HOMENAGEM

Um ano após morte de Tatiane, família pede justiça

Por Laís Bachur | de Franca
| Tempo de leitura: 3 min
Laís Bachur/GCN
Familiares foram até o túmulo de Tatiane fazer homenagem, depois de 1 ano de sua morte
Familiares foram até o túmulo de Tatiane fazer homenagem, depois de 1 ano de sua morte

Completa-se nesta segunda-feira, dia 20, um ano da morte da orientadora Tatiane Cintra Santos Cardozo, de 42 anos, encontrada sem vida em sua residência em Franca. No domingo, 19, familiares se reuniram no Cemitério Jardim das Oliveiras para uma homenagem marcada por emoção, saudade e pedidos por justiça.

Com balões e camisetas estampadas com a foto de Tatiane, parentes e amigos realizaram uma oração no local onde o corpo está sepultado. Ainda abalados, eles afirmaram que seguem ansiosos pela conclusão do laudo da exumação, que até o momento não teve o resultado.

A mãe da vítima, Ana Maria Cintra dos Santos, bastante emocionada, desabafou sobre a dor da espera. “Estou sentindo muito ruim, muita saudade. Eu quero que isso termine logo, essa investigação, porque eu não aguento mais sofrer, passar as noites sem dormir. Eu preciso de justiça”, disse.

Em meio às lágrimas, ela também revelou que a família desconhecia situações vividas pela filha. “A gente não sabia de nada que estava acontecendo na casa dela, precisamos saber o porquê que ela morreu", disse a mãe

"Ai, meu Deus, eu preciso de justiça. Ela era muito saudável, muito feliz, não tinha problema nenhum."

"Depois que ela morreu que ficamos sabendo que ela era maltratada, ele enforcou ela. Quando ela viajava, não podia colocar um biquíni, tinha que usar a roupa que ele deixava. Eu quero justiça, eu preciso que saia rápido”, completou, aos prantos.

A irmã de Tatiane, Fabiana Cintra, também falou sobre o sofrimento enfrentado pela família ao longo desse um ano. “Nós esperamos a resposta para poder descansar e dar descanso para a minha irmã também, porque está um sofrimento muito grande. Nós precisamos saber... Não sabemos o que vai vir, mas Deus já sabe”, afirmou.

Ela ainda relatou que, com o passar do tempo, novas informações têm surgido. “É muita coisa que nós não sabíamos, o sofrimento da minha irmã, tudo que ela passou, que ela escondia de nós. Nós estamos sabendo agora, está sendo revelado aos poucos.”

Segundo ela, o resultado da exumação é fundamental para trazer respostas. “Esse exame, esse resultado que nós estamos esperando é só para compreender. Nós merecemos saber que a justiça existe, que nós merecemos isso. A família está sofrendo, estamos em luto há um ano, e é um luto que a gente não conseguiu viver como deveria.”

A irmã também fez acusações e questionamentos sobre o comportamento do companheiro da vítima. “Teve pesquisa no celular dele de morte. Pra que uma pessoa vai pesquisar isso? Ele perseguia a minha irmã. Então, por que casou novamente com ela? Por que não largou da amante?"

Fabiana acrescenta que depois da morte da irmã, o rapaz está a outra mulher. "Quem está vivendo na casa da minha irmã com a amante? Que homem é esse? A gente quer justiça. A família está sofrendo”, declarou.

O delegado que acompanha o caso, Davi Abmael Davi, afirmou que segue monitorando as investigações e também aguarda o resultado do exame, considerado essencial para o andamento do inquérito.

O caso

Tatiane atuava em escolas da região do Jardim Vera Cruz e foi encontrada morta em casa no dia 20 de abril de 2025, poucas horas após um encontro familiar.

Segundo relatos, ela mantinha um relacionamento conturbado com o marido, marcado por separações e reconciliações. Durante uma gestação, anos antes, teria descoberto uma traição envolvendo uma pessoa próxima. Apesar disso, o casal retomou o relacionamento em 2024 e oficializou novamente a união meses depois.

No dia da morte, familiares participaram de um churrasco na casa de Tatiane. Após o encontro, ela foi para o quarto acompanhada do marido e, horas depois, foi encontrada sem vida.

Diante das circunstâncias, o corpo foi exumado no dia 11 de fevereiro deste ano, no Cemitério Jardim das Oliveiras, como parte das investigações que buscam esclarecer a causa da morte.

O procedimento contou com autorização judicial e mobilizou equipes da Polícia Civil, peritos, profissionais do IML (Instituto Médico Legal) e médicos, além da presença de familiares. A área foi isolada durante os trabalhos, e amostras biológicas foram coletadas e encaminhadas para análise em laboratório em São Paulo.

Até o momento, o resultado da exumação não foi divulgado. A família segue aguardando respostas e reforça o pedido por justiça.

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