A família de Ireny de Fátima Sampaio, de 61 anos, vive dias de angústia enquanto aguarda uma vaga na Santa Casa de Franca para que a paciente seja avaliada por um especialista em cirurgia cardiovascular. Internada na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Aeroporto desde o último dia 7, ela enfrenta uma infecção grave no pé, que vem se agravando e já apresenta sinais de avanço para a coxa.
Segundo relato de familiares, o problema começou com uma ferida no pé, que inicialmente era tratada com curativos e acompanhamentos em unidades de saúde. Com o passar do tempo, a lesão piorou, passou a formar bolhas e se tornou infeccionada. “A gente cuidava todos os dias, levava no clínico, na UBS, mas começou a piorar muito”.
Com o agravamento do quadro, Ireny passou a sentir fortes sintomas, como vômitos constantes e falta de apetite. Na primeira ida à UPA, ela recebeu medicação e retornou para casa, mas, no dia seguinte, precisou ser levada novamente em estado mais grave. Diante da situação, os médicos decidiram interná-la.
Durante a internação, o pé da paciente escureceu, ficando roxo e com áreas enegrecidas. A equipe médica indicou a necessidade urgente de avaliação com um especialista cardiovascular. “Eles disseram que precisa da vaga na Santa Casa para passar com o cardiovascular. O médico já colocou como urgência faz tempo”.
A médica que acompanha o caso na UPA chegou a levantar a hipótese de amputação, caso o tratamento adequado não seja iniciado rapidamente. “Ela falou que existe o risco de amputar, mas precisa do especialista para cuidar corretamente”.
A família também afirma que há informações sobre a existência de leitos disponíveis na Santa Casa, o que aumenta a sensação de desespero. “A gente sabe que tem leito vazio. Estamos pedindo ajuda para conseguir essa vaga. É só lá que tem os especialistas que ela precisa”.
Santa Casa diz que paciente está no sistema de regulação
Em nota, o Santa Casa de Franca informou que as internações e transferências para a instituição não são realizadas por solicitação direta ao hospital, mas exclusivamente por meio do sistema público de regulação. Segundo o hospital, esse sistema é responsável por organizar o acesso aos leitos conforme critérios técnicos e classificação de risco.
Ainda de acordo com a instituição, a paciente mencionada está devidamente inserida no sistema de regulação e segue aguardando atendimento, conforme os protocolos estabelecidos pelos órgãos competentes.
A Santa Casa explicou que a definição do momento da transferência depende da disponibilidade de leitos e da priorização técnica feita pela Central de Regulação, que considera a gravidade clínica de todos os pacientes que aguardam vaga.
O hospital também reforçou que atua de forma integrada à rede pública de saúde e que cumpre rigorosamente as determinações do sistema regulador, com o objetivo de garantir equidade no acesso e segurança assistencial.
Por fim, a instituição destacou que, em respeito à privacidade da paciente e à legislação vigente, não divulga informações clínicas ou detalhes específicos do caso, e afirmou que permanece à disposição para esclarecimentos institucionais.
O Portal GCN/Sampi entrou em contato com a Secretaria Estadual de Saúde para obter esclarecimentos sobre a situação e aguarda retorno.
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