O vereador Fransérgio Garcia (PL) estreou à frente da presidência da Câmara Municipal de Franca na sessão ordinária desta terça-feira, 3, em um cenário semelhante ao enfrentado pela gestão passada: uma pauta monótona e o desafio de lidar com discursos ideológicos, que costumam ocupar o espaço das verdadeiras demandas da cidade.
Após ser respeitado um minuto de silêncio pela morte do médico urologista Normando de Andrade, foi iniciada a leitura das matérias do expediente, seguida dos discursos na tribuna.
Por ser a primeira sessão do ano, como de costume, os discursos se dividiram entre parabenizar o trabalho realizado pelo ex-presidente Daniel Bassi (PSD) e desejar sucesso ao atual mandatário.
Aos poucos, os vereadores foram se ajustando aos trabalhos, especialmente aqueles que integram a nova composição da Mesa Diretora: Marcelo Tidy (vice-presidente), Andréa Silva (1ª secretária) e Zezinho Cabeleireiro (2º secretário), além de Fransérgio.
Entre os principais temas abordados na tribuna, Marcelo Tidy (MDB) falou da insegurança no trânsito de Franca. “A gente vê a tristeza que é uma família quando perde alguém num acidente de trânsito, e muitas vezes, a pessoa que não tinha nada a ver. É a pessoa que estava fazendo uma travessia na rua, é a pessoa que estava numa calçada.”
Outro tema destacado por Tidy foi a limpeza urbana e a necessidade do apoio da população para manter a cidade limpa. “Nós precisamos ser mais eficientes. A população tem que colaborar, colocar o lixo no dia”.
Ano novo, velhos costumes
Apesar dos temas debatidos na tribuna, a sessão ficou marcada por um momento de tensão. O vereador Leandro O Patriota (PL) levou temas nacionais à tribuna, como a marcha promovida pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e as investigações envolvendo o Banco Master. Foi nesse momento que o parlamentar acusou ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) de corrupção. “Tem políticos envolvidos, tem ministros envolvidos. Inclusive, ministros do Supremo envolvidos com corrupção com relação ao Banco Master. Por que não é falado isso?”.
Gilson Pelizaro (PT) pediu um requerimento verbal, em decorrência do teor das acusações. “Eu queria que constasse em ata na íntegra a fala do vereador Leandro O Patriota”. O vereador de extrema direita rebateu: “você já fez isso, vereador, Gilson. Você já fez isso com o Walker. Vou falar uma coisa aqui. Você faz isso para amedrontar os vereadores aqui. E eu não tenho medo disso. Pode continuar”.
Diante do tom elevado do colega de partido, o presidente Fransérgio Garcia interveio. “Só um minuto, Leandro, com a palavra, vereador Gilson”.
Gilson, em seguida, reforçou seu pedido: “Ele acusou ministros do Supremo de corrupção. Eu gostaria que fosse registrado em ata, na íntegra, a fala dele, por favor”. O vereador justificou seu pedido por conta da acusação feita por Patriota não vir acompanhada por nenhuma prova. Vereadores, diferente de deputados federais e senadores, não têm imunidade parlamentar por suas falas.
Em pauta
Já no período da tarde, duas propostas foram aprovadas – o baixo número é decorrente de ser a primeira sessão do ano. O primeiro projeto aprovado foi de autoria do vereador Kaká (Republicanos) e nomeia como Wilson Scarabucci Teixeira uma escola municipal localizada na rua Continentino Jacinto da Silva, no bairro São José. O projeto tramitou em regime de urgência devido à necessidade de regularizar a nomeação para o pleno funcionamento da instituição.
A segunda proposta aprovada concede ao empresário do setor tecnológico Rodrigo Carvalho Santos, CEO do Irroba, o Título de Cidadão Francano, de autoria do vereador Fransérgio Garcia.
Encerramento
A sessão desta terça-feira encerrou com um discurso do presidente Fransérgio Garcia, que ressaltou o objetivo de mudar a visão da população sobre a Câmara Municipal. “Nosso compromisso é construir uma Câmara mais eficiente, transparente e responsável”.
Por fim, ele deixou um recado para os demais vereadores e servidores do Legislativo francano. “Não tenham medo, porque vamos fazer juntos”, finalizou.
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