O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Franca formalizou, nesta quarta-feira, 11, um despacho cobrando explicações sobre denúncias envolvendo o vereador e presidente da Casa, Fransérgio Garcia (PL). O parlamentar é acusado de dirigir o carro oficial do Legislativo francano, mesmo estando com a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) cassada e em velocidade acima do permitido. Registros do GPS mostram o veículo a 161 km/h na Rodovia dos Bandeirantes, onde o limite máximo é de 120 km/h. Fransérgio nega.
Nos últimos dias, Fransérgio esteve envolvido em dois casos que abalaram os bastidores do Legislativo da cidade. No mais recente, ele solicitou um veículo da Câmara para uma viagem a São Paulo, entre os dias 5 e 8 deste mês. O pedido foi feito em seu nome, com a dispensa do motorista legislativo.
No entanto, Fransérgio está com sua Carteira de Habilitação cassada e não pode dirigir. Imagem sugere que o vereador chegou à sede da Câmara dirigindo o veículo Virtus, preto, placa TGF-1A62, mas ele nega. O parlamentar disse que seu assessor Luís Marcelo Ramos foi quem dirigiu o carro durante a viagem.
Não bastasse a suposta condução do veículo com a CNH suspensa, o relatório do GPS da viagem do presidente da Câmara à Capital mostra que o carro oficial chegou a atingir a velocidade de 161 km/h na Rodovia dos Bandeirantes, nas proximidades de Campinas, o que corresponde valor 33,3% acima do permitido na via, que é de 120 km/h.
A infração, considerada grave pelo CTB (Código de Trânsito Brasileiro), foi registrada pelo GPS na viagem de ida à Capital, às 14h06m58s do dia 5 de março. A viagem foi no período entre dia 5 a 8 de março, na semana passada.
A outra denúncia envolvendo Fransérgio foi publicada na semana passada, mais precisamente no último dia 3, Roberto Pereira da Silva, de 75 anos, marido de uma tia do vereador, o acusou de ameaças após cobrar o parlamentar uma dívida referente a um empréstimo no valor de R$ 37 mil. Segundo boletim de ocorrência registrado em 4 de fevereiro, pelo tio, o valor teria sido concedido para financiar a campanha eleitoral do vereador. Fransérgio nega as acusações e afirma que o dinheiro foi usado na compra de um carro.
A investigação no Conselho de Ética, porém, é apenas sobre o uso do carro oficial. “Estamos preparando um documento, juntando todos esses materiais, inclusive tudo que saiu na imprensa, para pedir uma explicação ao Fransérgio”, disse Gilson Pelizaro (PT), vereador e presidente do Conselho de Ética da Câmara de Franca.
O Portal GCN/Sampi teve acesso ao despacho assinado pelos vereadores Daniel Bassi (PSD), vice-presidente do Conselho de Ética, e Donizete da Farmácia (MDB), relator, além de Pelizaro. Nele, os parlamentares da Casa comunicam Fransérgio da abertura de apuração preliminar.
"Informações dão conta de que o sobredito edil, no último dia 6 de março de 2026, estaria conduzindo o automóvel oficial da Câmara Municipal de Franca sem habilitação, haja vista que a sua Carteira Nacional de Habilitação fora cassada no ano de 2023, impedido, portanto, de dirigir até o mês de outubro de 2026. Ademais, consta que o Vereador estaria dirigindo o veículo oficial além do limite de velocidade permitido nas vias em que transitava", diz o documento.
Com a abertura da apuração preliminar, Fransérgio tem dez dias, contados a partir da notificação (que deve ocorrer ainda nesta quarta-feira), para apresentar esclarecimentos sobre as denúncias mencionadas. Ele também pode indicar provas e testemunhas, caso julgue necessário.
O Conselho de Ética terá 30 dias para formular, apurar e entregar um relatório final, que será lido em plenário. “Assim nós vamos, durante esse prazo, nos reunir e também juntar elementos para uma conclusão final”, disse Pelizaro.
Outro lado
Fransérgio foi procurado, nesta quarta-feira, para comentar o relatório da viagem a São Paulo, que mostra o veículo da Câmara em velocidade acima do permitido, mas preferiu o silêncio. Sobre a CNH vencida desde 2023, ele já havia dito ao GCN/Sampi que está em processo de reciclagem. “A minha habilitação está suspensa, não me lembro desde quando. Mas está suspensa. Eu já até iniciei o processo de reciclagem”.
Empresa
Original Rent a Car, com sede em Goiânia, que presta serviço de locação de veículos à Câmara de Franca, foi procurada para esclarecer se há alguma cláusula no contrato em relação a esse tipo de infração que vai contra as normas de segurança no trânsito, mas não respondeu.
O contrato entre a empresa e a Câmara foi firmado em abril de 2025 ao total de R$ 245,7 mil por ano, o que corresponde a R$ 20,8 mil ao mês, para o aluguel de quatro carros sedãs e um utilitário. O contrato tem duração até 25 de junho de 2026.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.
Comentários
1 Comentários
-
Valeska 5 horas atrásSe o eleitor francano prestasse atenção figuras como essas não sairiam do esgoto