POLÍCIA INVESTIGA

Caso BMW: influenciador preso em Franca ostentava carros e motos

Por Hevertom Talles | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução/Redes sociais
Influenciador Paulo Henrique Firmo de Souza, preso nessa terça-feira, 12, em Franca
Influenciador Paulo Henrique Firmo de Souza, preso nessa terça-feira, 12, em Franca

Grande volume de dinheiro em espécie, jet-ski, carros e motos de luxo. Esse era o padrão de vida exibido nas redes sociais pelo influenciador digital Paulo Henrique Firmo de Souza, preso nesta terça-feira, 13, em Franca, durante investigação da DIG (Delegacia de Investigações Gerais).

Paulo Henrique Firmo de Souza é apontado pela Polícia Civil como peça central de um esquema envolvendo receptação de peças automotivas de uma BMW roubada em Franca no mês passado.

Segundo as investigações, Paulo Henrique sofreu um acidente com sua própria BMW, que não possuía seguro. Após os danos significativos no veículo, ele teria encomendado peças de uma BMW roubada do mesmo modelo para reconstruir o carro.

Durante cumprimento de mandado de busca na residência do influenciador, os policiais encontraram diversas peças de BMW. Paulo alegou inicialmente que os componentes pertenciam ao próprio carro acidentado, mas os investigadores concluíram que os danos apresentados no veículo não eram compatíveis com a quantidade de peças localizadas.

Além das peças, a polícia apreendeu três motocicletas de alta cilindrada e o veículo BMW do influenciador, diante da suspeita sobre a origem dos bens e incompatibilidade com a renda declarada.

Paulo Henrique possui cerca de 270 mil seguidores nas redes sociais e atua com rifas de motos pela internet. Segundo a Polícia Civil, a prática pode configurar crime contra a economia popular e também será investigada.

Função de cada investigado no esquema

Paulo Henrique Firmo de Souza

Apontado como o líder do esquema, teria adquirido as peças do veículo roubado, coordenado o transporte, distribuição e utilização dos componentes no conserto de sua BMW. Segundo depoimentos, também teria orientado a retirada dos sinais identificadores das peças para dificultar a identificação da origem criminosa.

A Polícia Civil destacou ainda que Paulo é reincidente e possui condenação definitiva por tráfico de drogas, circunstância usada pela autoridade policial para pedir a prisão preventiva.

Wellington Whallnner de Oliveira

Dono de uma oficina no Parque Progresso, onde a BMW de Paulo estava sendo reparada.

Na oficina, os policiais encontraram diversas peças já instaladas no veículo. Wellington afirmou que foi contratado apenas para realizar a mão de obra e que as peças eram fornecidas diretamente por Paulo Henrique.

Segundo o relato, sempre que precisava de componentes, entrava em contato com Paulo, que indicava onde os materiais deveriam ser retirados.

Apesar das suspeitas, Wellington não foi preso. A Polícia Civil afirmou que ele colaborou com as investigações e que não foram encontradas peças de origem criminosa em sua posse direta. O caso dele seguirá sendo investigado.

Vitor Miguel Marques Chagas

Segundo a investigação, Vitor atuou diretamente no desmanche da BMW roubada.

Ele relatou à polícia que foi procurado por Paulo por possuir conhecimentos em mecânica. Disse ainda que ajudou a retirar peças do veículo roubado para utilização na BMW do influenciador.

De acordo com o depoimento, após ver notícias sobre o roubo de uma BMW branca na imprensa, questionou Paulo sobre a procedência do carro e teria ouvido dele a confirmação de que se tratava do mesmo veículo roubado.

Vitor também afirmou que retirou outras peças posteriormente e que recebeu orientação de Paulo para remover números identificadores dos componentes automotivos, o que teria sido feito.

Diversas peças de BMW na cor branca foram apreendidas no endereço dele.

Dani Leonardo Garcia, o 'Venezuelano'

Na casa de Dani Leonardo Garcia, conhecido como “Venezuelano”, os policiais localizaram duas lanternas de BMW.

Segundo o investigado, as peças haviam sido deixadas por Paulo Henrique no imóvel. Dani afirmou ainda que duas portas do veículo também passaram pelo local antes de serem levadas para instalação na oficina.

Prisões e crimes investigados

Após a análise dos elementos reunidos durante a operação, a Polícia Civil autuou em flagrante:

  • Paulo Henrique Firmo de Souza; 
  • Vitor Miguel Marques Chagas; e
  • Dani Leonarda Garcia.

Os três vão responder, em tese, pelos crimes de:

  • receptação dolosa;
  • associação criminosa; e
  • adulteração de sinal identificador de veículo automotor.

A Polícia Civil também representou pela prisão preventiva dos investigados, alegando risco de continuidade criminosa, possibilidade de ocultação de provas e existência de uma estrutura organizada para desmonte e reaproveitamento de peças automotivas roubadas.

Os investigadores afirmam que o grupo utilizava diferentes endereços para armazenar, desmontar, adulterar e instalar peças oriundas de veículos roubados.

Na manhã desta quarta-feira, 13, a Polícia Civil informou que a Justiça acolheu o pedido da DIG  e decretou a prisão preventiva de todos os três presos.

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