O presidente da Câmara Municipal de Franca, Fransérgio Garcia (PL), é suspeito de ter dirigido um carro oficial do Legislativo durante uma viagem a São Paulo (SP), mesmo estando com a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) suspensa. O vereador nega a acusação. Segundo ele, o veículo foi conduzido por um assessor parlamentar durante o deslocamento.
Um vídeo divulgado pelo jornalista Alexandre Silva mostra o carro oficial 003 da Câmara Municipal — um Volkswagen Virtus preto — chegando ao estacionamento da Casa de Leis. Na gravação, parcialmente borrada, o veículo entra no local e um homem com características semelhantes às do assessor Marcelo Ramalho desce do banco do passageiro dianteiro. Em seguida, o motorista, que aparenta ser Fransérgio Garcia, estaciona o veículo.
Fransérgio afirmou ao portal GCN/Sampi que não dirigiu o carro oficial da Câmara durante compromissos na capital paulista. “Eu solicitei o motorista para que fosse, mas como não tinha motorista disponível, eu pedi que incluísse o assessor Marcelo Ramalho para ele dirigir para mim. Então ele foi dirigindo para São Paulo e voltou. Não tem problema nenhum em relação a isso”.
No entanto, em um ofício administrativo assinado digitalmente por Fransérgio, o vereador retifica que ele próprio será o motorista da viagem. O documento, datado de 4 de março, também informa que Luís Marcelo Ramalho irá acompanhá-lo. No ofício, é solicitado o adiantamento de diárias no valor de R$ 800, destinadas ao vereador e ao assessor. Veja abaixo:
“Sirvo-me deste para retificar parte do AV 15/2026 e informar que eu, Fransérgio Garcia Braz, serei o motorista e irá junto nesta viagem o meu assessor Luís Marcelo Ramalho. Sendo assim, solicito adiantamento de diária e numerário no valor de R$ 800,00 em meu nome e de diária para o assessor Luís”, diz o ofício.
A reportagem questionou o presidente da Câmara Municipal sobre o documento. No entanto, oficialmente, o vereador não se manifestou até o fechamento deste texto.
Sobre a viagem, Fransérgio respondeu que teve “duas agendas” na capital, mas não detalhou a programação.
CNH na reciclagem
Fransérgio não informou o motivo da suspensão da habilitação. Ele também disse não se lembrar desde quando está impedido de dirigir, mas afirmou que já iniciou o processo de reciclagem. “A minha habilitação está suspensa, não me lembro desde quando. Mas está suspensa. Eu já até iniciei o processo de reciclagem”.
Questionado se dirige em Franca mesmo com a CNH suspensa, o parlamentar afirmou que, “normalmente”, quem conduz o veículo é um dos motoristas da Câmara ou outro assessor. “Normalmente, aqui em Franca eu ando ou com o motorista ou com o Ronaldo (outro assessor) e, em viagens todas as vezes, eu fui com motorista”, disse.
Esclarecimento
À reportagem, o presidente também enviou uma nota de esclarecimento da Câmara Municipal. O texto diz que a viagem realizada a São Paulo na semana passada teve caráter institucional.
De acordo com a nota, não havia motoristas disponíveis para realizar o percurso em razão de outros deslocamentos oficiais — de outros vereadores — que aconteciam simultaneamente. Por isso, foi designado um servidor de outra área para fazer o trajeto. Embora não seja citado nominalmente, o servidor seria Marcelo Ramalho.
“Durante o trajeto, o servidor apresentou indisposição decorrente de condição de saúde preexistente, relacionada a diabetes em grau grave, o que exigiu ajustes pontuais no deslocamento”, informou a Casa.
Por fim, segundo a nota, a viagem transcorreu normalmente, sem qualquer incidente, e o retorno ao município ocorreu dentro da programação prevista.
Conselho de Ética
O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, Gilson Pelizaro (PT), informou ao GCN, na tarde desta terça-feira, 10, que não recebeu nenhum pedido de investigação sobre o caso. “Estou o dia inteiro envolvido com a sessão e só ouvi questões de bastidores. Lógico que, como presidente do Conselho, estamos atentos a tudo o que está acontecendo. Se a gente tiver algum tipo de motivação e receber alguma representação, vamos trabalhar com aquilo que a legislação determina.”
“Se houver alguma representação, a gente acata, reúne o conselho e discute a questão jurídica do que está sendo apresentado, assim como os encaminhamentos de acordo com o código de ética da Câmara”, finalizou.
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