Em meio ao aumento dos casos de ansiedade e depressão, o projeto SOS Depressão, em Franca, tem oferecido atendimento gratuito e acolhimento emocional à população há cerca de dois anos. Desenvolvida pela Fundação Espírita Allan Kardec, a iniciativa acontece duas vezes por semana, sem necessidade de agendamento, e já ajudou dezenas de pessoas a recuperar o equilíbrio emocional.
O atendimento é aberto a qualquer pessoa que esteja enfrentando sofrimento emocional, como ansiedade, tristeza persistente ou crises. As atividades ocorrem às segundas e quartas-feiras, às 19h, na Rua José Marques Garcia, 675, com distribuição de senhas por ordem de chegada.
Segundo o presidente da instituição, Mário Arias Martinez, o projeto surgiu para criar um espaço seguro de escuta e apoio. “É totalmente aberto. Qualquer pessoa pode vir. O objetivo é acolher e ajudar”, afirma.
Abordagem complementar e sem vínculo religioso
Apesar de funcionar dentro da Fundação Allan Kardec, o SOS Depressão não possui linha religiosa. O trabalho não envolve doutrina, rituais ou práticas espirituais e também não substitui tratamentos médicos ou psicológicos.
O método adotado utiliza o magnetismo como prática complementar, alinhado às Práticas Integrativas e Complementares em Saúde, política do SUS que inclui terapias como meditação, yoga e reiki.
A equipe reforça que o acompanhamento médico ou psicológico deve ser mantido. Quando necessário, os participantes também recebem orientação sobre serviços da rede pública, como Caps e unidades básicas de saúde.
O processo de acolhimento é estruturado em três fases logo no primeiro contato: uma palestra inicial com orientações sobre saúde emocional, entrevista individual para entender a situação do participante e aplicação do magnetismo, com duração média de 15 a 20 minutos.
O acompanhamento costuma ser semanal, ao longo de oito a 12 meses, período considerado importante para consolidar mudanças emocionais.
Histórias de transformação
Ao longo dos dois anos, o projeto acumula relatos de melhora significativa na qualidade de vida dos participantes.
A aposentada Irene Deluca, de 77 anos, procurou o atendimento após enfrentar ansiedade intensa. Com o acompanhamento, relata ter aprendido a lidar melhor com as emoções e responsabilidades. “O que mais mudou foi a leveza. Isso trouxe muita tranquilidade”, afirma.
Ela também destaca que o fortalecimento emocional foi essencial para enfrentar a perda recente do marido. “O trabalho aqui me ajudou muito.”
A coordenadora escolar Fernanda Guilherme, de 39 anos, buscou o projeto após crises de ansiedade causadas por sobrecarga profissional. Ela relata sintomas físicos intensos, como dor no peito e falta de ar. Com o tempo, percebeu melhora no equilíbrio emocional e na forma de lidar com as demandas.
“Aprendi a me priorizar. É um trabalho muito sério, com acolhimento e dedicação”, diz.
A professora Roseli Rech Martínez e a filha, a enfermeira Talita Rech Martínez, também relatam benefícios após participarem do projeto.
Talita percebeu melhora no controle emocional no dia a dia. Já Roseli destaca principalmente a qualidade do sono. “Hoje tenho um descanso muito mais tranquilo, realmente reparador”, afirma.
Voluntariado e combate ao preconceito
O SOS Depressão é conduzido por voluntários de diversas áreas, que passam por formação de cerca de quatro meses antes de iniciar os atendimentos.
Para o presidente da instituição, iniciativas como essa também ajudam a reduzir o estigma em torno da saúde mental. “Durante muito tempo houve vergonha de procurar ajuda. Hoje sabemos que depressão e ansiedade precisam ser tratadas”, ressalta.
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