POLÍTICA

Tarcísio defende fim da reeleição: 'talvez esteja fazendo mal'

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/Governo de SP
Pré-candidato a um novo mandato, governador defende debate sobre fim da reeleição, projeta redução de pedágios e cumpre agenda com R$ 1,4 bilhão em investimentos na região de Campinas.
Pré-candidato a um novo mandato, governador defende debate sobre fim da reeleição, projeta redução de pedágios e cumpre agenda com R$ 1,4 bilhão em investimentos na região de Campinas.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), trouxe para o centro do debate político um tema sensível do sistema eleitoral brasileiro ao defender, em entrevista à Rádio Jovem Pan News Campinas, nesta quarta-feira (7), o fim da reeleição para cargos do Executivo — mesmo sendo candidato à própria recondução ao cargo.

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Eu entendo que, de fato, a reeleição talvez esteja fazendo mal para o Brasil. É uma coisa realmente para ser discutida”, afirmou.

A fala não surge isolada. Desde que foi instituída, em 1997, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a reeleição passou a ser alvo recorrente de críticas por parte de especialistas e gestores públicos. O principal argumento é que o modelo tende a encurtar o horizonte das decisões, deslocando o foco da gestão para o calendário eleitoral.

Esse raciocínio foi reforçado pelo próprio governador ao longo da entrevista. “Às vezes o dirigente não quer fazer o que tem que fazer porque já está focado na eleição”, disse.

Ao ampliar o tema, Tarcísio também defendeu a necessidade de uma reforma política mais abrangente, que inclua discussões sobre voto distrital e a reorganização do uso do orçamento público — críticas que dialogam com o que ele classificou como “política de paróquia”, voltada a interesses locais em detrimento de projetos estruturantes.

Mesmo com o cenário eleitoral no horizonte, o governador insistiu que a prioridade segue sendo administrativa. “Nós vamos focar trabalho até o período eleitoral… na campanha, a gente vai mostrar tudo aquilo que a gente fez”, afirmou.

Pedágios

Se no campo institucional o governador propõe rever regras do jogo, na área de infraestrutura o discurso é de ajuste fino em um dos temas mais sensíveis para a população: o custo dos pedágios.

Ele indicou que o modelo adotado na nova concessão da Rota Mogiana pode abrir caminho para tarifas mais baixas em rodovias paulistas, inclusive em trechos considerados caros na região, como a Rodovia Santos Dumont (SP-75), em Indaiatuba, com tarifa atual de R$ 19,40 (ida e volta).

O exemplo citado é a Rodovia Adhemar Pereira de Barros (SP-340), onde a nova concessão prevê redução de 29% na praça de Jaguariúna, dos atuais R$ 17,60 para R$ 12,55, a partir de 1º de julho. A mudança está ancorada na adoção do sistema eletrônico de cobrança por quilômetro rodado, o “SigaFácil”, que amplia a base de usuários e redistribui o custo do sistema.

A gente consegue redesenhar a concessão, reduzindo a tarifa… é possível reproduzir esse modelo em outras concessões”, afirmou.

Na prática, a estratégia aponta para uma tentativa de equilibrar uma equação historicamente delicada em São Paulo: garantir investimentos em infraestrutura sem manter tarifas elevadas para os usuários.

Agenda por Campinas

A entrevista também marcou o início da agenda do governo na região de Campinas, com a Caravana 3D, que percorre municípios até sábado. A iniciativa combina escuta de demandas locais com anúncios de investimentos e entregas.

É uma oportunidade para a gente escutar muito, construir soluções e apresentar o que o governo do estado está fazendo”, destacou o governador.

Entre os principais projetos estão a implantação de um hospital regional com 400 leitos — um investimento de R$ 560 milhões —, além de obras de mobilidade, como a Rodovia Miguel Melhado Campos (SP-324), a ligação entre Vinhedo e Viracopos, e o avanço do projeto ferroviário que pretende conectar Campinas à capital com trens intermetropolitanos e expressos nos próximos anos.

A agenda inclui ainda entregas nas áreas de educação e qualificação profissional, como novas unidades de Fatec, creches e escolas em modelo de parceria público-privada. Ao todo, o pacote de investimentos previsto para a região gira em torno de R$ 1,4 bilhão.

Na segurança pública, Tarcísio destacou a queda de indicadores criminais e o avanço de ferramentas tecnológicas, como monitoramento inteligente e integração de dados entre municípios — um modelo que o governo aposta para ampliar a eficiência operacional.

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