TRAGÉDIA EM RIFAINA

Grito de criança e silêncio dos amigos: o relato que emociona

Por Laís Bachur | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
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Diego Frantiesco, de 40 anos, é um dos sobreviventes da tragédia em Rifaina
Diego Frantiesco, de 40 anos, é um dos sobreviventes da tragédia em Rifaina

O empresário Diego Frantiesco, de 40 anos, é um dos sobreviventes do acidente de lancha entre Rifaina (SP) e Sacramento (MG) que deixou seis mortos, entre eles uma criança de 4 anos. Em entrevista exclusiva ao portal GCN/Sampi, o morador de Franca fez um relato detalhado e emocionante sobre o que aconteceu na noite da colisão contra um píer.

Diego estava no fundo da embarcação — o mesmo local onde estavam algumas das vítimas que morreram. Ele conta que também bateu a cabeça, perdeu a consciência por alguns instantes e acredita que com os amigos pode ter acontecido algo semelhante.

A decisão de ir ao bar

Segundo Diego, o grupo estava hospedado em um condomínio às margens da represa. A programação inicial era ir embora na tarde daquele dia, mas houve divergência entre os amigos.

“Estávamos no condomínio e já íamos embora. Um pessoal queria ir para o Bar Único e outros não. Por volta das 16 horas, decidimos ir de lancha”, contou.

Eles permaneceram no local até a noite. O condomínio onde estavam hospedados fica próximo ao bar, em linha reta pela água. "O condomínio e o bar são perto e em linha reta".

Durante a permanência no bar, um casal de amigos perguntou ao piloto da lancha, Wesley, se poderia ficar para depois pegar carona na volta.

“Um casal de amigos nossos perguntou para o Wesley: ‘Se eu ficar aqui, você me leva embora?’. Ele disse que levava.”

Na hora de retornar, em vez de irem direto ao condomínio em que estavam, foram então deixar o casal no rancho deles.

“Na hora de ir embora, em vez de irmos para o condomínio, fomos para o rancho desses amigos para deixá-los. Mas no caminho resolvemos voltar para o condomínio onde estávamos e depois levar eles de carro. Por isso voltamos.”

'Não estávamos perdidos'

Diego faz questão de esclarecer um ponto que, segundo ele, tem sido comentado de forma equivocada.

“Nós não ficamos perdidos. Fomos rumo ao rancho dos nossos amigos para deixá-los, mas depois resolvemos voltar. Ele deu meia-volta para pegar o rumo do nosso condomínio.”

Foi nesse momento que tudo aconteceu.

“Quando ele fez a curva com a lancha para voltarmos, ficou muito perto da margem. Estava muito escuro, no pesqueiro estava escuro, não tinha iluminação nenhuma no rio.”

O impacto e a virada da lancha

De acordo com Diego, a embarcação não estava em alta velocidade. “Realmente estava devagar.”

Ele acredita que o impacto contra o píer possa ter causado uma reação involuntária.

“Achamos que com a batida no pesqueiro, o Wesley ou alguém que estava perto pode ter batido a mão no acelerador. Foi quando a lancha impulsionou e virou.”

Segundo ele, as pessoas que estavam na parte da frente foram arremessadas para fora. Já os que estavam no fundo - como ele - ficaram por baixo quando a lancha virou.

“O pessoal da frente foi jogado para fora e a gente que estava atrás, virou em cima da gente.”

'Eu apaguei'

Diego relata que bateu a cabeça com força. “Eu bati a cabeça e apaguei. Perdi a consciência.”

Ele afirma que, quando recobrou os sentidos, já estava sendo retirado da água com ajuda de amigos. “Conseguiram me ajudar a tempo, logo eu voltei a consciência.”

Por ter vivido essa experiência, ele acredita que algo parecido possa ter ocorrido com as vítimas que estavam no fundo da embarcação.

O grito de socorro de Bento

Um dos momentos mais marcantes do relato envolve Bento Aredes, de 4 anos. “Eu acho que com o Bento pode ter acontecido como comigo. Ele demorou um pouco para começar a gritar. Ele deve ter batido a cabeça igual eu, talvez um pouco mais leve, e conseguiu acordar.”

Segundo Diego, após os gritos do menino, houve silêncio.

Já em relação aos adultos que estavam na parte de trás da lancha, ele acredita que possam ter perdido a consciência imediatamente.

“Eu acho que o pessoal que estava lá atrás junto comigo bateu a cabeça forte. Eu não vi, mas acredito que sim. Porque não teve chamado, ninguém pediu ajuda. Eu acredito que já tenham ficado desacordados.”

O empresário concluiu o relato visivelmente emocionado, ainda tentando entender os segundos que mudaram a vida de todos.

A tragédia segue sob investigação da Polícia Civil mineira e da Marinha do Brasil.

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