A história de Ricardo Alberto Aidar, 48 anos, que permaneceu internado por cerca de 20 anos na Santa Casa de Franca e morreu na última quarta-feira, 21, ficou marcada não apenas pela complexidade clínica, mas principalmente pelos laços construídos entre ele, a família e os profissionais de saúde.
Durante todo esse período, Ricardo enfrentou a Distrofia Muscular de Duchenne, uma doença genética que compromete a musculatura e reduz significativamente a expectativa de vida.
Segundo a Santa Casa, ele recebeu assistência clínica permanente, apoio emocional e acompanhamento próximo, tanto para ele quanto para os familiares. O convívio diário transformou a relação entre paciente e equipe em algo que foi além do tratamento médico.
Segundo os médicos, a expectativa estimada para pacientes com esse diagnóstico é de cerca de 10 anos, após a constatação. Ricardo, porém, viveu aproximadamente o dobro desse tempo. “O Ricardo é um símbolo de resiliência”, afirma o médico da UTI, Dr. Edson Teixeira.
A enfermeira supervisora da UTI Adulto, Renata Miranda, relembra a relação construída ao longo dos anos. “Ele foi um guerreiro, muito querido, e foi muito bem assistido. Criamos uma relação de cuidado e respeito durante todo esse tempo.”
De acordo com funcionários da instituição, Ricardo demonstrava diariamente vontade de viver, mesmo diante das limitações impostas pela doença.
“Ele tinha um grande amor pela vida. Queria viver muito. Deixa uma mensagem muito forte para todos que conviveram com ele. Ele nos ensinou muito. A equipe toda tinha muito amor por ele”, disse Nilvana, uma das profissionais que acompanhou sua trajetória.
A técnica de enfermagem Nathalia também destacou a força do paciente. “O Ricardo foi sinônimo de força e resiliência. Ele tinha muita vontade de viver. Foi forte, lutou até o fim. Nem a medicina explica tantos anos aqui na UTI.”
Além da assistência médica, a equipe buscou proporcionar momentos de bem-estar e convivência. Em datas especiais, como o Natal, foram organizadas saídas do hospital, incluindo visitas ao shopping de Franca, para que Ricardo pudesse ter experiências fora do ambiente hospitalar e fortalecer os vínculos com a família.
Ele também conversava muito com os pacientes que passavam pela Unidade de Terapia Intensiva e tinha redes sociais.
Em nota, o Grupo Santa Casa de Franca informou que a trajetória do paciente representa o compromisso da instituição com o cuidado humanizado e com a assistência de alta complexidade, inclusive em casos de internação prolongada.
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