DIA DAS MÃES

'Mãe nunca deixa de ser mãe', diz Ariane após um ano sem Rebecca

Por Giovanna Attili | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Sampi/Franca
Reprodução
Ariane Otoni, cabeleireira e mãe da falecida Rebecca Otoni, vítima de leucemia
Ariane Otoni, cabeleireira e mãe da falecida Rebecca Otoni, vítima de leucemia

A cabeleireira Ariane Otoni, de Franca, vive neste domingo, 10, o segundo Dia das Mães sem a filha Rebecca Cristina Otoni, que morreu aos 13 anos, em abril de 2025, vítima de leucemia. Mais de um ano após a perda, ela segue convivendo diariamente com a saudade da adolescente enquanto cuida dos filhos Lucas e Gabriel.

A luta de Rebecca contra a doença mobilizou moradores de Franca durante o tratamento da adolescente. Ao longo do período em que esteve internada, Ariane compartilhou parte da rotina da família nas redes sociais e recebeu mensagens de apoio de pessoas que acompanhavam o caso.

Desde a morte da filha, em 12 de abril do ano passado, a mãe tenta lidar com o luto enquanto continua exercendo a maternidade dentro de casa.

'O luto muda tudo'

Durante a entrevista, Ariane afirmou que a perda da filha transformou completamente a rotina da família.

“O luto muda tudo. A gente precisa lutar todos os dias para continuar firme, lutar para acordar, para respirar, para encontrar forças onde às vezes parece que não existe mais nenhuma. Tem dias mais difíceis que outros, e viver depois da perda de um filho é aprender a sobreviver à saudade todos os dias”, desabafou.

Mesmo enfrentando a dor, ela contou que encontrou forças para continuar sendo mãe dos outros dois filhos.

“Também precisei lutar para continuar sendo mãe dos meus outros filhos, porque eles ainda precisam de mim aqui. Então sigo um dia de cada vez, carregando a dor, a saudade e, ao mesmo tempo, tentando encontrar forças no amor que tenho pela minha família”, relatou.

'Mesmo destruída por dentro'

Ariane também falou sobre o sofrimento vivido pelos filhos após a morte da irmã, especialmente Lucas, que era muito próximo de Rebecca.

“O Lucas, que era muito apegado à Rebecca, e o Gabriel ainda precisam de mim. Então, mesmo destruída por dentro muitas vezes, eu preciso acordar, seguir e continuar sendo mãe. Preciso estar bem por eles, dar amor, carinho, presença e força, porque eles também sofreram essa perda junto comigo”, afirmou.

Segundo ela, a maternidade ganhou um significado ainda mais profundo depois da experiência vivida ao lado da filha.

“A Rebecca me ensinou muito sobre amor, coragem e sobre aproveitar os momentos ao lado de quem a gente ama. E os meus filhos me ensinam todos os dias que, quando a gente tem por quem lutar, a gente arranca forças de onde nem imaginava que existia”, disse.

'Ela foi a realização do meu sonho'

Ao relembrar a relação com Rebecca, Ariane contou que sempre desejou ter uma filha mulher.

“Meu sonho sempre foi ter uma filha mulher, e a Rebecca foi a realização desse sonho. Ela era minha princesa, meu sonho de consumo. Tudo o que ela sonhava e tudo o que eu sonhava para ela, eu tentava realizar com muito amor. Vivi a maternidade dela de forma intensa, aproveitando cada momento, cada fase e cada detalhe”, lembrou.

Ela também afirmou que a filha deixou ensinamentos que permanecem presentes na vida da família.

“Quando a Rebecca ficou doente, ela me ensinou sobre força, resiliência, persistência e fé. Me ensinou a não desistir, mesmo nas circunstâncias mais difíceis. Durante toda a luta dela, eu sempre dizia que enquanto há vida, há esperança, e a Rebecca foi a minha maior esperança”, afirmou.

'Aceitar não é se conformar'

Neste segundo Dia das Mães sem a filha, Ariane contou que ainda não encontrou conforto para lidar com a ausência.

“Sendo muito sincera, eu ainda não encontrei conforto. Eu ainda não consigo ser uma pessoa conformada com a partida dela. Acho que uma mãe nunca se conforma em perder um filho. O que eu aprendi foi a aceitar, porque eu entendi que existem coisas que fogem do nosso controle e que eu não tinha mais o que fazer”, relatou.

Apesar disso, ela afirma que a presença da filha segue viva nas lembranças da família.

“Mas aceitar não significa deixar de amar, deixar de sentir ou deixar de sofrer. A ausência dela continua presente em mim todos os dias. E eu não sei se um dia vou me conformar com isso, mas sigo tentando viver da melhor forma possível, carregando o amor que tenho pela Rebecca”, completou.

Ao final do depoimento, Ariane deixou uma mensagem sobre maternidade e saudade.

“Mãe nunca deixa de ser mãe. Nem quando o filho cresce, nem quando o filho casa, nem quando o filho muda, nem quando o filho vira saudade”, finalizou.

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