Uma empresa de Franca que atua nacionalmente no mercado financeiro firmou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o MPT (Ministério Público do Trabalho) após denúncias de assédio moral e práticas de imposição religiosa envolvendo unidades de Ribeirão Preto.
O acordo foi assinado nesta semana entre o MPT e a Blue3 Investimentos, além da Bluetrade Corretora de Seguros, e prevê uma série de medidas para combater violações à dignidade profissional no ambiente de trabalho.
Segundo o MPT, as investigações tiveram início após relatos de ex-funcionários e colaboradores que denunciaram situações constrangedoras durante o expediente.
Entre as irregularidades apuradas, estão a realização de reuniões obrigatórias com conteúdo religioso e pressões da chefia para que funcionários participassem de práticas espirituais, o que gerava constrangimento entre trabalhadores de crenças diversas ou sem religião.
Medidas previstas
Com o TAC, as empresas se comprometem a vetar qualquer forma de humilhação, assédio ou discriminação, além de garantir que nenhuma manifestação religiosa seja imposta aos empregados.
O documento também determina a criação de canais de denúncia confidenciais, com proteção contra retaliações e garantia de sigilo aos trabalhadores.
Para o procurador do Trabalho Henrique Correia, responsável pelo caso, o acordo representa uma mudança cultural necessária.
"O compromisso assumido não apenas tem a intenção de corrigir as irregularidades identificadas, mas estabelecer um novo padrão de conduta exigido das empresas, onde a liberdade de crença e a dignidade do trabalhador devem ser preservadas acima de qualquer meta econômica ou filosofia corporativa. O MPT seguirá vigilante para garantir que o ambiente de trabalho seja um espaço de pluralidade e respeito, e não de imposição", afirmou Correia.
O TAC também prevê que gestores e lideranças passem por treinamentos obrigatórios sobre diversidade, direitos fundamentais e prevenção ao assédio. As empresas deverão comprovar periodicamente ao MPT que as ações estão sendo cumpridas.
Em caso de descumprimento das cláusulas, foram estabelecidas multas superiores a R$ 50 mil por infração, além de valores adicionais por trabalhador prejudicado.
Segundo o MPT, o objetivo é garantir caráter pedagógico às penalidades e evitar a reincidência das práticas abusivas.
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Comentários
3 Comentários
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José 13/12/2025Aposto que os proprietários votaram 22. E aposto que são evangélicos. -
Darsio 13/12/2025Deus, pátria e família! Bolsonaristas!!! Alguma dúvida?????? -
Antonio Carlos 13/12/2025Isso vem acontecendo muito em algumas empresas de Franca, os proprietários, à exemplo dos pastores evangélicos, procuram vincular as suas imagens de empresários com a de eleitos do Criador para gerir a empresa e a vida pessoal dos seus funcionários mantendo-os nas rédeas curtas da doutrina que lhes são impostas com objetivos de escravizar e submete-los a regimes de trabalho extenuantes com interesses financeiros. Se as religiões evangélicas tipos do Malafaia, Valdemiro, Edir Macedo, JJ Soares fazem isso, então porque esses ditos empresários não podem fazer tbm?, conheço um, vizinho meu, que toda segunda-feira faz reuniões com os seus funcionários e prestadores de serviço na sua casa, eles começam rezando para amolecer o espírito do empregado e depois entram com sermãos absolutamente impositivos, uma verdadeira lavagem cerebral como nos cultos evangélicos de periferias onde o crente é alienado até de pensar diferente do que pensa e impõe o seu patrão, tanto no ambiente de trabalho quando na sua vida pessoal, falam de pecado, de caminho do demônio, de tudo quanto possa ser contra Deus quem desobedece o patrão e não lhe segue os seus mandamentos. E esse patrões cada vez mais ricos e os seus seguidores e funcionários cada vez mais pobres e alienados.