EM FRANCA

Gestante denuncia infiltração, mofo e abandono em apartamento

Por Leonardo de Oliveira | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
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Mofo atingiu todas as partes do apartamento
Mofo atingiu todas as partes do apartamento

Uma moradora grávida de oito meses denuncia viver há mais de dois meses em condições consideradas insalubres em um apartamento alugado no Residencial Sérifos, localizado na rua Eunice de Souza Masson, no bairro Três Colinas, em Franca. O caso teve início no dia 10 de dezembro do ano passado e, segundo ela, até o momento não houve solução definitiva.

De acordo com o relato, os primeiros sinais apareceram no quarto do casal, quando a água começou a escorrer pelas paredes e a pingar do teto, atingindo a cama e outros móveis. A imobiliária responsável foi comunicada imediatamente e orientou que o síndico fosse acionado. “O síndico respondeu, agradeceu e disse que enviaria um prestador de serviço. Isso foi em dezembro. Desde então, nada foi resolvido”, afirma.

Com o passar das semanas, as infiltrações se intensificaram, principalmente com o retorno das chuvas no início do ano. Mesmo após novas notificações em janeiro, tanto ao síndico quanto à imobiliária, a moradora relata que não recebeu respostas efetivas.

Atualmente, segundo ela, o apartamento se tornou praticamente inabitável. Em períodos de chuva intensa, a água chega a escorrer por luminárias, obrigando o casal a acordar durante a madrugada para retirar a água do chão.

“Tem dias em que a água cai direto da lâmpada. A gente precisa acordar para puxar a água com rodo. Não dá para dormir”, relata.

Mofo, prejuízos e riscos à saúde

Com a umidade constante, o mofo tomou conta do quarto, do banheiro e de outros ambientes. Roupas, colchão, móveis e objetos pessoais foram danificados. Parte das roupas precisou ser descartada, enquanto outras foram armazenadas em malas devido ao forte cheiro.

“A cama ficou toda manchada, embolorada. O box quebrou quando tentamos arrastar. O armário planejado, que é da proprietária, também está estragando”, diz. Ela afirma que o quarto foi totalmente desmontado e que, desde então, o casal passou a dormir na sala, em um sofá, por falta de condições de uso do dormitório.

Além do casal, dois animais de estimação vivem no local e circulam por áreas frequentemente alagadas, o que aumenta o risco de contaminação. “A casa fica molhada o tempo inteiro. A gente escorrega, quase cai. É perigoso”, relata.

Gravidez agrava situação

A situação se torna ainda mais delicada devido à gravidez avançada da moradora. Com oito meses de gestação, ela afirma não ter condições mínimas para receber a filha no imóvel. “Já comprei os móveis da minha filha, mas pedi para não entregarem. Não tem como montar um quarto. Não existe ambiente limpo para um bebê aqui”, afirma.

Segundo ela, todos os pertences do enxoval estão guardados de forma improvisada no banheiro social, único local menos afetado. “É desesperador pensar em trazer uma recém-nascida para esse ambiente”, completa.

Falta de respostas e justificativas

A moradora afirma que, ao longo dos meses, recebeu apenas justificativas, sem providências concretas. Entre elas, condições climáticas, custo elevado da obra e dificuldade para contratação de prestadores.

Em áudios enviados no grupo do condomínio, o síndico teria informado que o serviço não foi realizado anteriormente devido ao alto valor cobrado por um prestador no ano passado. “Isso foi revoltante. Não tem preço para a dignidade de alguém. A gente paga o aluguel em dia, nunca atrasou”, afirma.

Ela também relata que, em diversas ocasiões, seus áudios e mensagens não foram sequer visualizados. “Ninguém escuta, ninguém responde. É como se a gente não existisse.”


Prejuízo financeiro e impossibilidade de mudança

Apesar da situação, o casal segue pagando o aluguel regularmente. A moradora solicitou abatimento proporcional devido à impossibilidade de uso do quarto, mas afirma não ter recebido retorno. Também foi enviada uma notificação extrajudicial à imobiliária, que, segundo ela, permanece sem resposta. “A gente tentou negociar, tentou resolver. Não houve abertura.”

A possibilidade de mudança também esbarra em dificuldades financeiras. “Com a gravidez, não temos condições de pagar mudança, novo aluguel, taxas, rescisão de contrato. Estamos presos nessa situação”, diz.

Convivência no condomínio e exposição pública

Com o agravamento do problema, moradores passaram a perceber a situação, especialmente durante madrugadas em que o casal precisa arrastar móveis e retirar água.

Em mensagens no grupo do condomínio, a moradora chegou a pedir desculpas pelos transtornos causados aos vizinhos. “É constrangedor. Dá vergonha. Parece que a gente mora em um lugar abandonado”, relata. Outros moradores passaram a demonstrar solidariedade e a questionar a demora na solução.

Segundo a gestante, atividades básicas foram afetadas. Não é possível manter a limpeza do apartamento, lavar roupas ou organizar o espaço. “A casa nunca seca. Não tem como limpar, não tem como lavar roupa, não tem onde secar. A gente vive no improviso”, afirma. Lençóis, cobertores e roupas de cama precisaram ser levados para lavanderias, gerando gastos extras.

Pedido por providências

A moradora afirma que já notificou a imobiliária, o síndico e a proprietária do imóvel, que acompanha as conversas no grupo do condomínio. No entanto, nenhuma solução concreta foi apresentada. “O que a gente quer é respeito. Alguém que diga: vai ser resolvido assim, nesse prazo. Ninguém fala nada.”

Ela reforça que o problema não foi causado pelos moradores e que sempre cumpriram com suas obrigações contratuais. “Se fosse culpa nossa, a gente pagaria. Mas não é. E mesmo assim estamos sendo ignorados.”

Outro lado

Em resposta à reportagem, a Imobiliária Isper Nassif informou que, desde o primeiro relato dos moradores sobre infiltração e goteiras no Residencial Sérifos, na Rua Eunice de Souza Masson, o caso foi encaminhado à proprietária do imóvel e ao síndico, e que providências foram adotadas para buscar uma solução. Segundo a empresa, em 10 de fevereiro, um especialista realizou uma avaliação técnica e identificou a necessidade de nova calafetação e vedação no telhado.

Ainda de acordo com a imobiliária, o reparo depende de um período sem chuvas, já que a aplicação do material em superfícies úmidas compromete a segurança e a eficácia do serviço. A empresa afirma que, assim que houver condições climáticas adequadas, a manutenção será realizada e, posteriormente, serão feitos os reparos internos, como recuperação e pintura dos ambientes afetados.

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