O mercado de trabalho em Franca está mudando — e as transformações vão muito além das estatísticas de emprego.
O trabalhador francano de 2026 é mais jovem, mais qualificado e com maior presença feminina. A cidade também vê o home office se consolidar como realidade permanente, enquanto os hábitos de deslocamento ganham novos contornos.
São sinais de um mercado em movimento, que reflete tendências nacionais e aponta para o futuro do trabalho na região.
Levantamento do IE-Acif (Instituto de Economia da Associação do Comércio e Indústria de Franca), com base em dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), aponta que 79,8% das vagas formais preenchidas neste início de ano foram ocupadas por pessoas com ensino médio ou superior completo. Ao todo, foram 2.142 admissões de profissionais com ensino médio (52,1%) e 1.137 com nível superior (27,7%), indicando a valorização da qualificação no mercado local.
A distribuição por faixa etária também reforça esse novo retrato. Trabalhadores de até 39 anos concentram 64,7% das contratações, com destaque para os jovens de até 24 anos, que representam 33,1% das vagas. Na sequência aparecem pessoas entre 25 e 39 anos (31,6%). Já as faixas de 40 a 49 anos (21,3%) e acima de 50 anos (14%) têm participação menor nas admissões.
Das 4.109 vagas com carteira assinada criadas nos dois primeiros meses de 2026, 2.902 foram ocupadas por mulheres, frente a 1.207 por homens, evidenciando o avanço da participação feminina no mercado formal.
No recorte geral, Franca registrou 13.629 contratações e 9.520 desligamentos no período, resultando em saldo positivo de empregos. O estoque total de trabalhadores formais chegou a 102.991, crescimento de 4,15% em relação a dezembro de 2025.
Os setores de serviços e indústria seguem como motores da geração de vagas. O segmento de serviços lidera, com saldo de 2.500 postos, o equivalente a 60,8% do total, e reúne 43.338 trabalhadores. Já a indústria criou 1.629 vagas, representando 36,6% do saldo, e mantém 26.789 empregados.
Trabalho remoto e novos hábitos
As mudanças no perfil do trabalhador também aparecem na forma de trabalhar. Dados do Censo 2022 do IBGE, divulgados em 2025, mostram que 18% dos francanos exercem suas atividades em casa ou na própria propriedade.
A maior parte da população ocupada (79%) trabalha em Franca, enquanto 2,49% se deslocam para outras cidades e 0,38% atuam em mais de um município.
O modo de se deslocar também revela tendências. O carro é o principal meio de transporte, utilizado por 52,01% dos trabalhadores. A motocicleta aparece em segundo lugar, com 18,05%, seguida por deslocamentos a pé (12,88%), ônibus (9,09%) e bicicleta (5,56%).
Para o economista do IE-ACIF, Rodrigo Souza, os dados mostram um mercado em transformação. Já o presidente da ACIF, Fernando Rached Jorge, avalia que o cenário combina crescimento e adaptação. Segundo ele, o avanço do emprego formal vem acompanhado de novas exigências, como maior qualificação e adaptação às mudanças tecnológicas, o que impõe desafios tanto para trabalhadores quanto para empresas.
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