O Biscoito Globo, tão famoso no Rio de Janeiro, tem suas raízes em Franca. Tudo começou com duas famílias de imigrantes espanhóis, Ponce e Fernandes, que se estabeleceram na cidade na época da imigração, início do século XX. O casal formado por Encarnação Fernandes e Antônio Ponce tiveram quatro filhos: três homens e uma mulher. Os três filhos Milton, Jaime e João foram os responsáveis pelo surgimento dos negócios. Hoje, o produto é a "cara" das praias cariocas.
O ano era 1935, quando Encarnação e Antônio se casaram em Franca e posteriormente tiveram os filhos. No entanto, Antônio nutria muito ciúme pela mulher e se mudaram para São Paulo em busca de um recomeço, mas eles se separaram, com a mulher deixando o marido e filhos.
Tudo isso é revelado pela jornalista Ana Beatriz Manier, autora do livro denominado “Ó, O Globo – a história de um biscoito”, que conta a origem do produto. “De um problema familiar se deu um gatilho para um grande empreendedorismo”, disse a jornalista, na época do lançamento do livro, há dois anos.
Após a separação do casal em 1953, os filhos adolescentes foram morar com um primo, de nome Germano, que tinha uma padaria no bairro de Ipiranga, na zona sul da cidade. Foi com ele que aprenderam a receita e depois começaram a vender os biscoitos nas ruas de São Paulo.
Certa vez, Milton, o filho do meio, viajou ao Rio de Janeiro para participar de um congresso eucarístico e levou biscoitos de polvilho para vender. Foram vendidos mais de 100 quilos de biscoito em um dia. Com o sucesso e de posse da receita dos biscoitos, os irmãos foram em definitivo para o Rio. Chegando lá, eles arrendaram um forno de uma padaria de nome Globo, no bairro do Botafogo. Naquele ano de 1955, nascia o Biscoito Globo.
Com o aumento da demanda, em 1963 foi formalizada a sociedade que deu origem à Panificação Mandarino Ltda. O negócio permanece na família por gerações. João Ponce, um dos fundadores, morreu em 2015.
O historiador de Franca, Ivan Rubens Rossato Merlino, também repercutiu a história do Biscoito Globo em virtude de suas raízes francanas. “A formação da cidade, da imigração dos italianos, dos espanhóis, isso é muito legal, porque foi essa força, inclusive, de trabalho que veio de fora, que resultou nessa formação que a gente vê hoje, muito forte, essa influência dos italianos, em primeiro lugar, e dos espanhóis. Os italianos com couro, com os laticínios e toda essa parte de calçado, os espanhóis com outras frentes, outra visão. Então, Franca tem essa base, essa origem forte dessas duas tradições”.
Há mais de 70 anos, o produto criado com polvilho, leve, sem glúten e famoso pelo sucesso nas areias, se tornou Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro. “Quando eu ouvi falar sobre essa história, eu achei muito interessante porque, em primeiro lugar, o Biscoito Globo é um patrimônio, o Rio de Janeiro é uma das cidades mais conhecidas no mundo, então todo turista que vem para o Brasil e vai para o Rio de Janeiro, ele tem contato ali com o Biscoito Globo, nas praias cariocas, com a história passando por Franca”, acrescentou o historiador.
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