última segunda-feira, 11, o auditório da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) sediou um bate-papo com 13 pré-candidatos. Seis deles pretendem concorrer à Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), enquanto sete devem buscar uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília.
O jornalista Corrêa Neves Jr., diretor do Portal GCN/Sampi, mediou o encontro. Fernando Rached Jorge, presidente da Acif, também esteve presente. Luiza Gouvêa, presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) Franca, e Denilson Carvalho, vice-presidente da entidade, ficaram responsáveis por conduzir eventuais pedidos de resposta entre os candidatos.

Nesta quarta-feira, 13, você acompanha os principais destaques do bate-papo com os pré-candidatos a deputado federal e também pode assistir à gravação completa do encontro. Confira.
'Legislar, não só mandar emendas', afirma Mariana Negri

Mariana Negri (PT) trouxe ao debate uma crítica ao que chamou de cultura da emenda — e defendeu que o papel central de um deputado federal é legislar.
"Franca tem voz, e a gente precisa ter voz para legislar também, não só para buscar emenda. Emenda tapa buraco. A gente pega uma emenda para comprar uma ambulância, para reformar uma praça, para trocar o teto que está caindo de um colégio antigo. O que precisamos são políticas públicas que atuem de fato na vida de toda a sociedade", afirmou.
Mariana defendeu mudanças na tributação de itens básicos como caminho para reduzir o custo de vida, especialmente para a classe trabalhadora. Questionada sobre a reforma tributária conduzida pelo ministro Fernando Haddad, do seu próprio partido, foi direta: "Ela é muito melhor do que o que tínhamos, mas foi negociada. Não é como a do meu sonho, mas foi a que se conseguiu”.
No tema da escala 6x1, Mariana foi categórica. Para ela, a mudança é necessária e a resistência do empresariado não é argumento novo. "Sou absolutamente a favor do fim da escala 6x1. A escala afeta todos os trabalhadores, mas sobretudo as mulheres, que têm a dupla jornada. O único dia de folga é para lavar roupa, fazer faxina, organizar as coisas dos filhos. Sequer essa mulher tem condição de conviver com esse filho", disse.
A pré-candidata rebateu o argumento de que a mudança ameaçaria a economia. "Quando a gente conquistou o direito às férias, o empresariado também disse que não ia dar certo, que a economia ia quebrar. As coisas foram evoluindo. Passar para a escala 5x2 não vai quebrar a economia. Isso é falacioso e existe em outros países."
Gilson de Souza defende 'bom senso' no Parlamento e representatividade da região em Brasília

Gilson de Souza (PSB) afirmou que muitas decisões tomadas no Congresso acabam sendo influenciadas por interesses políticos e econômicos que, segundo ele, nem sempre atendem às necessidades reais da população ou do setor produtivo. “Os projetos que poderiam melhorar a qualidade de vida acabam sendo discutidos em um jogo de interesses”, declarou.
Para o pré-candidato, a experiência adquirida ao longo da vida pública e empresarial mostra que o principal caminho é o equilíbrio nas decisões. “O que vale mesmo no Parlamento é o bom senso”, afirmou.
Gilson também destacou a falta de representatividade federal de Franca e da região como um dos principais problemas enfrentados pelos municípios. Segundo ele, prefeitos encontram dificuldades para acessar ministérios e defender demandas locais em Brasília sem o apoio de um deputado federal da região.
“Faz 20 anos que a cidade não tem um deputado federal. Os prefeitos vão para Brasília e não têm com quem falar, não têm quem acompanhe nos ministérios”, disse.
O pré-candidato afirmou ainda que sua experiência política pode contribuir para fortalecer a interlocução regional junto ao governo federal. “Se você tem experiência e conhecimento, por que não continuar prestando serviço para a cidade como sempre prestou?”, concluiu.
Cynthia Milhim defende escala 5x2 com cautela e critica aumento de encargos às empresas

Cynthia Milhim (MDB) afirmou ser favorável à adoção da escala 5x2, mas ponderou que a mudança precisa ser debatida com responsabilidade para evitar impactos financeiros ao setor produtivo, especialmente à indústria. “Eu sou a favor da escala 5 por 2, porque a maioria dos serviços e do comércio já funciona assim. Mas nós temos um problema na indústria, e precisamos entender se essa conta vai cair na mão do empresário”, declarou.
Para a pré-candidata, qualidade de vida deve ser prioridade nas relações de trabalho, mas sem ampliar a carga de encargos sobre as empresas. Segundo ela, o país vive um limite tributário que compromete a capacidade de manutenção e geração de empregos.
“O país não suporta mais encargos em cima das empresas. O Brasil não sobrevive sem empresa. O governo sabe gastar bem, mas para isso precisa de impostos, e o empresariado não consegue mais suportar essa carga”, afirmou.
Cynthia também defendeu modelos mais flexíveis de contratação e disse que seu “cenário ideal” seria uma jornada baseada em horas trabalhadas, negociadas diretamente entre empregado e empregador. “O meu sonho seria um contrato por hora. Igual ao Uber: quem quer trabalhar mais horas trabalha, quem quer trabalhar menos, negocia com o empregador”.
Durante o debate, Cynthia também afastou a possibilidade de disputar a Prefeitura de Franca e afirmou que seu objetivo é permanecer os quatro anos no cargo, caso eleita deputada federal. “Eu não vou ser prefeita, porque a lei não me permite. Meu objetivo é ficar lá quatro anos e fazer com paixão e amor”, afirmou.
Fim da escala 6x1: 'A questão não é se, é como irá funcionar', diz Guilherme Ubiali

Guilherme Ubiali (PSDB) avaliou que o fim da escala 6x1 é inevitável, mas alertou para os riscos de uma transição conduzida sem planejamento e sem contrapartidas ao setor produtivo.
"A escala 6x1 vai acabar. Não só porque é ano eleitoral, mas porque é uma evolução natural da sociedade. A discussão não é essa. A discussão é em qual velocidade isso vai ser implantado e qual é a compensação que o Estado vai dar ao empresário", afirmou.
Ubiali citou suas duas empresas para ilustrar os impactos distintos da mudança. Na corretora de seguros, a jornada 5x2 já é realidade há anos. Na farmácia, o cenário é outro. "Essa alteração vai impactar diretamente. E não tem nem mão de obra para repor, porque o Brasil hoje está muito próximo do pleno emprego."
Para o deputado, a transição precisa ser setorial e gradual, com prazo adequado para cada segmento da economia. "Caso contrário, sim, há um risco real. Se isso for feito às pressas, o risco é concreto”.
Ubiali também cobrou do governo uma contrapartida objetiva. "É muito fácil o governo mandar o empresário pagar a conta. Qual é a contribuição que o governo vai fazer? Qual é o imposto que vai baixar para compensar isso?"
Sidney Elias: 'Franca deveria voltar a ser o que foi um dia'

Sidney Elias (Novo) defendeu a reindustrialização de Franca como prioridade de mandato e centrou sua proposta na manutenção da desoneração da folha de pagamento para o setor calçadista.
"Franca deveria voltar a ser o que foi um dia. Temos que ajudar as fábricas de sapatos, uma indústria que emprega. Já temos uma população especializada", afirmou.
Segundo ele, a desoneração, prevista para encerrar em 2028, precisa ser preservada. "Vamos trabalhar para que isso seja mantido, para dar um fôlego a mais para as indústrias de sapato e outros 17 setores."
O candidato também se posicionou sobre os atos de 8 de janeiro de 2023 e defendeu a anistia aos condenados. Para Elias, o episódio não configura tentativa de golpe de Estado.
"Sou a favor da anistia, porque acho que esses condenados são perseguidos políticos. Deveriam ser condenados por arruaça e depredação do patrimônio público. Não houve tentativa de golpe de Estado, não houve um tiro, uma pessoa morta. Aquilo foi uma narrativa da esquerda", declarou.
João Rocha defende anistia do 8 de janeiro e critica atuação do STF

João Rocha (União) afirmou que a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro é necessária para “pacificar o país” e criticou decisões do STF (Supremo Tribunal Federal), especialmente as tomadas de forma individual por ministros da Corte.
Ao responder a uma fala de Guilherme Cortez sobre sequenciais derrotas em eleições, Rocha disse que os resultados não mudaram seus princípios políticos. “Perdemos eleições sim, mas não perdemos o nosso norte, não perdemos a nossa referência”, afirmou.
O pré-candidato defendeu a anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos e argumentou que o tema afeta diretamente o ambiente institucional e econômico do país. “A anistia é necessária para pacificar o país. Hoje nós não temos segurança jurídica”, declarou.
Rocha criticou decisões monocráticas do STF e afirmou que o Congresso Nacional estaria tendo sua autoridade desrespeitada. “Um único ministro, com uma canetada, resolve que o Congresso não presta mais, resolve que aquilo que o Congresso aprovou não tem validade”, disse.
Durante a fala, o pré-candidato também criticou o que chamou de permanência excessiva de autoridades em cargos públicos de alto escalão e defendeu mudanças relacionadas à chamada PEC da Bengala, que ampliou a idade de aposentadoria compulsória no serviço público. “Tem um bando de gente lá, seja no Senado, seja no Supremo Tribunal Federal, sustentado por 20, 30, 40 anos no exercício do cargo”, afirmou.
Guilherme Cortez critica anistia do 8 de janeiro e defende foco em pautas trabalhistas

Guilherme Cortez (PSOL) criticou duramente os atos de 8 de janeiro e classificou como “besteira” a discussão sobre anistia aos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília.
Cortez comparou a situação ao cenário político de Franca após as eleições municipais de 2024. “Imagina se os apoiadores dos candidatos derrotados fossem até o Paço Municipal, depredassem o prédio dizendo que a eleição foi roubada. Não é assim que a democracia funciona”, afirmou.
Cortez também afirmou que o debate sobre anistia não atende às prioridades da população brasileira. “Quero saber se a anistia vai resolver o problema de alguém que trabalha na escala 6x1. Isso não é prioridade do povo brasileiro”, declarou.
No debate trabalhista, o pré-candidato defendeu o fim da escala 6x1 e rebateu argumentos de que a mudança poderia causar prejuízos econômicos ao país. “Ou a gente acha que o fim da escala 6x1 é irrelevante, ou acha que vai destruir a economia. Outros países reduziram jornada de trabalho e não quebraram”, afirmou.
Na área da segurança pública, Cortez defendeu o combate ao crime organizado por meio do enfraquecimento financeiro das facções e criticou possíveis interferências internacionais no tema. “Não é um problema para os Estados Unidos virem se meter aqui para resolver no nosso país. Isso é uma questão de soberania”, afirmou.
Segundo ele, o enfrentamento ao crime deve ocorrer com inteligência e foco nos mecanismos econômicos das organizações criminosas. “As operações mais efetivas são as que atingem os braços financeiros do crime organizado”, concluiu.
Mobilização regional
A campanha “Franca Tem Voz” foi idealizada pela Acif em conjunto com Cocapec, Unimed, GCN e Rádio Difusora, com apoio de entidades como CDL, Ciesp, OAB, Sebrae, Uni-Facef, Franca Basquete e Magazine Luiza, entre outras.
A iniciativa busca fortalecer candidaturas com base eleitoral na cidade e na região, com o objetivo de ampliar a bancada paulista e garantir representação federal para defender interesses locais em Brasília.
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