A gestação rara de trigêmeos vivida pela faxineira Tatiane Cristina dos Santos Costa, de 39 anos, moradora de Franca, ganhou novos e delicados desdobramentos nas últimas semanas. Após descobrir que esperava três bebês de forma natural, mesmo já sendo mãe de quatro filhos, ela passou a enfrentar uma complicação grave que colocou a gravidez em risco e exigiu intervenção urgente.
O problema foi identificado no dia 4 de março, durante uma consulta de rotina com médico de alto risco em Franca. Ao avaliar os batimentos cardíacos, o especialista percebeu uma alteração preocupante.
“Ele viu que só um dos bebês tinha a bexiga visível. Dos outros dois, não aparecia. Aí já achou estranho e me encaminhou com urgência pra Ribeirão (Preto)”, contou Tatiane.
Ela foi encaminhada ao Hospital das Clínicas, onde exames confirmaram um quadro conhecido como síndrome de transfusão feto-fetal, quando há um desequilíbrio na circulação sanguínea entre os bebês. No caso dela, dois estavam transferindo líquido para o terceiro, que acabou sobrecarregado.
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Procedimentos e decisão difícil
Diante da gravidade, os médicos avaliaram duas possibilidades: drenagem do excesso de líquido ou uma cirurgia a laser, considerada mais arriscada.
Inicialmente, a equipe optou pela drenagem. No dia 5 de março, Tatiane passou pelo procedimento e teve cerca de 3,6 litros de líquido retirados. Apesar de uma melhora momentânea, o quadro voltou a se agravar dias depois.
Sem alternativa, os médicos decidiram realizar a cirurgia a laser, um procedimento delicado, ainda mais raro em casos como o dela. “Ele falou que era muito arriscado, que nunca tinha sido feito em trigêmeos com uma placenta só. Mas não tinha outra opção”, relatou.
A cirurgia durou cerca de quatro horas. Durante o procedimento, foram cauterizados vasos sanguíneos responsáveis pelo desequilíbrio e novamente houve retirada de líquido.
Perda de um dos bebês
Apesar dos esforços, um dos trigêmeos não resistiu. “No final da cirurgia o coraçãozinho dele já estava mais fraco. No outro dia, no ultrassom, foi confirmado que ele não aguentou”, disse Tatiane.
O bebê permanece no útero, como é comum nesses casos, enquanto a gestação dos outros dois continua sendo acompanhada com rigor. Após a cirurgia, Tatiane ainda enfrentou contrações intensas e risco de parto prematuro, controlados com medicação.
Cada semana é uma vitória
Agora, com cerca de 28 semanas de gestação, Tatiane segue em acompanhamento semanal em Ribeirão Preto. O foco dos médicos é monitorar o fluxo sanguíneo e o desenvolvimento dos dois bebês.
“Agora é um dia após o outro. Cada semana é uma vitória. A gente nunca sabe quando eles podem nascer”, afirmou. O risco ainda é considerado alto, principalmente pela presença do feto em óbito no útero, o que pode gerar infecções ou outras complicações.
A expectativa da equipe médica é conseguir avançar ao máximo a gestação, inicialmente até 30 semanas.
Nova realidade e dificuldades
Com a evolução do quadro, Tatiane precisou parar de trabalhar. Hoje, apenas o marido mantém a renda da casa, o que agravou a situação financeira da família. “A gente já não tinha muita condição, e agora ficou mais apertado. Eu tive que parar de trabalhar”, contou.
Ela chegou a planejar um chá de bebê, mas não conseguiu realizar. Apesar de já ter recebido doações de roupas e alguns itens maiores, ainda faltam produtos básicos de higiene, como fraldas e lenços umedecidos.
Para tentar suprir essa necessidade, a família decidiu organizar uma rifa solidária que pode ser acessada através deste link. A rifa premiará o vencedor com um Pix de R$ 500.
Relembre o caso
A história de Tatiane começou com um susto no fim de 2025, quando descobriu uma gravidez inesperada. Dias depois, veio a notícia ainda mais surpreendente: eram trigêmeos naturais, uma condição rara - ainda mais em uma gestação com uma única placenta. “Foi um choque muito grande. Eu nunca imaginei que isso poderia acontecer comigo”, relembrou na ocasião.
Agora, a história ganha novos capítulos, marcados por luta, perdas e esperança. Enquanto enfrenta uma das fases mais difíceis da gestação, Tatiane segue firme, acompanhando de perto cada avanço dos dois bebês. “É confiar em Deus e seguir. Um dia de cada vez”, finaliza.
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