Franca voltou ao topo do saneamento básico no Brasil em 2026 após uma combinação de fatores que envolvem universalização dos serviços, eficiência operacional e manutenção de investimentos ao longo dos últimos anos. Os dados são do levantamento do Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, com base nas informações mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), ano-base 2024.
A cidade, que havia ocupado a 5ª posição no ranking anterior, retomou a liderança ao alcançar pontuação máxima nos principais indicadores avaliados. Isso significa que Franca atingiu níveis considerados universalizados tanto no abastecimento de água quanto na coleta e tratamento de esgoto, além de apresentar índices de perdas dentro dos parâmetros de eficiência estabelecidos nacionalmente.
A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) presta o serviço em Franca. A cidade já ocupou a top do ranking por seis vezes seguidas até 2019. Desde então, enfrentou cinco anos seguidos de queda. Em 2020, caiu para a segunda posição. Em 2021, foi para o quarto lugar; em 2022, quinto; e em 2023, nono. Já no ano de 2024, chegou à 15ª colocação. Em 2025 recuperou 10 posições e voltou ao 5º lugar. Essas oscilações se deram por mudanças na metodologia de requisitos do Trata-Brasil.
Indicadores
Entre os destaques, Franca registra 99,46% de atendimento de água, 98,91% de coleta de esgoto e 95,98% de tratamento — números que colocam o município entre os mais avançados do país em saneamento.
Outro fator determinante para o retorno ao topo foi a eficiência na gestão do sistema. O ranking considera não apenas a cobertura dos serviços, mas também a capacidade de reduzir perdas na distribuição de água. Franca apresentou índice de perdas de 24,01%, dentro do limite de referência de 25% estabelecido por norma federal, o que reforça a qualidade da operação.
Investimentos
Além disso, o estudo aponta que municípios mais bem colocados mantêm investimentos contínuos, mesmo após alcançar níveis elevados de cobertura. Entre 2020 e 2024, Franca investiu cerca de R$ 132,8 milhões em saneamento, com média de R$ 72,93 por habitante — um patamar compatível com cidades já universalizadas, que passam a focar na manutenção e eficiência dos sistemas.
O levantamento também mostra que há uma relação direta entre investimento e desempenho. Enquanto os melhores municípios apresentam alta cobertura e eficiência, cidades com baixos investimentos permanecem com índices críticos de atendimento, especialmente em esgoto.
No cenário nacional, o avanço de Franca ganha ainda mais relevância diante das desigualdades no setor: mais de 30 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água potável e cerca de 90 milhões não contam com coleta de esgoto.
O retorno de Franca ao primeiro lugar após cinco anos não é resultado de uma ação isolada, mas de um conjunto de políticas contínuas que garantiram universalização, eficiência e estabilidade nos serviços — exatamente os pilares que o ranking aponta como essenciais para alcançar o topo do saneamento no Brasil.
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