O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) atualizou nesta segunda-feira, 6, o Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como “Lista Suja”. Entre os novos registros, há empregadores da região de Franca, somando mais de 160 trabalhadores resgatados em diferentes ocorrências.
A inclusão ocorre após a conclusão de processos administrativos, garantindo direito de defesa. Uma vez na lista, o empregador passa a enfrentar restrições, como dificuldade de acesso a crédito em bancos públicos e privados, além de sofrer impactos reputacionais.
Na nova atualização, diversos empregadores da região de Franca e cidades próximas aparecem no cadastro, com casos registrados principalmente no setor agrícola e de serviços.
Empresas e empregadores da região incluídos
Entre os nomes que constam na lista está a empresa Bruval Transportes e Serviços Agrícolas Ltda, com dois registros distintos. Um deles refere-se à Fazenda Mandu, localizada no km 147 da Rodovia Fábio Talarico, em Guaíra, onde foram identificados 14 trabalhadores em condições irregulares. O outro registro aponta um estabelecimento na cidade de Guará, com seis trabalhadores envolvidos. Ambos os casos tiveram inclusão no cadastro em 6 de outubro de 2025.
Também aparece na lista o empregador Divino Igarapava Transportes e Comércio de Autopeças Ltda, com ocorrência registrada na cidade de Igarapava, envolvendo um trabalhador. A inclusão também ocorreu em 6 de outubro de 2025.
Outro caso é o de Felício Veronez Neto e outro, com registro na zona rural de Patrocínio Paulista. Ao todo, 17 trabalhadores foram encontrados em situação análoga à escravidão. A inclusão no cadastro ocorreu em 9 de abril de 2025.
O maior número de trabalhadores resgatados na região está ligado ao empregador Luiz Carlos Bergamasco, em propriedade localizada na Fazenda São Jorge, em Jeriquara. Segundo o levantamento, 121 pessoas foram identificadas nessa condição. A inclusão no cadastro é a mais recente entre os casos listados, datada de 6 de abril de 2026.
Por fim, a empresa WL Indústria Comércio Serviços de Máquinas e Equipamentos também aparece no cadastro, com estabelecimento em Igarapava, onde cinco trabalhadores foram encontrados em situação irregular. A inclusão ocorreu em 6 de outubro de 2025.
O que caracteriza trabalho análogo à escravidão
De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, o trabalho análogo ao escravo não se resume apenas à privação de liberdade. A legislação brasileira considera como irregular situações como:
- jornadas exaustivas
- condições degradantes de trabalho
- servidão por dívida
- restrição de locomoção
As operações de fiscalização são realizadas por auditores fiscais do trabalho, muitas vezes com apoio do Ministério Público do Trabalho e forças policiais.
Transparência e combate
Criada como mecanismo de combate a esse tipo de crime, a “Lista Suja” é atualizada periodicamente e serve de base para políticas públicas e também para decisões de empresas e instituições financeiras, que utilizam o cadastro como critério socioambiental.
A região de Franca, com forte presença do agronegócio, historicamente aparece em operações de fiscalização, o que mantém o tema em evidência entre autoridades e entidades de defesa dos direitos trabalhistas.
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