O empresário Anderson Rodrigues Ribeiro Faria, de 38 anos, proprietário e chef do restaurante Osaki Sushi, em Franca, viveu momentos de tensão após o voo QR 780, da companhia aérea Qatar Airways, desviar a rota e realizar um pouso de emergência no Aeroporto Internacional do Cairo, no Egito. Ele saiu de Guarulhos na noite de sexta-feira, 28, às 20 horas, com destino ao Japão, onde participaria de uma imersão e especialização em culinária japonesa.
Segundo Anderson, o voo seguia normalmente até o início da tarde de sábado, 1º, já no horário local, quando a tripulação informou que seria necessário um pouso de emergência. A aeronave, que voava a cerca de 40 mil pés de altitude, iniciou descida rápida.
“Foi tudo muito rápido. Os comissários recolheram os serviços, ninguém entendeu nada. Descemos por volta de 1h15 da tarde, horário local do Egito”, relatou.
Sem internet e sem informações
Após o pouso, os passageiros permaneceram dentro do avião por horas. O sistema de internet foi desativado e, como a maioria faria apenas conexão em Doha, no Catar, ninguém possuía acesso à internet local no Egito.
Mais tarde, os viajantes souberam do agravamento do conflito envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, com relatos de ataques e retaliações na região.
Dificuldade para entrar no país
Sem visto para o Egito, os passageiros precisaram emitir autorização emergencial para desembarque. Segundo Anderson, o aeroporto não estava preparado para receber cerca de 200 pessoas de forma inesperada.
Além disso, o pagamento do visto só era aceito em moeda local ou dólar, o que gerou transtornos. “Uma passageira pagou para mim e depois eu a reembolsei”, contou.
A liberação ocorreu no início da noite, e o grupo foi encaminhado ao JW Marriott Hotel Cairo.
Notícias de ataques em Doha
Durante o deslocamento ao hotel, os passageiros receberam informações de que teriam ocorrido ataques em Doha, capital do Catar, inclusive nas proximidades do aeroporto.
“Percebemos que estaríamos lá naquele horário. Foi um alívio não estar no meio daquilo”, afirmou.
Na noite de sábado, sirenes também foram ouvidas em áreas do Cairo, aumentando a apreensão entre os viajantes.
Espaço aéreo bloqueado
Neste domingo, 1º, a companhia informou que o espaço aéreo na região segue bloqueado. Há a possibilidade de o voo ser redirecionado para outro país, de onde cada passageiro seguirá ao destino final, mas não há confirmação oficial.
A previsão é que uma definição ocorra na manhã desta segunda-feira, 2, no horário local.
Especialização no Japão
Anderson viajava ao Japão para aprofundar sua formação com mestres da culinária japonesa. Ele é formado pela Nagoya Sushi School e possui proficiência reconhecida pelo governo japonês.
Neste domingo, os passageiros foram autorizados a sair do hotel e ele visitou as Pirâmides de Gizé antes de retornar.
Até o momento, o grupo aguarda nova orientação da companhia aérea para seguir viagem.
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