POESIA

Metonímias

Por Sonia Machiavelli | especial para o Portal GCN/Sampi
| Tempo de leitura: 1 min

Adoro danones
broinhas de fubá
e as madeleines que Nelise faz.
Também uns biscoitos
que não se assam mais
e os antigos chamavam
‘quelemente torcido.’
Leitores, sejam clementes comigo!

Bebo devagar um Porto
com gelo um Ballentine’s
mui saudosa um CD da Piaf
com alegria  Beaujolais na taça
Sedenta, as águas possíveis
até as que passarim não bebe
Degusto cantigas de amigo
 e o Carpinejar mais antigo.

Devoro Adélia Prado,
Proust, Saramago,
Lygia, Clarice, Rosa
e os francanos que escrevem.
Releio sempre Machado,
o fabuloso La Fontaine
e receitas de culinária 
na minha peleja diária

Faço cabelos com a Neide 
uma vez a cada mês;
e unhas com a Bia (da galeria)
 de  quinze em quinze dias.
Toda manhã rezo um pouco
antes de sair de casa 
porque sei que o perigo 
anda por todo lado.

Sigo escrevendo por aqui
que este é vício incontornável
Desde oitavas como essas estrofes
a outras formas mais alentadas.
De resto não escondo meus males,
que são aliás os mais prosaicos.
Sofro demais com alergias: 
a cigarros e hipocrisias.

Sonia Machiavelli é professora, jornalista, escritora; membro da Academia Francana de Letras

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários