O músico, compositor, arquiteto e artista visual Erlindo Morato lança nesta semana, em Franca, o projeto “Oficinas de arte e expressão para todos – Cartilha do Pedro”, iniciativa que une educação artística, inclusão e acessibilidade. A proposta prevê a realização de seis oficinas gratuitas voltadas principalmente a pessoas em situação de vulnerabilidade social e pessoas com deficiência, além da distribuição de um material pedagógico artesanal desenvolvido pelo próprio artista.
A chamada “Cartilha do Pedro” é um material multilinguagem, inteiramente escrito e ilustrado à mão por Morato, que reúne conteúdos relacionados à fala, dicção, desenho, música e expressão tátil. A proposta é oferecer uma abordagem interativa e sensorial, estimulando diferentes formas de comunicação e criação artística.
Com mais de cinco décadas dedicadas à arte e à educação, Morato leva o projeto a instituições sociais e educacionais de Franca. As primeiras oficinas já foram realizadas com crianças atendidas pelo Centro Espírita Esperança e Fé e com idosos do Lar de Idosos Eurípedes Barsanulfo.
Nas próximas semanas, a programação segue para outras entidades da cidade, como a Caminhar (Associação de Famílias, Pessoas e Portadores de Paralisia Cerebral), a Sociedade Francana de Instrução e Trabalho para Cegos, a Apada (Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos) e o Lar-Escola e Projeto Girassol da Unidade II da Escola Pestalozzi.
Segundo o artista, as oficinas foram pensadas como espaços de experimentação e expressão coletiva. “Os encontros funcionam como espaços de escuta, ludicidade e experimentação artística. Por meio de dinâmicas em grupo, atividades multissensoriais e práticas adaptadas, incentivamos os participantes a explorar diferentes formas de expressão e desenvolver sua comunicação”, afirma Morato.
Durante as atividades, cada participante recebe um kit com materiais adequados às suas necessidades, como canetinhas hidrocor ou massa de modelar. As oficinas abordam noções básicas de desenho, com conceitos de proporção, perspectiva e observação, além de fundamentos de música, como ritmo, melodia e harmonia. Também são propostas atividades voltadas ao desenvolvimento da escrita criativa e expressiva.
Para participantes com deficiência visual, as atividades são adaptadas com foco em formas e texturas, estimulando a produção artística por meio do tato.
A produtora cultural e idealizadora do projeto, Claryssa Pádua, destaca que a iniciativa busca ampliar o acesso de públicos historicamente excluídos das atividades culturais.
“Essas pessoas com deficiência ou em situação de vulnerabilidade social frequentemente enfrentam barreiras físicas, sociais e simbólicas que dificultam sua participação em experiências culturais. A ideia é oferecer um ambiente sensível, acolhedor e criativo, onde cada participante possa explorar seus potenciais expressivos e se reconhecer como sujeito ativo na cultura”, explica.
As oficinas são realizadas em espaços adaptados e contam com recursos de acessibilidade, incluindo a presença de agente de acessibilidade para apoio na locomoção e comunicação, além de intérprete de Libras para participantes surdos.
Origem da cartilha
A “Cartilha do Pedro” é uma homenagem do artista ao filho. A ideia surgiu em 2013, quando Morato percebeu as dificuldades de aprendizagem enfrentadas por Pedro, que tinha cinco anos na época. A partir dessa experiência pessoal, ele começou a desenvolver o material com atividades que estimulam a criatividade e a expressão artística de forma sensível e acessível.
Ao todo, serão distribuídos gratuitamente 200 exemplares da cartilha, sendo 15 deles em braile. Além da versão impressa, o material também será disponibilizado gratuitamente em formato digital (eBook), permitindo que escolas, instituições e educadores tenham acesso ao conteúdo.
Na introdução da obra, Morato defende o valor do livro físico mesmo diante das novas tecnologias.
“Apesar de estarmos vivendo na era da Inteligência Artificial, tenho comigo alguns princípios dos quais não abro mão. Um livro físico e real é algo insubstituível. Algo concreto, que podemos pegar, ler, folhear, desenhar e até sentir o cheiro”, escreve o artista.
O projeto foi contemplado com recursos da Bolsa Cultura 2025, por meio do Edital de Chamamento SMEC nº 004/2025 da Secretaria Municipal de Esporte e Cultura da Prefeitura de Franca.
Trajetória artística
Natural de Franca, Erlindo Morato tem uma carreira que atravessa diferentes linguagens artísticas. Formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Franca, também estudou música na Escola Municipal de Música de São Paulo, com ênfase em flauta transversal.
Ao longo da trajetória, atuou como professor de música e artes visuais em diversas instituições, além de integrar orquestras, bandas e grupos vocais.
Como compositor e multi-instrumentista, lançou os álbuns autorais “A Vida é um Sopro” (2018) e “Vita Brevis” (2022). Em 2024, apresentou o documentário “Vita Brevis – História de um Show, em um Tempo, de um Lugar”, exibido em espaços culturais de Franca com apoio da Lei Paulo Gustavo.
Seu trabalho mais recente é o álbum “Trilhas de Minas”, lançado em 2025 com apoio da Lei Aldir Blanc. A obra combina música e artes visuais para retratar os vínculos culturais e afetivos entre Franca e Minas Gerais.
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