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Tio reafirma acusação: Fransérgio pediu dinheiro para campanha

Por Hevertom Talles e N. Fradique | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Sampi/Franca
Divulgação/Câmara Municipal de Franca
Presidente da Câmara Municipal de Franca, Fransérgio Garcia
Presidente da Câmara Municipal de Franca, Fransérgio Garcia

O empresário Roberto Pereira da Silva, de 75 anos, reafirmou nesta quinta-feira, 5, as acusações registradas em boletim de ocorrência contra o vereador Fransérgio Garcia (PL), presidente da Câmara Municipal de Franca e sobrinho da mulher de Silva. Em entrevista exclusiva ao portal GCN/Sampi, o tio confirmou que Fransérgio pediu dinheiro emprestado para aplicar na campanha de 2022, além de acusá-lo de ameaças. O empréstimo seria de R$ 37 mil.

O parlamentar nega as acusações, afirma que já pagou parte do valor e diz que processará o parente por calúnia e difamação. O caso é investigado pela polícia após registro de boletim de ocorrência em 4 de fevereiro, como ameaça.

"Eu emprestei para ele, para a campanha. Era um dinheiro que eu tinha na poupança. Ele estava quebrado e disse que não tinha dinheiro para a campanha", afirmou Silva. Segundo ele, o vereador teria enviado uma foto de dinheiro em espécie e prometido devolver o valor por Pix, o que não teria ocorrido. “Faz um ano e meio e até hoje não pagou”, disse.

Roberto diz que pretende levar o caso à Justiça e classificou o sobrinho como “estelionatário”, além de citar processos judiciais e dívidas que, segundo ele, estariam registradas no Serasa. O caso é investigado pela polícia e envolve um boletim de ocorrência registrado em 4 de fevereiro.

O tio afirma ter provas das acusações contra Fransérgio. "Eu não digo nada que eu não possa provar. Eu tenho todas as provas. Saídas do celular dele para o meu. Tem a dívida dele e depois tem umas fotos que ele me mandou de dinheiro em espécie, no mês da eleição. Calculo que dá uns 60 a 70 mil (reais) em espécie guardados dentro da casa dele. Para quê?", questionou.

Ameaças

Durante a entrevista, Roberto disse que as ameaças atribuídas ao sobrinho estão registradas no boletim de ocorrência e que pretende formalizar novas denúncias. “As provas estão todas no boletim de ocorrência. Além de ameaçar, inventou uma pessoa aí que não existe, um tal de coronel que estaria me aguardando”, afirmou.

Segundo ele, as medidas judiciais terão base no Estatuto do Idoso, já que tem 75 anos. “Eu vou entrar na Justiça contra ele. Quem vai julgar é o juiz”, declarou.

O entrevistado afirmou que também registraria novos boletins de ocorrência, mas disse que não detalharia o conteúdo. “Eu não vou te dar coordenadas. Esse é um assunto que vai ser resolvido na hora certa”, afirmou. Questionado sobre mensagens trocadas com o vereador por WhatsApp, Roberto disse que apresentou prints à polícia, mas se recusou a fornecê-los à reportagem. “Isso daí eu não vou antecipar a defesa dele. Tem mais coisas envolvidas”, disse.

Ao longo da conversa, Roberto fez acusações diretas contra o parlamentar. “O presidente da Câmara de vocês é um estelionatário”, declarou.

O tio do vereador também citou disputas familiares envolvendo herança. Ele afirmou que há um inventário relacionado a um imóvel da família e que pretende discutir o caso judicialmente. “Eu vou acertar as contas com ele na Justiça”, disse. Roberto ainda afirmou que não pretende retirar as acusações. “Tudo que estou falando, tenho prova”, declarou.

Fransérgio diz que tio terá de provar acusações

Em resposta às acusações, Fransérgio Garcia afirmou que o tio terá de provar o que disse. “Ele tem que provar. Eu já fiz boletim de ocorrência, ele fez o dele. O que ele está falando aí, ele tem que provar”, afirmou. O vereador afirmou ainda ter sugerido à polícia a quebra do sigilo telefônico das conversas entre os dois. “Eu sugeri inclusive que quebra o sigilo telefônico de nós dois, porque as conversas foram só por telefone”, disse.

O parlamentar também afirmou que pretende processar o parente. “Vou processar ele por calúnia e difamação. A acusação vem dele, é ele que tem que provar”, declarou. Fransérgio afirmou ainda que as acusações seriam motivadas pelo fato de ele ocupar cargo público. “Ele está aproveitando da situação porque eu sou pessoa pública”, disse.

Sobre o empréstimo, o vereador afirmou que o dinheiro foi oferecido espontaneamente pelo tio com cobrança de juros. Segundo ele, o acordo teria ocorrido no fim de 2023 ou início de 2024, após Roberto vender um imóvel. “Ele pediu para eu pegar um dinheiro que tinha vendido, a juro. Para ajudar ele, eu peguei a 2,5%”, afirmou. O parlamentar disse que já pagou mais de R$ 20 mil da dívida.

Fransérgio também relacionou o conflito a uma disputa familiar envolvendo o inventário de um imóvel herdado pela mãe e pelas tias. Segundo ele, o tio teria embargado o processo e depois passado a exigir juros maiores. “Depois que teve a briga pelo inventário, ele quis 5% de juros e começou a me ameaçar que ia falar que esse dinheiro era de campanha”, afirmou.

O vereador negou que o empréstimo tenha sido usado para campanha eleitoral. “Que campanha? Eu recebi dinheiro do partido. O que paguei da campanha foi com dinheiro meu”, declarou. Ele classificou o episódio como uma disputa familiar. “Isso é problema familiar. Agora ele tem que provar o que está falando”, disse.

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