A CIDADE DOS RAIOS

Franca revela talentos e trio assina com gigantes do futebol

Por Giovanna Attili | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Sampi/Franca
Divulgação/WhatsApp/GCN
Da esquerda para a direita: Davi Zandonaide, de 10 anos; Gabriel Paiva, de 12 anos; e Felipe Ferreira, de 14 anos
Da esquerda para a direita: Davi Zandonaide, de 10 anos; Gabriel Paiva, de 12 anos; e Felipe Ferreira, de 14 anos

Franca segue revelando talentos e colocando novos nomes no radar do futebol paulista. Três jovens jogadores da região já têm futuro encaminhado em grandes clubes da capital, reforçando o potencial formador do município e arredores.

Com apenas 10, 12 e 14 anos, os três atletas já deram um passo raro na base do futebol ao assinarem vínculos com Corinthians e Red Bull Bragantino, após trajetórias marcadas por treinos intensos, participação em competições regionais e observação direta de olheiros.

'Filho de peixe, peixinho é'

Nascido em Franca, Davi Zandonaide, de 10 anos, começou a dar os primeiros toques na bola ainda dentro de casa, em Rifaina, onde mora. Sem espaço, improvisava brincadeiras com o irmão mais velho, até iniciar na escolinha de futsal da Prefeitura aos 4 anos.

“Ele já brincava de bola dentro de casa com o irmão e a gente via que ele tinha algo diferente, conseguia driblar, roubava a bola. Com 4 anos já estava na escolinha de futsal da Prefeitura de Rifaina”, relatou a mãe, Marina Zandonaide.

A evolução levou o jovem a treinar também em Franca e disputar competições em cidades da região, como Ribeirão Preto, e Cristais Paulista. Nesse período, passou por equipes como Boca Juniors Futsal e KS, ampliando a visibilidade. Davi já havia sido aprovado em avaliações de outros clubes, incluindo o Red Bull Bragantino.

A oportunidade na capital surgiu após ser observado em campeonato disputado por um projeto em Batatais, quando o Corinthians procurou o garoto.

Durante o processo seletivo, a família participou de uma reunião inicial em que os responsáveis foram informados sobre o nível de exigência. Como referência, o clube apresentou dados do ano anterior, quando mais de 35 mil atletas participaram das avaliações e cerca de 120 foram aprovados, para dimensionar a dificuldade.

“No terceiro dia ele já foi chamado para treinar com a base. No dia do resultado foi muito emocionante. E o mais impressionante é que ele foi o único aprovado do sub-10 naquela semana de testes, do Brasil todo”, afirmou Marina.

A aprovação teve um diferencial: Davi não passou por etapas intermediárias e foi integrado diretamente à base. O primeiro vínculo federativo da carreira já foi com o Corinthians.

Ambidestro, atuando como meio-campista e lateral pelos dois lados, o jogador mantém uma rotina intensa de treinos durante a semana, conciliando atividades em Rifaina, Franca e cidades vizinhas, além de competições aos fins de semana. Mesmo morando fora da capital, viaja mensalmente para integrar os trabalhos do clube.

“O que mais marcou foi quando eu tentei segurar a expectativa dele e disse que era quase impossível passar. E ele respondeu: ‘mãe, se eu não acreditar em mim, quem vai acreditar?’. Ele se entregou todos os dias, saía com o rosto vermelho de tanto correr”, disse.

Fora de campo, divide o tempo com atividades simples, como andar de bicicleta nas praças da cidade. Dentro das quatro linhas, tem como referências Cristiano Ronaldo e o craque francano Estêvão.

A relação com o futebol também vem da família. Davi é sobrinho-neto de Pedro Zandonaide Filho, ex-jogador do Vasco da Gama e da seleção brasileira olímpica, que ficou marcado por converter uma das cobranças de pênalti na final do Campeonato Carioca de 1977, contra o Flamengo.

O 'Passarin' ganhou asas

Gabriel Paiva, francano de 12 anos, iniciou no futebol ainda criança, em uma escolinha de Franca. O começo coincidiu com a pandemia, período em que manteve os treinos em casa com orientação do ex-atleta Lucas Vieira.

Com a retomada das atividades, passou a ganhar espaço em competições. Em 2023, disputou o Campeonato Paulista pelas categorias de base da Francana. No ano seguinte, atuou por equipes da região de Ribeirão Preto, o que ampliou a visibilidade e abriu caminho para novos convites.

“O Gabriel sempre quis jogar bola. Mesmo na pandemia, continuou treinando em casa e se dedicando. Foi um período importante para o desenvolvimento dele”, relatou o pai, André Vaccari Ferreira.

A sequência incluiu passagem pelo Comercial de Ribeirão Preto em 2024 e pelo Botafogo de Ribeirão Preto em 2025, quando integrou campanha que levou a equipe a ficar entre as oito melhores do estado.

O desempenho vinha sendo acompanhado pelo Red Bull Bragantino, que já havia convidado o atleta para períodos de treinamento em 2025. Em 2026, o clube formalizou o interesse e acertou o contrato federativo.

“É um reconhecimento de todo o processo. Mostra que ele chegou em um nível em que um clube acredita nele. Agora é continuar trabalhando”, afirmou André.

Logo após a assinatura, Gabriel foi convocado para disputar a Liga de Desenvolvimento, competição organizada pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol), em Balneário Camboriú (SC).

Um dos pontos que mais chama atenção na trajetória do jogador é o apelido “Passarin”, surgido ainda nos primeiros anos. O nome foi dado por um treinador ao observar o cabelo cacheado e descolorido do atleta, em uma comparação bem-humorada que acabou se tornando marca registrada dentro do futebol.

Inspirado em Neymar, Gabriel segue em evolução dentro da estrutura do novo clube.

Seguindo os passos do irmão

Felipe Ferreira, de 14 anos, é o mais velho entre os três talentos francanos e já acumula experiência relevante na base do futebol paulista. Atacante, assinou contrato de formação de três anos com o Corinthians.

O jogador se mudou para São Paulo aos 10 anos, acompanhando o irmão, que já integrava a base do São Paulo. Antes disso, iniciou no futebol em Franca, nas escolinhas Dente de Leite e Rosen Boys.

Na capital, teve passagem pelo Audax, onde foi vice-artilheiro do Campeonato Paulista sub-11. O desempenho abriu portas no São Paulo, clube pelo qual atuou por duas temporadas e conquistou dois vice-campeonatos paulistas, nas categorias sub-12 e sub-13.

Ao fim da última temporada, foi liberado pelo clube e passou a ser monitorado pelo Corinthians, que já acompanhava seu desempenho. O interesse evoluiu para a assinatura do contrato de formação, consolidando mais um passo na trajetória do jovem atacante.

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