EXCLUSIVO

Secretário anuncia novo concurso e mais profissionais de apoio

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 6 min
Sampi/Franca
Flavio Florido/Seduc-SP
Renato Feder, secretário estadual de Educação, e Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo
Renato Feder, secretário estadual de Educação, e Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo

Resultados do Saresp, esclarecimentos sobre o novo modelo cívico-militar, processo de atribuição de professores, anúncio e novo concurso público, implementação de mais profissionais de apoio para alunos com deficiência e defesa das plataformas digitais. Esses foram alguns dos assuntos tratados pelo secretário de Educação de São Paulo, Renato Feder, em entrevista exclusiva ao Portal GCN/Sampi, na tarde dessa quarta-feira, 25.

A entrevista por videochamado foi logo após a divulgação dos resultados do Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) 2025. O secretário afirmou que os números do exame apontam crescimento histórico no desempenho dos alunos da rede estadual. Segundo ele, o avanço médio foi de 16% em todas as disciplinas no Estado - o maior em 30 anos de aplicação da avaliação.

Na região de Franca, de acordo com o secretário, os índices ficaram acima da média estadual, tanto em Matemática quanto em Língua Portuguesa, em todas as séries avaliadas.

O que é o Saresp e como funciona a avaliação

O Saresp passou por reformulação recente e ampliou o número de disciplinas avaliadas. Atualmente, a prova é aplicada a alunos do 2º ao 9º ano do Ensino Fundamental e ao Ensino Médio, contemplando matérias como Ciências, Física, Química, Biologia, História, Geografia, Matemática, Língua Portuguesa e Inglês.

Segundo o secretário, praticamente todas as séries realizam a avaliação, do 2º ano do Ensino Fundamental ao Ensino Médio. A aplicação da prova atinge quase a totalidade da rede. “Nossa proposta é aplicar em 100%. Neste ano, 95% dos estudantes fizeram a prova, mais de 4 milhões de alunos”, afirmou.

Ele ressaltou que a avaliação é auditada externamente pela Fundação Vunesp. “Quando a gente fala que cresceu 16%, não é opinião da secretaria. São os auditores, com estatísticos, que fazem a comparabilidade das questões calibradas e constatam se houve evolução.”

Professores mais preparados e acompanhamento diário

Ao ser questionado sobre os fatores determinantes para o avanço consistente em Franca, Feder atribuiu o resultado à reorganização pedagógica e ao uso de tecnologia como ferramenta de acompanhamento.

“Principalmente, a escola está funcionando melhor. O professor entra muito mais preparado. A secretaria deu ferramentas, material melhor, formação estruturada”, afirmou.

Ele destacou que o acompanhamento ocorre aula a aula. “No final da aula, o professor aperta um botão no nosso aplicativo dizendo que terminou a aula. Quando ele aperta esse botão, todos os alunos recebem a lição de casa para fazer nos computadores da escola.”

Segundo o secretário, o sistema permite identificar quais alunos realizaram as atividades, quais erraram e quais não fizeram. “A gente jogou luz na educação. A gente acompanha o aluno aula a aula, dia a dia. A educação é outra, muito mais organizada.”

Ele reconheceu que ainda existe diferença entre escolas públicas e privadas, mas disse que a meta é reduzir essa desigualdade. “Algumas escolas públicas já estão melhores que as particulares, outras ainda não. Nosso objetivo é fechar essa diferença.”

Investimentos na região e novos programas

Feder afirmou que o governo estadual reformou mais de 3 mil escolas e investe mais de R$ 1 bilhão por ano em infraestrutura educacional. “As escolas nunca tiveram tanto investimento como tiveram na gestão do governador (Tarcísio de Freitas, Republicanos)”, disse.

No Estado, 80 novas unidades estão sendo abertas, incluindo escolas na região de Franca.

Entre as novidades anunciadas, está a “Copa das Escolas”, competição interna para estimular a realização de lições de casa. “Cada sala vai representar um país, como numa Copa do Mundo. Eles competem fazendo lição para passar de fase, oitava, quarta, semifinal e final”, explicou.

Outro programa destacado foi o Tutoria, voltado à recuperação de aprendizagem. “Imagina uma sala com 30 alunos, e seis estão muito para trás. A gente vai dar quase que uma aula particular para esses alunos, com conteúdos no nível deles. A palavra é equidade”, afirmou.

Escolas cívico-militares em Franca

Na região, duas unidades aderiram ao modelo cívico-militar - a EE "Sudário Ferreira" e "Antonio Fachada", ambas em Franca. “O que muda é que a escola recebe dois ou três monitores para ajudar no comportamento, na disciplina e no ambiente escolar”, explicou.

Segundo o secretário, não há alteração no conteúdo pedagógico. “A aula de matemática continua matemática, a de história continua história. O diferencial é o clima escolar.”

Ele afirmou que os monitores são, em geral, policiais da reserva com experiência educacional. “Não é questão ideológica. É disciplina, respeito e organização.”

Atribuição de aulas e autonomia do diretor

Outro ponto abordado foi a mudança no processo de atribuição de aulas, muito criticado pelos professores. Para este ano de 2026, a pasta realizou a atribuição através de um processo de avaliação dos diretores sobre os professores. Feder explicou que a mudança busca dar mais poder aos diretores. “O diretor é responsável pelo resultado da escola e precisa ter autonomia para escolher o time dele”, afirmou.

Segundo Feder, menos de 10% dos professores foram direcionados para outras unidades após avaliação. Ele explicou que professores temporários que não forem reconduzidos podem ficar um ano fora da rede antes de nova seleção. "Aquele professor que foi, teve todas as chances, por que ele foi avaliado de forma ruim? Porque ele, ou faltou muito, ou os alunos dele não aprenderam, ou os colegas não avaliaram ele bem. Aí, se é temporário, fica um ano fora da rede", explicou.

O portal GCN/Sampi também procurou a Apeoesp (Sindicato dos professores), para comentar sobre essa mudança na atribuição. Em entrevista, o Professor Máximo, diretor da Apeoesp Franca e segundo secretário de administração da Apeoesp, criticou a mudança. "Nós da Apeoesp entramos com uma ação ordinária e conseguimos uma liminar para parar essa punição aos professores, o professor não pode ficar sem trabalhar, os temporários seriam os mais prejudicados, perderiam toda sua fonte de renda".

Máximo ainda explica que a briga do sindicato é para que esses professores que não foram bem avaliados participem da aribuição referente ao processo seletivo de 2025, podendo ingressar ainda nesse primeiro semestre.

Novo concurso público

Outro ponto tratado na entrevista foi a insegurança dos professores temporários em relação a conseguir atribuir aulas todos os anos. Questionado, Feder afirmou que a Seduc planeja um novo concurso público para este ano, buscando efetivar mais professores.

"Os temporários recebem os nossos bônus igual os professores efetivos. Então, temos muitos professores excelentes. Amamos eles, precisamos deles. O que é a nossa dor com os temporários é que eles não conseguem avançar na carreira. Então, pra isso, queremos fazer concurso público. Vamos fazer mais um neste ano, para que possamos transformar em efetivos os temporários e para que eles possam ir crescendo na carreira e ganhando um salário cada vez melhor, além do bônus", afirmou.

Educação especial: ampliação do atendimento

O secretário de Educação também anunciou aumento no número de profissionais para atender alunos com deficiência. “Tínhamos 22 mil profissionais e estamos indo para quase 30 mil”, afirmou.

Segundo ele, o número de estudantes com deficiência na rede estadual passou de 70 mil para 110 mil em três anos. “Um dos motivos desse aumento é que melhoramos o atendimento. Muitos pais tiram da escola particular e colocam na pública porque estamos conseguindo atender melhor”, declarou.

Plataformas digitais como reforço

Por fim, o secretário defendeu o uso moderado das plataformas digitais, trazidas por ele para a rede estadual de São Paulo, como apoio ao ensino.

Entre as ferramentas utilizadas, estão:

  • Matific (matemática)
  • Khan Academy (matemática)
  • Elefante Letrado (alfabetização)
  • Leia SP (língua portuguesa)
  • Redação SP (língua portuguesa)

“A estrela é o professor. A tecnologia é reforço, usada com moderação”, afirmou.

Segundo ele, o diferencial das plataformas é permitir que o aluno avance no próprio ritmo. “O computador acompanha a velocidade do aluno e mostra ao professor o que ele aprendeu e o que precisa melhorar.”

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