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'Crescimento depende de mentalidade', diz dono do Big Compra

Por Giovanna Attili | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Giovanna Attili/GCN
O empresário Claudinei Sousa, em entrevista ao jornalista Corrêa Neves Jr.
O empresário Claudinei Sousa, em entrevista ao jornalista Corrêa Neves Jr.

O empresário Claudinei Sousa, proprietário da rede de supermercados Big Compra, avaliou o momento atual como um momento de oportunidades para as empresas. Em entrevista ao jornalista Corrêa Neves Jr., no programa A Hora É Essa!, da Rádio Difusora, o ex-empacotador garantiu que crescimento é questão de mudança de mentalidade.

Com 10 lojas na região, sendo quatro em Franca, o Big Compra se deparou com uma nova porta aberta para vendas, o segmento farmacêutico. Sancionada em março de 2026, a nova lei permite a instalação de farmácias e drogarias dentro de supermercados, desde que fique num local separado e com a presença obrigatória de um farmacêutico. Claudinei viu a oportunidade como uma forma de favorecer o consumidor final.

“Vai ser mais um segmento podendo operar dentro de medicamentos. A concorrência é importante, porque ela gera uma agressividade de preço e favorece sempre o consumidor final. Já estamos buscando a legalização dentro da nossa empresa para implementar esse movimento”, adiantou Claudinei.

Crescimento e oportunidades

Assim como a oportunidade de implantar um novo segmento dentro dos supermercados, Claudinei destacou que diversas oportunidades surgem dentro da jornada de um empresário que, se aproveitadas da maneira correta, podem ajudar o pequeno empreendedor a ter sucesso. Porém, o mandatário do Big Compra alertou que muitos dos empresários atuais travam o crescimento de suas próprias empresas.

“Vivemos um momento em que existem muitas oportunidades. Aí, é de cada empreendedor, de cada empresário enxergar esse momento e não ficar culpando o lado de fora. O crescimento está ligado à sua mentalidade. Conheço donos de empresas hoje que estão há 30 anos e ficaram parados naquela lojinha ali e não cresceram, por mudança de mentalidade”, exemplificou. “Na maioria das vezes, o dono é quem trava a empresa: ele quer fazer o caixa, ele quer vender, ele quer comprar. Ele trava a empresa. Tem que ter essa mentalidade e abrir (delegar tarefas)”, acrescentou.

“No meu crescimento, eu olhei para dentro da minha empresa e enxerguei muitas oportunidades e busquei dentro desse crescimento várias pessoas que complementassem esse crescimento”, contou.

Tempos de crise: o incêndio em Ribeirão Preto em 2015

O empresário afirmou que todo empreendedor tende a passar por vários desafios e que, inclusive, esses eles são importantes para testar a resiliência dos donos. “Em toda jornada de um empresário, ele vai passar por vários desafios. Esses desafios são muito importantes para testar a resiliência dele. Na crise, é que nasce o dono. Dono não pode se esconder”, disse.

Em junho de 2015, a unidade do Big Compra no Parque São Sebastião, em Ribeirão Preto, foi tomada por um incêndio que, segundo Claudinei, durou por cerca de 24 horas. Nesta época, o Big Compra já contava com sete unidades e essa em específico era o centro de distribuição de toda a rede.

Claudinei contou que uma de suas máquinas teve um curto-circuito e o fogo se alastrou, tomando conta do ambiente que contava com todo o seu estoque de produtos. O medo tomou conta do proprietário, que temeu não conseguir pagar seus funcionários após o desastre que acontecia diante de seus olhos.

“Pegou fogo em tudo. Era um momento que eu não estava totalmente organizado. Foi o maior incêndio de Ribeirão Preto, durou 24 horas, foi de um sábado para um domingo. Ali eu fiquei com medo de não poder pagar meus funcionários, não tinha seguro adequado”, contou.

Apesar do momento ruim, Claudinei compartilhou um momento que marcou sua memória e lhe deu esperança em meio ao caos que o rodeava. “Eu estava sentado, estava o incêndio ainda, na manhã de domingo, nós não podíamos acessar, e eu lembro que parou um carro na porta com uma senhora, uma criancinha, e a criancinha entregou um bilhete assim: ‘Deus vai te dar tudo de volta’. Foi muita resiliência, foi muita força. Meu maior pilar foi estar com pessoas do meu lado que realmente queriam fazer eu reerguer”, contou.

Pós-incêndio: o momento de se organizar 

Uma regra seguida e adotada por Claudinei foi de que o crescimento é bom, mas precisa ser controlado, administrado e, além de tudo, organizado. Segundo ele, somente crescer em disparada pode fazer um empreendedor “bater a cabeça”. Entretanto, o processo de crescer, parar e se organizar, de acordo com Claudinei, é o passo a passo para as coisas andarem.

“Eu tinha sete lojas, mas estava no processo de expansão. Eu estava crescendo. Todo o pequeno empresário, no primeiro momento, não tem que olhar para organização, ele tem que crescer. Primeiro você cresce, para e organiza. Depois você cresce de novo, para e organiza. Se você pegar uma linha e crescer direto, você vai ‘bater a cabeça’”, relatou.

“O que me levou ao crescimento foi onde eu parei e entendi que eu precisava organizar. Eu cresci. Eu tinha que parar a empresa e organizar todos os departamentos. Trazer pessoas que complementassem as áreas onde eu precisava”, completou.

Após o desastre, o aprendizado ficou para Claudinei, que citou que com as quedas, ele se tornou quem é hoje, um empresário com 1.300 funcionários e dono de uma rede com 10 unidades.

“Tudo que eu me tornei, quem eu me tornei, quem eu sou, foi pelos desafios que passei”, explicou. “Não é um mérito meu estar aqui hoje, poder empregar 1.300 funcionários. É uma jornada, e eu fui construindo. Dono que não evolui, dono que não desenvolve, trava a empresa, trava pessoas”, concluiu.

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