A Prefeitura de Franca notificou a CPFL Paulista, responsável pelos postes de energia elétrica, para que adote providências após a morte do motociclista Benedito Cassiano de Souza Neto, 49, causada por um fio solto na Avenida Dom Pedro I, no Jardim Petráglia, na manhã dessa quarta-feira, 18. A concessionária afirmou que o cabo envolvido no acidente não era de energia, mas de telecomunicações, e que a manutenção é de responsabilidade da operadora que utiliza a estrutura.
Benedito seguia no sentido Parque Moema, conduzindo uma Yamaha Fazer azul, quando o fio se enroscou na motocicleta. Ele perdeu o controle, caiu próximo ao canteiro central e morreu no local. O impacto foi violento, segundo relatos de moradores.
Postes são da CPFL
Por meio da Secretaria de Infraestrutura, a Prefeitura de Franca informou que notificou a CPFL, concessionária responsável pelos postes onde a fiação é instalada, para que tome as medidas necessárias quanto à manutenção e segurança da estrutura.
Em nota, a CPFL lamentou o ocorrido e ressaltou que os cabos identificados no ponto do acidente são de telecomunicações e não pertencem à distribuidora. Segundo a empresa, embora os postes sejam de sua responsabilidade, a instalação e manutenção dos cabos de internet e telefonia são atribuições exclusivas das operadoras que compartilham a estrutura.
A concessionária informou que enviou equipe ao local após tomar conhecimento do caso, para eliminar riscos, e que notificará a empresa responsável para regularizar a fiação.
Segundo a CPFL, apenas em 2025 foram emitidas mais de 3 mil notificações a operadoras em Franca por irregularidades no uso dos postes, além da retirada de 3,1 toneladas de cabos irregulares.
A empresa afirma seguir as normas da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), previstas na Resolução Conjunta nº 004/2014, que regulamenta o compartilhamento de postes entre energia e telecomunicações.
O que diz a resolução
Em pelo menos três pontos, a norma diz que a responsabilidade pelos cabos de telecomunicações é das próprias operadoras.
Segundo a resolução, a manutenção e regularização da fiação são responsabilidade da prestadora de telecomunicação.
Ainda de acordo com a norma, situações emergenciais ou que envolvam risco de acidente devem ser regularizadas imediatamente, mesmo sem notificação da distribuidora de energia.
Por fim, o texto afirma que a ausência de notificação da distribuidora não exime a operadora da responsabilidade.
A resolução também determina que o compartilhamento não pode comprometer a segurança de pessoas e que as distribuidoras devem fiscalizar a ocupação da estrutura.
Desta forma, se confirmado que o cabo que provocou o acidente era de telecomunicações - e não da rede elétrica -, a responsabilidade direta pela fiação irregular recai sobre a operadora proprietária do cabo, conforme estabelece a resolução.
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Comentários
2 Comentários
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Helio Pinheiro Vissotto 19/02/2026Depois de tantos incidentes já havidos ainda persiste essa dúvida de quem é o responsável? É o fim da picada ter esse bando de autoridades irresponsáveis na cidade. -
EDMAR LUCIANO DE CARVALHO 19/02/2026Venho alertando que falta fiscalização. Claro que, especificamente nesse caso, não houve preocupação nas consequências que poderiam haver em um inofensivo fio solto. Inofensivo? Vemos desrespeito de todos os lados. Parece que ninguém se importa. É motorista que não obedece sinalização, motoqueiros que passam a milhão. Outros que tiram racha. Muitos que não obedecem a velocidade e, para finalizar, o poder público que não fiscaliza. Sinaliza, mas não fiscaliza. O resultado disso são 12 mortes em um mês e meio no trânsito letal de Franca. Fiscalizar não rende votos, porém, salva vidas.