ENSINO SUPERIOR 2026

Veja como se inscrever no Fies sem cair em armadilhas

Por Lucas Leite | da Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução/José Cruz/Agência Brasil
Financiamento tem juros zero para estudantes com renda familiar de até três salários mínimos por pessoa.
Financiamento tem juros zero para estudantes com renda familiar de até três salários mínimos por pessoa.

O MEC (Ministério da Educação) abre nesta terça-feira (3) as inscrições do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) do primeiro semestre de 2026.

O programa do governo federal oferece financiamento com juros zero para estudantes com renda familiar de até três salários mínimos por pessoa. O pagamento do valor financiado tem início após a conclusão do curso, com parcelas ajustadas à renda do aluno.

Para se inscrever no Fies, os interessados devem acessar o Portal Único de Acesso ao Ensino Superior até a próxima sexta-feira (6). O resultado do processo será divulgado no dia 19 de fevereiro.

São aptos a participar do processo os candidatos que tenham obtido notas do Enem a partir da edição de 2010 igual ou superior a 450 pontos nas quatro áreas do conhecimento e que não tenham zerado a redação. Além disso, os interessados precisam ter renda familiar mensal bruta per capita de até três salários mínimos (R$ 4.863).

Metade das vagas será reservada para candidatos do Fies Social. Para participar dessa faixa de benefício, o estudante deve ter renda familiar de até meio salário mínimo (R$ 810,50) e ser inscrito no CadÚnico (cadastro único dos programas sociais do governo federal).

Antes de contratar o Fies

Para auxiliar os candidatos interessados em participar do programa, a reportagem conversou com Juliana Inhasz, economista e professora do Insper, que reuniu dicas antes da decisão.

Considere propósito e potencial do curso

Antes de recorrer ao financiamento estudantil, a principal avaliação não está nos números, mas no propósito. De acordo com a Inhasz, o estudante precisa refletir se o curso escolhido está alinhado ao seu projeto de vida e às metas profissionais de longo prazo.

"Não adianta financiar um curso qualquer. Se eu queria engenharia e passei para pedagogia, mas não é o meu plano de vida, talvez eu tenha que repensar essa escolha para conseguir aproveitar o financiamento", orienta a economista.

Outros fatores devem pesar na escolha. Entre eles, a empregabilidade e a demanda do mercado de trabalho, as perspectivas salariais da profissão, além da taxa de evasão e da qualidade do curso na universidade escolhida.

"Quando a instituição não oferece boa formação ou o curso tem baixa valorização no mercado, o retorno financeiro após a formatura tende a ser limitado, o que torna o investimento pouco vantajoso."

Pesquise e faça simulações

Um dos erros comuns entre os candidatos é concentrar a decisão apenas na vantagem imediata de não pagar a mensalidade durante o curso. Inhasz alerta que é fundamental analisar o valor total da dívida e o prazo de quitação. Mesmo nas modalidades com juros subsidiados, o custo final do financiamento tende a crescer ao longo do tempo.

Diante desse cenário, a recomendação é objetiva: fazer simulações antes de assinar o contrato.

"O estudante precisa projetar quanto deve ganhar depois de formado e comparar com o tamanho da parcela do financiamento. Muita gente contrata sem fazer essa conta e esquece que terá que pagar lá na frente. É aí que mora o risco", alerta.

Uma dica é evitar, sempre que possível, financiar 100% do valor. De acordo com a professora, o financiamento total impõe um "estresse financeiro muito grande" logo após a formatura.

Atenção às condições de financiamento

No momento da assinatura, o cuidado deve ser redobrado. A professora do Insper ressalta que a leitura atenta do contrato é indispensável, especialmente das cláusulas que costumam passar despercebidas pelos estudantes.

Entre os pontos importantes estão:

- início da amortização da dívida

- penalidades em caso de atraso

- encargos aplicados

- condições para eventual renegociação

"Pode parecer óbvio, mas muita gente simplesmente ignora essas informações e assina sem analisar. Não se trata de deixar de contratar por causa das multas ou dos encargos, mas de ter plena consciência do compromisso assumido", afirma.

Compromisso a longo prazo

Um outro ponto de atenção é imaginar que o compromisso com o Fies termina após a matrícula. O financiamento exige acompanhamento contínuo ao longo de toda a graduação.

Alterações na renda familiar, o trancamento do curso ou a decisão de mudar de instituição, ou de área de formação, implicam ajustes contratuais que precisam ser feitos de forma imediata para evitar irregularidades e acúmulo de pendências.

"Quando o estudante conhece as regras e monitora o financiamento ao longo do tempo, consegue evitar problemas lá na frente."

Calendário Fies 2026 - 1º semestre

- Período de inscrições: até 6 de fevereiro

- Resultado da pré-seleção: 19 de fevereiro

- Complementação da inscrição: 20 a 24 de fevereiro

- Pré-seleção da lista de espera: 26 de fevereiro a 10 de abril

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários