A Justiça absolveu todos os acusados investigados em Franca no caso que envolvia denúncias de abuso sexual contra crianças, suspeitas de zoofilia, participação em uma suposta rede criminosa e até relação com o caso do menino Wesley Pires Alves Filho, desaparecido desde o fim de agosto de 2020.
A decisão foi tomada nessa quarta-feira, 8, após o juiz concluir que não há provas suficientes para condenação. Após o resultado, o principal acusado afirmou: “Eu sou inocente, sempre fui. Eu falei, estavam dando corda para doido”.
As denúncias vieram à tona em abril de 2024, quando a mãe de duas crianças - um menino então com 9 anos e uma menina com 10 - procurou a polícia denunciando que os filhos teriam sido vítimas de abusos cometidos pelo próprio pai, um garçom hoje com 40 anos. As acusações deram início a uma investigação conduzida pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Franca.
Na época, a delegada responsável pelo caso afirmou, durante coletiva de imprensa, que havia indícios graves de estupro de vulnerável, além de suspeitas de envolvimento do homem em crimes como pornografia infantil e até zoofilia. Também foi levantada a possibilidade da existência de uma suposta quadrilha que atuaria na produção e compartilhamento de material ilegal.
Denúncia de suposto envolvimento com o caso Wesley
Em meio às acusações, a mãe das crianças afirmou também que o ex-companheiro teria envolvimento no desaparecimento do menino Wesley, caso que causou grande repercussão na cidade.
No dia 2 de julho de 2024, a Polícia Civil chegou a realizar novas buscas pelo menino, após a mulher relatar às autoridades que havia ouvido do filho que o pai teria abusado e matado a criança.
Segundo ela, o menino de 9 anos contou que, em 28 de agosto de 2020, o pai teria chegado em casa com Wesley desacordado e, em seguida, cometido o abuso. Ainda de acordo com o relato, a criança teria acordado durante a ação e, por isso, teria sido morta por estrangulamento.
A mulher afirmou ainda que o corpo teria sido colocado em um saco e levado para uma área de mata, no Jardim Aeroporto. Após cerca de duas horas de buscas, nenhum vestígio foi encontrado, e as informações não foram comprovadas.
Até hoje, não há notíciais sobre o paradeiro de Wesley.
Justiça aponta contradições e mudanças de versões
Durante a investigação, diversas pessoas foram ouvidas e crianças passaram por escuta especializada. Equipamentos, como celulares e computadores, foram apreendidos para perícia. O acusado sempre negou as denúncias e disse confiar que a verdade seria esclarecida.
Com o avanço do processo, o caso chegou à Justiça, onde provas e depoimentos foram analisados. Segundo a sentença, embora exista a possibilidade de que uma das crianças tenha sofrido algum tipo de abuso, não foi possível comprovar que os acusados sejam os responsáveis pelos crimes.
O juiz destacou que os depoimentos apresentaram contradições importantes, além de mudanças nas versões ao longo do tempo. Em alguns momentos, os relatos não coincidiram entre si, o que gerou dúvidas sobre a veracidade das acusações.
Outro ponto considerado foi o fato de que, em situações anteriores, os próprios menores admitiram ter inventado histórias graves envolvendo o pai, o que comprometeu a credibilidade dos relatos apresentados no processo.
A decisão também levou em conta o comportamento das crianças, que, segundo consta nos autos, mantinham relação próxima com o pai e chegaram a demonstrar desejo de conviver com ele.
Diante das inconsistências, da ausência de provas concretas e das dúvidas levantadas ao longo do processo, o magistrado concluiu que não há elementos suficientes para condenação. Por isso, determinou a absolvição de todos os acusados.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.