ARTIGO

O PT acabou com a esperança no Brasil

Por Álvaro de Carvalho |
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Álvaro de Carvalho é advogado e consultor.
Álvaro de Carvalho é advogado e consultor.

Leia este texto sem paixão partidária e com um mínimo de honestidade intelectual. Os dados estão aí. O problema do PT não é apenas ter governado mal. É ter governado mal depois de prometer superioridade moral. Desde 2003, com o intervalo de Temer e Bolsonaro, o partido ocupou o Planalto por 14 anos seguidos e, com a volta de Lula em 2023, chegou em 2026 ao 17º ano de poder federal. É tempo demais para ainda posar de vítima, terceirizar culpa e governar como se estivesse fazendo assembleia sindical contra inimigos imaginários.

O rastro histórico é indecente. O mensalão produziu 25 condenações na Ação Penal 470. Depois veio o petrolão. E, mais tarde, as condenações de Lula na Lava Jato foram anuladas por questão de competência da 13ª Vara Federal de Curitiba, não por um atestado de inocência moral expedido pela História. O fato político permanece: o ciclo petista ficou ligado aos maiores escândalos de corrupção da Nova República.

Enquanto isso, a vida real foi sendo esmagada. No primeiro quadrimestre de 2025, 973.330 empresas fecharam as portas. No segundo, mais 942.049. Foram 1.915.379 baixas em apenas oito meses. Quase dois milhões de projetos interrompidos, empregos ameaçados, famílias vendo um CNPJ virar lápide. Sim, houve abertura de empresas no período. Mas isso não apaga o dado mais brutal: o empreendedor brasileiro continua tentando sobreviver num ambiente sufocado por custo, insegurança e crédito caro.

Do lado das famílias, o retrato é ainda mais humilhante. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor mostrou recorde histórico de endividamento em fevereiro de 2026, com projeção de 80,4% das famílias endividadas até junho. Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, 38,9% tinham contas em atraso e 18,6% declaravam não ter condições de pagar. Isso não é prosperidade. Isso é desespero parcelado. É pobreza com maquininha de cartão. É miséria maquiada de consumo.

Os números do IBGE também ajudam a desmontar a propaganda. Em 2025, o consumo das famílias desacelerou fortemente em relação a 2024. E o varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, fechou dezembro em queda de 1,2% na margem, com média móvel de apenas 0,1%. O brasileiro não está comprando mais porque está vivendo melhor. Está comprando menos, escolhendo o que deixar para depois e tentando atravessar o mês sem afundar de vez.

As comparações históricas são cruéis para o lulismo. O Brasil de FHC, com todos os seus defeitos, ajudou a consolidar a estabilização depois de uma inflação em 12 meses que bateu 4.922% em junho de 1994. O Plano Real quebrou a espinha da hiperinflação. Já em julho de 2022, no fim do governo Bolsonaro, o IPCA registrou -0,68%, a menor variação mensal da série histórica iniciada em 1980. Isso não canoniza adversários. Mas enterra a mentira central do PT: a de que só ele sabe cuidar do povo.

O método petista continua velho, mofado e destrutivo. É o “nós contra eles”, o pobre contra a classe média, o trabalhador contra o empresário, a militância contra qualquer um que ouse desobedecer ao script. Só que o mundo mudou. O Brasil que precisa crescer hoje depende de produtividade, inovação, segurança jurídica, liberdade econômica e confiança. O PT, porém, continua governando como um sindicato ressentido com a chave do cofre na mão. E toda vez que a realidade o desmente, entrega a mesma mercadoria estragada: divisão, rancor e culto ao líder.

A esperança no Brasil não morreu por falta de promessa. Morreu por excesso de mentira. Morreu quando a política deixou de servir ao país e passou a servir à máquina, ao partido e ao mito. O PT não apenas envelheceu. Apodreceu. E, no processo, tentou arrastar a alma econômica e moral do Brasil junto.

Álvaro de Carvalho é advogado e consultor.

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