DENÚNCIA

Homem diz ter sido estuprado na infância por empresário de Franca

Por Laís Bachur | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação/PCSP
Polícia Civil investiga a denúncia de estupro de vulnerável
Polícia Civil investiga a denúncia de estupro de vulnerável

Um empresário de Franca é investigado por estupro de vulnerável. Um homem, hoje com 27 anos, registrou boletim de ocorrência relatando abusos sexuais de forma constante durante a infância, entre 2006 e 2007, quando tinha cerca de 6 anos de idade.

Segundo a denúncia, feita à polícia no dia 30 de janeiro, os abusos teriam ocorrido quando o então menino morava com a mãe na residência do investigado. Os ataques teriam se repetido ao longo dos anos, inclusive na adolescência. A mãe do denunciante manteve um relacionamento amoroso com o empresário, hoje com 59 anos.

O caso ganhou novos contornos após a família procurar o empresário para uma conversa, ocasião em que ele não teria negado os fatos e oferecido R$ 20 mil para que o assunto não fosse levado adiante, valor que chegou a ser depositado, levando a família a decidir pelo registro da ocorrência.

Na infância

Segundo o relato, à época, sua mãe passou a morar na residência do investigado, levando o então menino para viver no local. Em uma das primeiras ocasiões, enquanto a mãe havia saído para trabalhar, o investigado permaneceu sozinho com a criança.

O denunciante conta que tinha o hábito de assistir a filmes e passear com o padrasto e que, naquele dia, ele o chamou para ver um filme, dizendo frases como “Vamos assistir algo melhor dessa vez” e “Vou achar algo que você vai gostar mais”. Em seguida, teria exibido um filme de conteúdo pornográfico, o que o teria deixado extremamente assustado.

Ainda conforme o boletim, durante esse episódio, o investigado teria praticado penetração anal no menino. O homem afirmava, segundo a denúncia, que a criança iria “perder a vergonha” e a orientava a não contar nada à mãe, ameaçando dizer que se tratava de mentira e que acreditariam nele. Por medo e sob coação, o menino permaneceu em silêncio.

Ele relata que os abusos se repetiram diversas vezes, tanto na residência onde moravam quanto em outro imóvel do investigado. Segundo o depoimento, os atos ocorriam sempre que ficavam sozinhos e, frequentemente, eram acompanhados da exibição de vídeos pornográficos em televisão ou notebook.

Hoje com 27 anos, o rapaz relata que sua mãe trabalhava em excesso e costumava deixá-la sob os cuidados de pessoas consideradas de confiança, entre elas o próprio investigado. Com o passar do tempo, ele passou a agir com naturalidade ao “abordar” o enteado, o que fez com que os episódios se tornassem rotineiros, enquanto a então criança já se encontrava emocionalmente condicionada.

Ele afirma que realiza acompanhamento psicológico devido aos traumas decorrentes dos abusos. Informa ainda que, após o término do relacionamento da mãe com o investigado, em 2007, manteve por algum tempo um contato amistoso com o empresário.

Na adolescência

Anos depois, quando tinha cerca de 14 anos, a mãe perguntou se o filho gostaria que conversasse com o investigado sobre a possibilidade de um emprego na empresa dele. O rapaz foi contratado, mas relata que, logo no primeiro dia, ao entrar no veículo do investigado, ele passou a fazer perguntas de cunho íntimo, como se ele estaria “saindo com muita mulher”, o que o deixou constrangida.

Em outra ocasião, já na garagem da empresa, o investigado o chamou até o escritório, exibiu novamente vídeos pornográficos e voltou a praticar penetração anal, da mesma forma que nos anos anteriores.

O denunciante afirma que essa foi a última vez. Após o episódio, não retornou ao trabalho e não manteve mais contato com o investigado.

Resolveu contar

Com o passar dos anos, o rapaz começou a relatar os fatos a algumas pessoas. Houve comentários entre familiares, e parte deles desacreditou das denúncias devido ao histórico de uso de drogas do rapaz, iniciado por volta dos 12 anos de idade, quando estava sob os cuidados do pai.

No segundo semestre do ano passado, o denunciante iniciou tratamento psiquiátrico e psicológico, e o profissional responsável concluiu que o quadro clínico estava diretamente relacionado aos supostos abusos sofridos na infância.

Diante disso, no dia 12 de janeiro de 2026, a mãe do rapaz, acompanhada dele e da tia, procurou o investigado para uma conversa no escritório da empresa. Segundo o relato, durante a conversa, o investigado não negou os fatos e chegou a oferecer dinheiro para que o assunto não fosse levado adiante. Ele depositou R$ 20 mil na conta da tia, cujo comprovante foi apresentado às autoridades. A conversa foi gravada pela tia.

Após o encontro, a família decidiu registrar o boletim de ocorrência.

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