Polo econômico, universitário, industrial e tecnológico. Protagonista na produção nacional de calçados, centro cafeeiro da Alta Mogiana, referência em saúde para mais de 30 cidades e uma das principais geradoras de emprego do interior paulista. Franca tem força econômica, mas voz política quase inaudível.
A ausência de deputados federais e a baixa presença na Assembleia Legislativa não são apenas símbolos de fragilidade eleitoral — custam caro. Distanciam a cidade de decisões estratégicas e reduzem drasticamente sua capacidade de disputar investimentos federais.
A matemática da ausência
Em 2025, cada deputado federal pode indicar R$ 37 milhões em emendas impositivas. Cada deputado estadual, R$ 12,6 milhões. São recursos garantidos por lei, independentes da vontade do governo — um orçamento individual para atender demandas regionais
Sem nenhum deputado federal, Franca recebeu apenas R$ 5,3 milhões em emendas no ano passado, segundo o Portal da Transparência da CGU (Controladoria Geral da União). O montante inclui recursos indicados em 2023, 2024 e 2025, já que os pagamentos raramente coincidem com o ano da indicação — entraves burocráticos, ajustes técnicos, pendências documentais e reprogramações orçamentárias atrasam as liberações.
Essa quantia veio de dezenas de "pequenas contribuições" de deputados de outras regiões. O maior repasse partiu da deputada Rosangela Moro (União): R$ 750 mil para a Santa Casa, indicados em 2024 e pagos em 2025. Adriana Ventura (Novo) destinou R$ 740.900 com a mesma finalidade. Erika Hilton (PSOL) encaminhou R$ 500 mil ao Fundo Municipal de Saúde.
Se os R$ 5,3 milhões já impressionam pela modéstia, os anos anteriores foram piores: R$ 2,4 milhões em 2024, apenas R$ 1,8 milhão em 2023.
É uma "vaquinha parlamentar" que expõe, na prática, a dependência da boa vontade alheia. Pior: muitas vezes vira "capital político", deputados cobram apoio local como contrapartida pelas emendas.
Franca fica para trás
Os números de Franca são pálidos na comparação com outras cidades paulistas de porte semelhante – e mesmo, menores.
Araraquara (252 mil habitantes) recebeu R$ 14,6 milhões em 2025, 175% a mais que Franca. A cidade conta com canal direto em Brasília: Edinho Silva, ex-prefeito e atual presidente nacional do PT, partido do presidente Lula.
Bauru (392 mil habitantes), de porte semelhante, recebeu R$ 20,3 milhões. Ribeirão Preto (731 mil habitantes) captou R$ 35,5 milhões. A cidade elegeu dois deputados federais em 2022: Ricardo Silva (PSD), hoje prefeito, e Baleia Rossi (MDB), presidente nacional do partido.
Fica evidente que o que mais impacta no volume de recursos não está no tamanho das cidades, mas na articulação política em Brasília.
No Estado, a presença faz diferença
Segundo o Portal da Transparência estadual, Franca recebeu R$ 29 milhões em emendas da Assembleia Legislativa entre 2023 e 2025. Desse total, R$ 21 milhões já foram pagos.
Entre as maiores indicações estão as do deputado Guilherme Cortez (PSOL): R$ 3,5 milhões para a UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Aeroporto e R$ 3,4 milhões para a UBS do Jardim Palma. A deputada Delegada Graciela (PL) destinou R$ 1 milhão para recapeamento nos bairros City Petrópolis e Jardim Ipanema.
O contraste é revelador. Mesmo com orçamento menor que o federal, a presença de deputados estaduais garantiu mais recursos a Franca. O parlamentar eleito prioriza sua base eleitoral, acompanha projetos de perto e destrava pagamentos.
No plano federal, onde o orçamento é muito maior, a ausência regional deixa Franca em desvantagem, dependente de negociações pontuais e favores políticos.
Mais que emendas: estrutura e acesso
Cada deputado federal dispõe de R$ 133 mil mensais para contratar até 25 assessores (salários entre R$ 1.548 e R$ 18.719). Na Alesp, cada deputado nomeia até 23 cargos de confiança.
Essa estrutura mantém equipes trabalhando em demandas locais, elaborando projetos, articulando reuniões e intermediando pedidos junto a ministérios e secretarias. São esses profissionais que transformam necessidades regionais em ações concretas.
Ter representantes vai além de emendas. Significa acesso direto a ministros, dirigentes de autarquias e secretários estaduais. É garantir lugar na mesa onde as decisões são tomadas. É dar visibilidade à cidade nos centros de poder.
Sem deputados federais, uma região fica invisível para o Governo Federal. Com poucos deputados estaduais, ocupa papel secundário na política paulista.
Franca precisa ter voz
A campanha Franca Tem Voz nasce para mudar essa realidade. Idealizada pela Acif, Cocapec, Unimed, GCN e Rádio Difusora, com apoio da CDL, Ciesp, OAB, Sebrae, Uni-Facef, Franca Basquete, Magazine Luiza e dezenas de outras entidades, o projeto busca fortalecer candidatos locais nas eleições de 2026.
A iniciativa é apartidária. O esforço é para que os eleitores escolham seus deputados a partir dos candidatos com base eleitoral em Franca e região, sejam de direita ou esquerda, progressistas ou conservadores, religiosos ou não.
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