ALERTA SANITÁRIO

Unicamp identifica vetores do Oropouche em Sousas e Barão Geraldo

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 2 min
Flávio Carvalho/Fiocruz
Estudo internacional aponta milhões de infecções pelo vírus Oropouche e alerta para avanço no Brasil.
Estudo internacional aponta milhões de infecções pelo vírus Oropouche e alerta para avanço no Brasil.

A identificação de espécies de maruins, insetos que atuam como vetores de doenças, nos distritos de Sousas e Barão Geraldo, em Campinas, acendeu um alerta sobre a possível circulação do vírus Oropouche na região.

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Os vetores são organismos responsáveis por transmitir agentes infecciosos de um hospedeiro para outro. No caso do Oropouche, a transmissão ocorre pela picada de pequenos mosquitos do gênero Culicoides, conhecidos popularmente como maruins ou “porvinha”.

Atualmente, não há vacina nem tratamento antiviral específico para o Oropouche. A doença provoca sintomas semelhantes aos da dengue, como febre alta, dores no corpo e mal-estar, mas pode evoluir para complicações neurológicas graves.

Com a presença de vetores já identificada em Campinas, especialistas reforçam a importância de monitoramento constante e vigilância epidemiológica, especialmente em regiões com características ambientais favoráveis à proliferação do inseto.

O alerta local ganha força diante de um estudo publicado na revista Nature Medicine, que aponta o avanço do vírus na América Latina. A pesquisa, conduzida por cientistas da Unicamp, USP, Universidade de Kentucky e Hemoam, estima que 9,4 milhões de infecções ocorreram entre 1960 e 2025, sendo 5,5 milhões no Brasil.

O levantamento indica que o vírus, antes concentrado na Região Norte, já está presente em todos os estados brasileiros e pode alcançar áreas urbanas por meio de “pontes ecológicas”, especialmente em regiões próximas a áreas verdes.

Segundo o pesquisador José Luiz Proença Modena, a dinâmica da doença está diretamente ligada ao ambiente. “A sazonalidade do Oropouche coincide com a estação chuvosa amazônica, que oferece condições ideais para a reprodução desses maruins”, explicou.

Os cientistas também apontam que fatores como desmatamento, expansão urbana e mobilidade aérea têm contribuído para a disseminação do vírus. Manaus é considerada um dos principais centros recentes de propagação.

Outro dado relevante é a velocidade dos surtos. Em alguns cenários analisados, como na capital amazonense, até 14% da população foi infectada em poucos meses, com crescimento significativo da presença de anticorpos na população.

Para o pesquisador William M. de Souza, a circulação do vírus pode passar despercebida por longos períodos. “Muitos casos provavelmente não foram diagnosticados, permitindo que o vírus circulasse ‘silenciosamente’ até atingir grandes centros urbanos”, afirmou.

Diferente de arboviroses mais conhecidas, como dengue, zika e chikungunya — transmitidas pelo Aedes aegypti — o Oropouche está mais associado a ambientes rurais e periurbanos, onde há solo úmido e matéria orgânica.

Esse cenário exige uma mudança nas estratégias de combate. Segundo os pesquisadores, as políticas atuais focadas em mosquitos urbanos não são suficientes para conter a doença, sendo necessária ampliação da vigilância em áreas próximas a matas e regiões agrícolas.

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