O tempo passa, as escavações avançam, mas Beth continua ali. Fiel, imóvel, esperando. Há 23 dias, a cachorra, com mais de 10 anos de idade, mantém uma vigília silenciosa na cratera no entorno de onde o corpo de sua tutora, Dagmar Grimm Streger, de 76 anos, foi jogado a uma profundidade de 30 metros, no sítio Cantinho do Sol. A propriedade fica situada no bairro rural Rio Verde, em Bauru. Entre uma gigantesca quantidade de terra revirada e a esperança de respostas, Beth resiste.
Ela e o irmãozinho de criação, Bob, aguardam adoção e um novo lar. Até lá, eles são diariamente cuidados pelos próprios servidores municipais da Secretaria de Infraestrutura (Obras), pelo coordenador da pasta, Etelvino Zacarias Martins, o Téo, por um vizinho de sítio e também por equipe da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Bem-Estar Animal (Semab). Eles alimentam, trocam a água e avaliam a saúde de ambos.
Conforme o JCNET vem noticiando, foi necessário escavar uma cratera gigantesca, com cerca de 30 metros de profundidade, no entorno de um poço na propriedade, além de demolir um imóvel secundário. Trata-se da operação mais complexa já realizada na cidade para localizar o corpo de uma pessoa vítima de homicídio.
Quem passa pelo local se impressiona com o tamanho do canteiro de resgate montado ao longo destas mais de três últimas semanas. Além da enorme abertura na terra e da chuva naquela região, que atrasou os trabalhos, outra dificuldade será remover manualmente vários sacos de adubo que o casal de caseiros Paulo Henrique Vieira, de 55 anos, e Daniela dos Santos Vieira, de 40, jogou sobre a vítima no poço, supostamente para mascarar o cheiro da decomposição, apurou o JCNET. Eles estão presos.
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Investigação
Agora a Polícia Civil aguarda informações de instituições bancárias para apurar se houve desvio de dinheiro de Dagmar por parte dos suspeitos, no período em que passaram a trabalhar para ela, entre o final de 2019 e o início de 2020. O sigilo bancário foi quebrado pela Justiça, a pedido da polícia.
A reportagem apurou que, inclusive entre feirantes colegas da vítima, que atuam na Praça Nabih Gebara, conhecida como Praça da Assenag, no Jardim Estoril, circulam versões sobre eventuais extorsões praticadas em 2025, ano em que a idosa passou a faltar ao trabalho que mantinha com tanta seriedade.
Depois, Dagmar desapareceu, o que ensejou o registro do caso na Polícia Civil e a consequente investigação, que segue em andamento.
A prisão
No início das apurações sobre o desaparecimento da idosa, a Polícia Civil identificou que o veículo da vítima, um Fiat Strada, também havia sumido. O carro foi localizado após ter sido negociado pela dupla em diferentes cidades. O casal suspeito foi preso no dia 24 de dezembro, no Paraná, e permanece à disposição da Justiça.
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