SAÚDE

Obesidade vai além da estética e exige cuidados, alerta médica

Por Giovanna Attili | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Agência SP
A popular caneta emagrecedora
A popular caneta emagrecedora

"Obesidade é uma doença crônica, uma doença crônica grave.” O alerta é da médica endocrinologista Aniette Renom. No Dia Mundial da Obesidade, celebrado na última quarta-feira, 4, a Rádio Difusora recebeu a especialista para falar sobre as complicações da doença e os riscos de a obesidade ser tratada apenas como uma questão ligada à aparência.

Durante a entrevista, a especialista explicou que a obesidade é uma doença crônica, associada a uma série de problemas de saúde que vão muito além do impacto estético. Segundo ela, ainda há muitos estigmas e crenças equivocadas em torno do tema, o que dificulta o entendimento da obesidade como uma condição que exige acompanhamento contínuo. “Obesidade é uma doença crônica, uma doença crônica grave”, afirmou.

A médica destacou que mesmo pacientes que não apresentam queixas imediatas podem desenvolver complicações importantes ao longo do tempo. Entre os riscos associados, estão problemas articulares, varizes, trombose, apneia do sono, hipertensão de difícil controle e doenças cardiovasculares. “Mesmo o paciente obeso que eventualmente possa não ter nenhuma queixa ou nenhuma disfunção no dia a dia decorrente do seu sobrepeso, ele é uma bomba-relógio e ele vai ter complicações ligadas a esse excesso de peso”, disse.

Aniette Renom também chamou atenção para a relação direta entre obesidade e o aumento do risco de diversas doenças graves, como diabetes tipo 2, infarto, insuficiência cardíaca e alguns tipos de câncer. Segundo ela, o excesso de peso está associado, por exemplo, ao câncer de endométrio em mulheres, além de elevar o risco de câncer de mama, próstata e rim.

Outro ponto abordado foi o uso de medicamentos injetáveis para o tratamento da obesidade e do diabetes. A médica explicou que essas medicações são eficazes quando bem indicadas, mas vêm sendo utilizadas de forma inadequada, muitas vezes com a expectativa de resultados rápidos e sem mudanças no estilo de vida. “Esse termo de caneta emagrecedora dá a ideia de que qualquer paciente que queira perder qualquer quantidade de peso vai usar a caneta, vai perder o peso e está tudo resolvido”, afirmou.

Segundo a endocrinologista, o uso pontual desses medicamentos, seguido da interrupção sem acompanhamento, costuma resultar no reganho de peso. Ela explicou que o organismo reage à perda de gordura tentando retornar ao maior peso já atingido, o que faz parte da fisiologia humana e caracteriza a obesidade como uma doença recidivante.

A entrevista também abordou os riscos do uso de versões não originais desses medicamentos, trazidas de outros países sem registro no Brasil. A médica alertou para a falta de controle sobre a produção, armazenamento e aplicação dessas substâncias, além da ocorrência de reações adversas graves associadas ao uso irregular.

“A farmacovigilância da Anvisa tem alertado sobre a associação dessas tirzepatidas com reações alérgicas graves, com reações pirogênicas, febre, elevação de temperatura e tremor”, disse.

Aniette Renom reforçou ainda que a perda de peso rápida, sem orientação médica e nutricional, pode levar à desnutrição, perda de massa muscular, cálculo biliar, pancreatite e prejuízos à saúde geral. Para ela, emagrecer sem se alimentar adequadamente não representa melhora real da condição do paciente. “Nem sempre perder peso significa que você melhorou a sua nutrição”, afirmou.

A médica destacou que o tratamento da obesidade exige acompanhamento profissional, alimentação estruturada, prática de atividade física e, quando indicado, uso responsável de medicação, sempre com foco na saúde e não apenas na redução do peso corporal.

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