Se hoje o passeio até Rifaina ou ao Sul de Minas não pesa no bolso por causa de novas cancelas no caminho, é porque, há dez anos, Franca e região ocuparam as pistas das rodovias para dizer “não”.
Em 2016, população, políticos e entidades se uniram em uma campanha que ganhou as ruas — e as capas de jornal — sob o slogan “Pedágio Aqui Não”. A pressão contribuiu para que o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin — hoje vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — recuasse da decisão de instalar três praças de cobrança nas rodovias da região.
As cabines seriam instaladas na rodovia Cândido Portinari, entre Cristais Paulista e Jeriquara; na rodovia Ronan Rocha, entre Patrocínio Paulista e Itirapuã; e na rodovia Altino Arantes, entre Batatais e Altinópolis.
Aniversário de dez anos: o papel do Comércio da Franca
O vereador Marco Garcia (PP) usou a tribuna da Câmara Municipal de Franca, nesta terça-feira, 24, para lembrar os dez anos do movimento “Pedágio Aqui Não”.
Segundo ele, a mobilização que tomou as rodovias em 2016 não teria alcançado o mesmo efeito sem um aliado: a imprensa local. Garcia afirmou que o jornal Comércio da Franca teve papel central na repercussão dos protestos, dando visibilidade às manifestações e ampliando a pressão popular.
O parlamentar citou o trabalho do então jornalista Edson Arantes e do diretor executivo do portal GCN/Sampi, Corrêa Neves Jr., como parte dos esforços que ajudaram a consolidar o movimento e a mobilizar a opinião pública da cidade e da região.
Foi, nas palavras do vereador, “muito importante a participação do jornal Comércio da Franca”. Ele lembrou que o periódico, à época, alcançava praticamente toda a cidade. As manifestações estamparam a capa do jornal, o que ampliou a pressão política. “Deu uma repercussão realmente significativa para que pudéssemos impedir a instalação de três praças de pedágio”, afirmou.
Instalação de pedágios com as rodovias prontas
O parlamentar criticou o modelo que previa a concessão à iniciativa privada após a conclusão das obras. Segundo o vereador, a população não aceitava que, depois de prontas, as rodovias passassem a ter cobrança. “Depois que estavam prontas as rodovias, vinha a concessionária, colocava as cabines e começava a cobrar, encarecendo o custo de vida da nossa região”, disse. Para ele, o impacto seria direto no bolso do consumidor, com produtos mais caros em razão das tarifas.
O movimento ganhou corpo. De acordo com Garcia, milhares de pessoas foram mobilizadas. Houve grandes manifestações e bloqueios completos das rodovias em três ocasiões. Em um domingo, moradores de Rifaina seguiram em carreata até Franca, formando um engarrafamento quilométrico. O vereador classificou o ato como “pressão legítima” e “mobilização democrática”, resultado da união popular contra o que chamou de tentativa de impor “goela abaixo mais três pedágios”.
Protesto artístico
A dupla Rionegro & Solimões também aderiu ao movimento contra os pedágios e levou a mobilização para além das rodovias. Em um vídeo divulgado à época, Solimões declarou apoio à causa cantando. “Eu nunca imaginei o povo nesse estágio, pagar imposto e ainda pagar pedágio?”.
“Sepultamento” do governador
O ponto máximo da tensão, relembrou, seria no dia 26 de fevereiro daquele ano. Estava previsto um “enterro simbólico” do governador. A concentração ocorreria no km 12 da Ronan Rocha, seguiria pelo Centro de Franca, com um caixão sobre o veículo, até o km 427 da Cândido Portinari, onde o objeto seria simbolicamente sepultado. Mas o desfecho veio antes do cortejo. “Quando chegou a notícia, o governador suspendeu os pedágios”, relatou Garcia.
“O governador Geraldo Alckmin (PSDB) descartou definitivamente a instalação de três praças de pedágio na região de Franca. A informação foi dada com exclusividade ao Comércio, em telefonema do chefe do governo estadual ao diretor executivo do GCN, Corrêa Neves Júnior, no início da noite de ontem”, diz matéria publicada na edição de 27 de fevereiro de 2016 do jornal impresso.
A decisão do Palácio dos Bandeirantes encerrou o impasse e, uma década depois, ainda é lembrada como vitória política e popular. “Hoje a cidade não tem pedágios”, concluiu o vereador.
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