FORAGIDO

Acusado de matar jovem em bar de Franca ameaça mãe da vítima

Por Hevertom Talles | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Maycon Aurélio Siqueira, de 43 anos, acusado de matar Hugo Henrique Barbosa dos Santos, de 21 anos
Maycon Aurélio Siqueira, de 43 anos, acusado de matar Hugo Henrique Barbosa dos Santos, de 21 anos

O sapateiro Maycon Aurélio Siqueira, de 43 anos, foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio qualificado após matar o jovem Hugo Henrique Barbosa dos Santos, de 21 anos, em Franca. O crime ocorreu na madrugada de 23 de agosto de 2025 e, segundo o processo, teria sido motivado por uma discussão banal em um bar. Após o assassinato, a mãe da vítima também teria sido ameaçada.

Discussão banal terminou em morte

De acordo com a denúncia do Ministério Público, Hugo estava em um bar, no Jardim Aeroporto III, acompanhado de amigos e da irmã, quando Maycon chegou ao local.

Durante a conversa, os dois passaram a trocar provocações em tom inicialmente descontraído. Testemunhas relataram que Maycon teria dito que já havia se relacionado com a irmã de Hugo. Em resposta, o jovem teria feito comentários envolvendo a filha do acusado - o que teria gerado irritação.

Apesar do clima aparentemente ter sido amenizado, a situação evoluiu de forma violenta.

Segundo a investigação, Maycon foi até seu carro, onde mantinha uma arma de fogo de forma ilegal, e quando Hugo caminhava em direção ao veículo, foi surpreendido por três disparos feitos, sem chance de defesa.

Vítima ficou internada e morreu dias depois

Hugo foi atingido no tórax e socorrido inicialmente à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Aeroporto, sendo depois transferido para a Santa Casa. Ele permaneceu internado por oito dias, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no dia 30 de agosto, em decorrência de traumatismo torácico causado pelos tiros.

Versões do caso

As investigações apontam que o crime foi motivado por motivo fútil, uma discussão banal, e executado de forma que dificultou a defesa da vítima.

Já a versão inicial colhida no boletim de ocorrência indica que o autor teria chegado ao local e atirado logo após se aproximar de Hugo, sem que fosse possível identificar um conflito claro no momento.

A irmã da vítima afirmou à polícia que havia tido um breve envolvimento com Maycon no passado, mas disse desconhecer qualquer desavença entre ele e Hugo.

Apresentação à polícia e liberdade inicial

Após o crime, Maycon fugiu do local e não foi preso em flagrante. Posteriormente, ele se apresentou à polícia com advogado, prestou sua versão dos fatos e, naquele momento, permaneceu em liberdade.

No entanto, com o avanço das investigações foi pedida a prisão preventiva de Maycon, que não ocorreu até o momento. O MP fez oferecimento da denúncia e pediu a prisão preventiva do acusado, destacando que ele fugiu do distrito da culpa após a morte da vítima.

Atualmente, ele é considerado foragido da Justiça.

Ameaça à mãe da vítima

Além do homicídio, o caso ganhou um desdobramento ainda mais grave com o registro formal de ameaça feito pela mãe de Hugo. Segundo relato prestado por ela à polícia, o episódio mais recente ocorreu no final de novembro enquanto trabalhava em um bar na avenida César Martins Pirajá. Na ocasião, Maycon teria parado o carro nas proximidades, sem que ela percebesse sua presença. Em seguida, ele conversou com um rapaz conhecido da vítima e foi embora.

Pouco depois, esse conhecido teria procurado a mãe de Hugo e repassado a ameaça. Maycon teria dito que “a próxima a morrer vai ser ela”, em referência direta à vítima, além de ter exibido uma arma de fogo durante a conversa.

No depoimento, a mulher também relatou que, desde o assassinato do filho, vem sendo alvo de perseguições e novas intimidações. Segundo ela, o acusado já teria feito ameaças não apenas contra ela, mas também contra outros membros da família, incluindo seus filhos.

Ainda de acordo com o registro, a vítima afirma viver com medo, destacando que Maycon conhece tanto o endereço onde ela mora quanto o local onde trabalha, o que aumenta a sensação de vulnerabilidade.

Esse conjunto de elementos reforçou o entendimento do Ministério Público de que há risco concreto à integridade da vítima e de testemunhas. Na manifestação apresentada no processo, a Promotoria sustenta que a liberdade do acusado pode comprometer a segurança dos envolvidos e a própria condução do caso, sendo esse um dos fundamentos para o pedido de prisão preventiva.

Diante da escalada de violência que inclui o homicídio e as ameaças posteriores, a família de Hugo segue cobrando Justiça e medidas que garantam proteção e responsabilização do acusado.

A família do jovem fez o apelo por Justiça. "Minha mãe teve um infarto recente. Após a morte do meu irmão, eu tenho que lidar todos os dias com a minha filha segurando uma foto do tio dela chorando de saudade e eu não posso fazer nada. Enquanto isso, a polícia nos enrola e não prende esse assassino", desabafou Emili Barbosa, irmã de Hugo.

Acusação

Maycon foi denunciado por homicídio qualificado (por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima) e porte ilegal de arma de fogo.

O caso ainda não tem data para ser julgamento pelo Tribunal do Júri.

A defesa dele foi procurada para comentar o caso, mas não retornou o contato.

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