O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu o fim da jornada 6x1, a redução da carga horária para 40 horas semanais e o fortalecimento dos direitos trabalhistas no Brasil, ao mesmo tempo em que alertou para os impactos da guerra no Irã e das tensões com os Estados Unidos sobre a economia e o emprego no país. As declarações foram feitas nesta sexta-feira, 20, em entrevista exclusiva ao portal GCN/Sampi, após a cerimônia de abertura da safra do café em Franca.
Segundo o ministro, a proposta do Governo Federal prevê duas folgas semanais sem redução de salário, o que, na prática, encerraria o modelo de trabalho 6x1. A medida, no entanto, ainda depende de votação no Congresso Nacional.
“A posição do governo é clara: queremos reduzir a jornada para 40 horas semanais, sem reduzir salário, com duas folgas. Isso acaba com a jornada 6x1”, afirmou.
Marinho destacou que a definição sobre a aprovação ainda é incerta, mas citou que há sinalização do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), para colocar o tema em votação nos próximos meses.
Ao comentar a possibilidade de votação, Marinho criticou a postura do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que, segundo ele, teria indicado resistência ao avanço do tema no Congresso. “Não vamos deixar votar porque, se votar agora, ninguém vai votar contra. Ou seja, está dizendo que depois da eleição vai votar contra”, declarou sobre a postura de Valdemar.
Ele defendeu que parlamentares assumam publicamente suas posições diante da sociedade. “Quem é contra, que vote contra. Democracia é isso. O que não vale é fazer um discurso na eleição e outro depois”, completou.
O ministro ressaltou que a transição para o novo modelo exigirá negociação entre empresas e trabalhadores, principalmente em setores que operam todos os dias da semana.
A ideia, segundo ele, é permitir que sindicatos e empregadores definam escalas que mantenham a produtividade sem prejudicar os trabalhadores.
Reconstrução trabalhista após o governo Bolsonaro
Durante a fala, Marinho também enfatizou mudanças promovidas desde o início do atual governo, após a gestão de Jair Bolsonaro (PL). De acordo com ele, houve uma “reconstrução” das políticas públicas trabalhistas, após o enfraquecimento do Ministério do Trabalho.
Entre as ações citadas estão a retomada de políticas de fiscalização; reforço no combate ao trabalho escravo e infantil; ampliação de 900 auditores fiscais; e incentivo à negociação coletiva.
De acordo com o ministro, a precarização das relações de trabalho aumentou após a desestruturação do ministério e mudanças na legislação trabalhista.
Guerra no Irã pressiona economia e empregos
Marinho também alertou que o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel já afeta diretamente a economia brasileira. O principal impacto, segundo ele, é a alta no preço do petróleo. “O mundo está pagando as consequências dessa guerra. O petróleo é determinante para a economia e impacta diretamente os custos das empresas e a logística”, afirmou.
O ministro destacou que o aumento dos combustíveis encarece o transporte, especialmente no Brasil, que depende majoritariamente do modal rodoviário.
Para minimizar os efeitos da crise internacional, o Governo Federal adotou medidas emergenciais, como a zeragem de tributos federais sobre combustíveis; proposta de redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) pelos estados, com o governo federal pagando 50% do prejuízo; compensação parcial das perdas de arrecadação. Segundo Marinho, o objetivo é proteger empresas, trabalhadores e consumidores diante da instabilidade global.
O ministro também citou preocupação com o cenário internacional envolvendo os Estados Unidos, especialmente sob influência política de Donald Trump, destacando que decisões externas podem afetar diretamente o Brasil.
Ele classificou o momento como “complexo”, com necessidade de articulação diplomática e econômica para preservar empregos e estabilidade.
Defesa dos direitos trabalhistas e combate à precarização
Outro ponto central foi o reforço na luta por trabalho digno. Marinho voltou a criticar práticas como trabalho análogo à escravidão e exploração infantil, afirmando que esses problemas prejudicam não só os trabalhadores, mas também a imagem do Brasil no exterior.
Segundo ele, casos isolados acabam contaminando setores inteiros da economia e podem gerar boicotes internacionais.
O ministro defendeu maior participação da sociedade na denúncia de irregularidades e reforçou que o combate a essas práticas é uma responsabilidade coletiva.
Ao final, Marinho afirmou que o Brasil vive um momento decisivo, com desafios internos e externos que exigem equilíbrio entre crescimento econômico e proteção social. "Precisamos acreditar no Brasil, trabalhar pelo Brasil, cuidar bem do nosso país, cuidar bem de cada empresa, de cada família, cuidar bem dos nossos filhos e netos, para que nós possamos passar juntamente por mais essa etapa de dificuldade que as guerras impõem para o mundo e também para o Brasil, para que nós possamos perseguir, persistir, continuando gerando emprego, como estamos gerando, continuando crescendo os salários, como estamos crescendo, para melhorar a vida de cada brasileiro", finalizou o ministro.
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