HOMICÍDIO EM FRANCA

Metalúrgico matou entregador após descobrir traição: 'Foi matar'

Por Laís Bachur | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Laís Bachur/GCN
Victor Faciroli Júlio se apresentou na CPJ, na manhã desta quarta-feira, 11
Victor Faciroli Júlio se apresentou na CPJ, na manhã desta quarta-feira, 11

O metalúrgico Victor Faciroli Julio, de 23 anos, acusado de matar o entregador Diego Pereira de Almeida, de 20 anos, em Franca, se apresentou à Polícia Civil na manhã desta quarta-feira, 11, e confessou o crime.

O crime aconteceu na quinta-feira, 5, no Residencial Palermo, região oeste da cidade. Durante o depoimento, segundo o delegado Márcio Murari, responsável pela investigação, Victor afirmou que a intenção era realmente matar a vítima, após descobrir uma suposta traição de sua companheira com o jovem. “Ele deixou claro que naquele momento ele foi na intenção de matar.”

De acordo com o delegado, o acusado compareceu espontaneamente à delegacia acompanhado de advogado e respondeu às perguntas feitas durante o interrogatório.

“Ele compareceu e respondeu todas as perguntas, confessou o crime. Ele falou que a intenção era de morte mesmo, não era de susto”, afirmou Murari.

Descoberta da traição

Durante o depoimento, Victor contou que vivia com a companheira há cerca de oito anos. Segundo ele, no dia 5, data do crime, descobriu que estava sendo traído.

Ele relatou ao delegado que encontrou a companheira trocando mensagens com Diego, momento em que descobriu o relacionamento entre os dois. Ainda segundo o relato, ela teria tentado apagar algumas mensagens, mas ele conseguiu ver o conteúdo.

De acordo com o investigado, a mulher e Diego mantinham um relacionamento desde novembro de 2025.

“Ele disse que nesse momento acabou perdendo a cabeça, alega que foi até um ponto de tráfico e comprou uma pistola 380 no valor de R$ 10 mil”, acrescentou o delegado.

Planejamento e execução do crime

Victor também afirmou que não conhecia pessoalmente Diego, mas sabia quem ele era, pois ele e sua companheira trabalhavam juntos em uma lanchonete. “Ele afirmou que não o conhecia, mas sabia que eles trabalhavam juntos”, explicou o delegado.

Após descobrir o relacionamento, Victor decidiu ir até a casa da vítima. Segundo o depoimento, ele pegou emprestada a moto de um amigo, retirou a placa para evitar identificação e seguiu até a residência do entregador.

“Ele disse que pegou a moto de um amigo emprestada, retirou a placa para que não fosse identificado e deu três tiros contra Diego”, relatou Murari.

Depois dos disparos, Victor afirmou que fugiu do local assim que percebeu que o jovem havia sido atingido. Ele contou que se escondeu em uma chácara em Ituverava e apenas no dia seguinte soube que o entregador havia morrido.

Investigação continua

Segundo o delegado, o caso ainda está sendo investigado e novas diligências devem ser realizadas.

“Tem fatos ainda em investigação, o inquérito ainda está em andamento, tem outras diligências a serem feitas, para que possamos observar em qual momento ele chegou, como ele chegou até o endereço do Diego, se de fato ele planejou ou não o crime”.

Victor também contou que fugiu após o crime e escondeu a arma utilizada. O delegado informou ainda que o acusado já possui passagem pela polícia por tráfico de drogas.

Testemunhas serão ouvidas

A Polícia Civil também deve ouvir novas testemunhas nos próximos dias, incluindo a ex-companheira do acusado.

“Ele disse que rompeu o relacionamento com a companheira após descobrir os fatos. Nós vamos ouvir a ex-companheira dele, e outras testemunhas também serão ouvidas na próxima semana”.

O delegado também confirmou a informação de que, após o crime, o casal chegou a fugir junto. Segundo ele, Victor relatou que eles estavam recebendo ameaças de morte por parte de familiares da vítima. “Inclusive as fotos deles foram colocadas em sites e grupos de mensagem para tentar localizá-los”.

De acordo com a investigação, no domingo após a morte do jovem, a mulher retornou para Franca, enquanto Victor entrou em contato com a mãe, que mora em Frutal (MG), e juntos providenciaram um advogado.

Arma do crime deve ser entregue

Victor foi indiciado por homicídio duplamente qualificado. Durante a coletiva, o delegado afirmou que a arma utilizada no crime ainda não foi localizada, mas que o acusado se comprometeu a entregá-la.

“Ele se comprometeu que apresentará a arma até na sexta-feira para que a gente faça as perícias necessárias”, disse Murari.

Apesar da confissão, neste momento não será solicitado mandado de prisão. “Estamos ainda na fase de investigação, não está descartado o pedido de prisão após o final do inquérito policial”, explicou o delegado.

Após prestar depoimento, Victor foi liberado.

Relembre o crime

O entregador Diego Pereira de Almeida, de 20 anos, foi baleado no final da manhã de quinta-feira, 5, na porta de sua casa, no Residencial Palermo, região oeste de Franca.

Imagens de câmeras de segurança mostram que um homem em uma motocicleta vermelha passou pela rua, parou em frente à residência da vítima e efetuou vários disparos sem descer do veículo.

Diego estava saindo de casa em sua motocicleta quando foi surpreendido pelos tiros.

Mesmo ferido, o jovem ainda conseguiu fechar o portão da residência antes de ser socorrido.

Ele foi levado para a Santa Casa de Franca, onde passou por cirurgia de emergência após sofrer duas paradas cardíacas.

Segundo informações médicas, um dos tiros atingiu a veia cava, a maior do corpo humano, provocando uma grande hemorragia.

Apesar dos esforços da equipe médica, Diego não resistiu aos ferimentos e morreu na sexta-feira, 6.

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